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  1. Obras
  2. Poemas de Braço ao Alto seguidos de Pátria Pranto e d'uma restaurada Reunião de Ruínas
Rodrigo Emílio
Autor
Rodrigo Emílio

Poemas de Braço ao Alto seguidos de Pátria Pranto e d'uma restaurada Reunião de Ruínas

1983
📚

EDITAL DO POETA ÀS PORTAS DA MORTE (PARA AFIXAR EM VOZ ALTA)

É preciso que se saiba por que morro
É preciso que se saiba quem me mata
É preciso que se saiba que, no forro
Desta angústia, é da Pátria tão-somente que se trata.

Se se trata de pedir-Lhe algum socorro,
O Seu socorro vem — a estalos de chibata...
E não ata nem desata o nó-cego deste fogo,
Que tão à queima-roupa me arrebata,

A não ser com a forca a que recorro
— E que é barata...

(É preciso que se saiba por que morro,
Enforcado no nó d’uma gravata!)

Jazigo, deserto, morro,
Baldio ou bairro-da-lata:
Não importa, já, ao certo, saber onde...
Andar à cata de data...

— É preciso que se saiba por que morro,
No meio deste monte de sucata!...

É preciso que se saiba por que morro
— E que és Tu, Pátria ingrata, quem me mata!

PREFA(S)CIO II

De entre todos os motivos
porque sulco os loucos trilhos
de extermínio
em que me abismo,

sobressaem, sempre vivos:

os meus livros,
os meus filhos
e o fascínio
do fascismo.
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