Citações
Citações para inspirar e refletir
Seria uma estatística interessante: quantas pessoas são levadas pelas proibições a violá-las. Quantos delitos são consequência das penas. Seria interessante saber se mais crianças são violadas apesar do limite de idade ou por causa dele.
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Eis como uma mulher apta para a vida celebra sua paz duvidosa com o mundo: renuncia à personalidade e recebe galanterias em troca.
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O beijo de Judas que a cultura cristã deu no espírito humano foi o último ato sexual que ela permitiu.
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Uma mulher que se presta ao amor gozará na velhice as alegrias de uma alcoviteira. Uma natureza frígida apenas alugará quartos.
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Toda conversa sobre sexo é uma atividade sexual. O pai que esclarece o filho — esse ideal do esclarecimento — está envolto por uma aura de incesto.
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Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Pois cada um é o próximo de si mesmo.
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Religião e moralidade. O catolicismo ( kata e holos ) almeja o todo; mas o judaísmo é mosaico.
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Não é costume casar com uma mulher que antes teve um caso. Mas é costume ter um caso com uma mulher que se casou antes.
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A abstinência sempre se vinga. Num produz pústulas; noutro, códigos sexuais.
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A perspicácia da polícia consiste no dom de considerar todas as pessoas capazes de um roubo e na sorte de a inocência de algumas não poder ser provada.
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Eis o triunfo da moralidade: um ladrão que invadiu um quarto afirma que o seu pudor foi ferido e, ameaçando fazer uma acusação de imoralidade, consegue livrar-se da acusação de invasão.
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Foi uma fuga através dos milénios, quando, na mais fria noite de inverno, ela saiu seminua de um baile e correu pelas ruas, entrando nas profundezas do Prater, com criados de mesa, cavalheiros e cocheiros atrás dela... Uma pneumonia e a morte trouxeram-na de volta ao nosso século.
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São tempos difíceis aqueles em que o páthos da sensualidade encolhe até se transformar em galanteria.
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Os conhecimentos da vida erótica são próprios da arte, não da educação. Só às vezes eles precisam ser soletrados para os analfabetos. Importa, sobretudo, persuadir os analfabetos, já que são eles que fazem os códigos penais.
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A moral do pecado tem o propósito de eliminar as causas às quais se pode atribuir a geração de crianças. Ela afirma que o aborto do prazer é inofensivo quando praticado com todas as cautelas da ciência teológica.
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O cristianismo enriqueceu o banquete erótico com o antepasto da curiosidade e o arruinou com a sobremesa do arrependimento.
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O amor como ciência natural! A proibição do prazer continua em vigor, e agora também nos proíbem o romantismo da proibição. Mas imploramos: já que não nos livramos do cristianismo, então que pelo menos ainda tenhamos incenso, música de órgão e escuridão! Assim, a Igreja ainda nos oferece alguma compensação pelo que nos tira.
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Nada é mais caro ao caixeiro do que a sua palavra de honra. Comprando um lote grande, porém, há desconto.
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Ouvi uma mulher a elogiar outra: “Ela tem um quê de feminino”.
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A imoralidade vem à luz e, no entanto, não tem efeito intimidatório. Tanto mais aflitivo é o facto de a moralidade que reina no Estado não ser descoberta e, por isso, não poder ter efeito exemplar. Se vez por outra não a notássemos sob a forma da chantagem, simplesmente não saberíamos que ela existe.
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A humanidade tornou-se histérica na Idade Média por não ter recalcado devidamente as impressões sexuais da sua infância grega.
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A religião, a moral e o patriotismo são sentimentos que só se manifestam quando feridos. Quando se diz de alguém que se ofende facilmente que ele “gosta” de se ofender, tal expressão está correta. Esses sentimentos nada amam tanto quanto serem magoados, e revigoram-se a valer na queixa contra ateus, amoralistas e apátridas. Tirar o chapéu diante do ostensório não é de longe uma satisfação tão grande quanto arrancá-lo da cabeça daqueles que têm outra crença ou que são míopes.
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O ciúme do homem é uma instituição social, a prostituição da mulher é um impulso natural.
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O que não conseguem os costumes sociais! Apenas uma teia de aranha estendida sobre o vulcão, mas ele contém-se.
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A ordem moral do mundo mostrou estar à altura das misteriosas capacidades da mulher de ser prostituída e de se prostituir criando duas formas de vida monogâmicas: a concubina e o rufião.
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A disseminação das doenças sexuais produziu a crença de que o sexo é uma doença.
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Os pensadores gregos contentavam-se com putas. Os caixeiros germânicos não podem viver sem senhoras.
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Nenhuma fronteira seduz mais ao contrabando do que a fronteira representada pelo limite de idade.
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Maldita lei! A maioria dos meus próximos é a triste consequência de um aborto não feito.
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Para o diabo com a tagarelice sobre o esclarecimento sexual dos jovens! Ele ainda é melhor quando ocorre por meio do colega de classe que sublinha a palavra “putativo” no livro de leitura do que por meio do professor que explica o assunto como sendo uma instituição estatal que seria tão importante e tão complicada quanto o pagamento de impostos.
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O rufião é um sustentáculo da mulher. Caso o perca, pode acontecer facilmente que ela decaia.
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A honra é o apêndice do organismo psíquico. Sua função é desconhecida, mas pode provocar inflamações. Nas pessoas inclinadas a se sentirem ofendidas, devemos extirpá-la sem receio.
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Uma prostituição moralmente aceite baseia-se no princípio da monogamia.
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O super-homem é um ideal prematuro que pressupõe o homem.
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Ouvi um alemão ligeiramente bêbado gritar as seguintes palavras atrás de uma rapariga que dobrou a esquina, declamando-as humoristicamente: “Lá vai ela, a vadiazinha!”. Não se pode supor que algum dia se aprove uma lei que permita abater a tiros os alemães que tenham provado com uma só frase a sua completa inutilidade neste planeta.
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Quem exige que Xantipa seja mais desejável do que Alcibía–des é um porco que sempre pensa apenas na diferença sexual.
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As mulheres decentes consideram o maior dos atrevimentos que as apalpemos debaixo de suas consciências.
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A moralidade é aquilo que, sem ser impudico, ofende profundamente o meu pudor.
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Em estilística, falamos de metáfora quando algo “não é usado no sentido próprio”. Assim, as metáforas são as perversões da linguagem, e as perversões, as metáforas do amor.
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O ideal da virgindade é o ideal daqueles que querem desvirginar.
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A única coisa que importa no amor é não parecermos mais bobos do que nos fazem.
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Às vezes, uma mulher é um substituto bastante útil para a masturbação. No entanto, é preciso um excesso de fantasia.
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A mulher não sente as dores que o homem lhe causa. O homem, inclusive essas.
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Basta olhar uma mulher para ser tomado por um profundo desprezo pelos seus amantes. Jamais, porém, eu gostaria de responsabilizá-la por eles.
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Só ama verdadeiramente uma mulher aquele que também estabelece uma relação com os seus amantes. No início, isso causa sempre a maior das preocupações. Mas habitua-se o ser humano a tudo, e chega o tempo em que ficamos ciumentos e não suportamos que um amante seja infiel.
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Se as mulheres que se maquilham são inferiores, então os homens que têm imaginação não valem nada.
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Consta no dicionário que “Afrodite” é a deusa do amor ou uma espécie de verme.
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O “masoquismo” é a incapacidade de ter prazer de outra forma a não ser na dor ou a capacidade de tirar prazer dela?
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