Escritas

Da Lua não vejo minha casa

Ano
2015
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Poemas nesta obra

no andar de um homem perdido

no andar de um homem perdido pelo enclave de siracusa
um reflexo de luz sem pontas acena sob as névoas de nada
na cantoneira de couro suave, um novo minério da crise
projeta sua sombra virgem no silĂȘncio leve de uma luneta
a gota de leite de vaca na lapela do ouriço bem comportado
inerte ao passo de uma ursa menor, gerente de hotelaria

a torcida freme e reluz diante do grande olaria
responde ao cansaço de tijolo que a redime e a acusa
na pia de gotas e cascas, o hormÎnio do frango empapuçado
num esfregaço de mel e cĂșrcuma, a conselho da doce fada
e no livro de faces morenas com outros botÔes de proveta
badejo-de-areia e garoupa em sobraço de um novo release

alguma sabedoria dos bĂĄlsamos renova o nosso expertise
a inteligĂȘncia dos grunhidos e os abajures de ouvidoria
tapiocas alagoanas, joelhos sob o vento e a prancheta
a laje do salão de dança no balanço do chapéu medusa
entre véu, pombo e lençol,  raspa, concepção imaculada
onde a colheita de Pentecostes repreende o atestado

os mesmos passos vazios que acompanham um caixĂŁo lacrado
retomam o salpicar dos pés na chegada à grande marquise
sem mais o vinco da calça branca ou qualquer bandeira alada
alguma matriz reformada que o sopro de Aelius alivia
no leme invisĂ­vel do mangue que ora se usa e desusa
sargo de beiço aprumado com låbios largos cor violeta

sempre a doce imagem, do cancro ao lĂ­rio e Ă  buceta
moletom mais lycra na ĂĄgua fluvial do abotoado
tanga de cinzas no céu blefado da vinha lusa
mais baunilha, menos tanino, Ă  sombra do porta-valise
lampiĂŁo da noitada vendendo joelhos em disritmia
e a nau feita em cuspe no museu atual da jangada

como esfiapar o pé-de-moleque, forma referendada
invadindo o rastro da festa em algum sacomĂŁ mais careta
embalando na forma adequada e sem qualquer covardia
as novas receitas mineiras com vinagre e pĂŁo recheado
serĂĄ a tua confissĂŁo das letras apenas um seriado em reprise
nos pĂąntanos menos circulados por vaca escovada e intrusa?

Num monte bem verde, o sonho de mais outra vida reclusa
recoberto de lordoses imaginadas da longa e triste remada
e na base do sinal de cĂŁo-bravo, pĂŁo, mel, gim, mazarize