Citações
Citações para inspirar e refletir
O amor-próprio sempre cego ou não vê ou não quer crer, que é a maior cegueira.
38
O amor pesa-se na balança da paciência: padecer menos é amar menos; padecer mais é amar mais.
43
O amor tem a satisfação no coração próprio e não nos olhos alheios.
24
Os livros fazem pensar demasiado. E assim corrompem a nação ao confrontá-la com a sua realidade.
32
Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados
42
Todo o mundo quer que os governantes sejam justos, mas ninguém é justo com os governantes.
30
O tamanho do texto não determina a sua qualidade. Sempre cito o exemplo do Rubem Braga, que raramente passou do tamanho normal de uma coluna e mesmo assim foi um dos nossos maiores escritores.
43
Sábado é aquele dia semiútil, uma espécie de domingo sem muita convicção. Não se pode fazer as coisas que normalmente se faz aos domingos, como nada, mas também não se pode fazer muito, visto que é sábado.
23
O homem é um sistema de contrariedade
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O espelho primeiro foi instrumento do conhecimento próprio, e depois do amor-próprio, que é a raiz de todos os vícios.
36
Com os anos, acabei lendo mais aqueles em relação aos quais não concordo do que aqueles cuja opinião partilho
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Muitas vezes é difícil escrever um aforismo quando se é capaz de o fazer. Muito mais fácil é escrever um aforismo quando não se é capaz de o fazer.
55
Nada se pode tirar de um filósofo.
44
Em Roma, as sucessivas civilizações não vão esmagando as anteriores. As velhas e as novas ajeitam-se e convivem, e tu passas de uma para outra apenas atravessando uma rua — só cuidando para não seres atropelado por uma Fiat 500.
6
Reacionário no meu caso é reação a tudo que não presta
39
O querer parecer muito e intentar subir mais só topará consigo mesmo.
37
Quem em tudo quer parecer maior não é grande.
5
Todos fora felicidade antever: os felizes para a esperança e os infelizes para a cautela.
44
Acho “Sabiá”, música do Tom, letra do Chico, uma das coisas mais bonitas feitas em Portugal em todos os tempos, “coisas”, aí, incluindo a nossa melhor literatura, a nossa melhor pintura, as Bachianas do Villa-Lobos e a Patrícia Pillar. (Cf. Impossível )
21
Contar a piada inventada por uma pessoa engenhosa é o mesmo que apanhar uma seta do chão. A citação não diz como foi disparada.
69
Em 2002, Ronaldo imitou a trajetória clássica do herói mitológico que desce ao inferno e volta para refazer a história. Voltou do abismo para refazer a final de 1998, em França. É o primeiro mortal real a regressar no tempo para corrigir a própria biografia. (Cf. Biografia )
36
Ordinariamente vemos grandes resplendores onde não há luz, e grandes luzes sem nenhum resplendor.
32
Os Rolling Stones levaram a revolução dos Beatles um passo para a frente, pois não eram apenas heróis culturais proletários como os Beatles, eram heróis culturais proletários e feios. Muito mais democráticos e perigosos. (Cf. Beatles )
37
Uma verdade desprovida de arte acerca de um mal é um mal. Ela deve ser valiosa por si mesma. Assim ela reconcilia com o mal e com a dor de que haja males.
54
Um tolo é apenas enfadonho. Um pedante é insuportável.
8
A cegueira do juízo e amor-próprio é muito maior que a cegueira dos olhos.
40
Eu quisera, nos meus antagonistas, se não justiça para comigo, ao menos lógica na ligação entre as suas premissas e as suas conclusões
49
É uma pena que aquele com quem mais se aprende seja de quem mais se divirja
44
Muitos neste mundo alcançam os cargos só pelo merecimento do seu vestido.
25
O samba de desfile está cada vez mais rápido e marcial. O que tem os seus riscos: qualquer dia uma escola não consegue parar na dispersão e invade a Argentina, com graves repercussões diplomáticas.
35
Há bondades tão benignas que é mais fácil nelas a contrição que nos que as ofenderam o arrependimento.
32
Ficar triste da vida por haver encontrado no seu trabalho um erro que ninguém vê; apenas se tranquilizar depois de encontrar um segundo, pois então a mancha na honra é coberta pelo conhecimento da imperfeição dos esforços humanos: parece-me que é esse talento para a tortura o que distingue a arte do artesanato. Cabeças rasas poderiam tomar esse traço por pedantismo, mas elas não suspeitam de que liberdade nasceu essa coerção e a que facilidade de produção conduzem semelhantes dificuldades infligidas a si próprio. Nada seria mais tolo do que falar de niquice formal onde a forma não é a roupagem do pensamento, mas a sua carne. Essa caçada às últimas possibilidades de expressão conduz até às entranhas da linguagem. É aí que se cria esse entrelaçamento no qual os limites entre o que e como não são mais distinguíveis, e no qual, frequentemente, a expressão antecede o pensamento até ao instante em que ele dá a sua centelha sob a lima. Os diletantes trabalham seguros e vivem satisfeitos. Por causa de uma palavra recusada pela balança de precisão da minha sensibilidade estilística, muitas vezes já detive a máquina de impressão e mandei destruir o que tinha sido impresso. A máquina violenta o espírito em vez de o servir: assim pretende mostrar quem manda. Quando é que acabo, visto que a publicação por fim não pode mais ser impedida e não traz a ansiada cesura da criação? Ah, eu só termino um trabalho quando começo outro; esse é o tempo que dura a minha “correção de autor”. Esse também é o tempo que dura a louvável loucura de acreditar que o leitor notará a ausência de um pensamento que nasceu depois da hora. E comparada a uma escrita que se arrepende de maneira tão sanguinolenta das suas imperfeições, esse leitor considera que a sua faculdade de ler, deturpada pelo jornalismo, é perfeita. Por alguns vinténs, ele comprou um direito à superficialidade: será que ficaria satisfeito se tivesse de se lançar ao trabalho? Talvez as coisas estivessem melhores se os escritores alemães aplicassem aos seus manuscritos a décima parte do cuidado que dedico aos meus textos depois de impressos. Um amigo que me socorre com frequência fazendo as vezes de parteira, ficou admirado com a facilidade dos meus partos e a dificuldade do meu puerpério. Para os outros as coisas vão bem. Eles trabalham à escrivaninha e divertem-se na sociedade. Eu divirto-me à escrivaninha e trabalho na sociedade. Por isso evito a sociedade. No máximo, eu poderia perguntar às pessoas se esta ou aquela palavra lhes agrada mais. E isso elas não sabem.
45
Os homens são mais bem governados pelos seus vícios que pelas suas virtudes.
37
Se um homem está verdadeiramente arrependido, se conhece verdadeira e profundamente as suas culpas, nunca ninguém dirá dele tanto mal que ele se não julgue por muito pior.
29
Apesar de nos irritarmos por vezes com os media, estes são essenciais. São essenciais porque impedem o grande erro
35
Melhor será arrepender agora que quando o mal passado não tenha remédio.
43
Estou sempre disposto a publicar aquilo que contei a um amigo sob o selo do mais profundo sigilo. Mas ele não o deve espalhar.
52
Do próximo que se apresentar como nosso salvador, exigiremos prova de mãe virgem e, no mínimo, três milagres — em cartório!
12
A credulidade a respeito dos OVNIs nutre-se da desconfiança difundida contra o governo, que nasce muito naturalmente de todas aquelas circunstâncias em que – na tensão entre o bem-estar público e a “segurança nacional” – o governo mente
39
Um bom autor sempre receará que o público perceba quais foram os pensamentos que lhe ocorreram tarde demais. Mas quanto a isso, o público é muito mais indulgente do que se acredita, e também não percebe os pensamentos que aí estão.
77
O ateu é melhor súdito que o fanático: um obedece, o outro mata.
32
Uma pessoa só é totalmente livre quando pode usar sal à vontade. (Cf. Artérias )
32
O soberano deve perdoar as faltas e jamais esquecê-las.
33
Para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário entender por dentro.
35
O povo pobre não precisa mais de formador de opinião. Nós somos a opinião pública. ex-presidente da República, a criticar a imprensa, em setembro de 2010
48
É coisa tão dificultosa acomodar-se a trabalhar para viver, quem está costumado a outra vida, que esta mesma dificuldade é a que inventou a arte e artes de furtar.
38
O melhor começo de filme de todos, para mim, é o de Yojimbo (ou é o outro, chamado, se não me falham os neurónios, Sanjuro?). O samurai do Kurosawa vem por uma estrada e chega a uma encruzilhada. Não sabe que caminho escolher. Nisto, por um dos caminhos, surge um cão com alguma coisa na boca. Quando chega perto vê-se o que ele tem na boca: é uma mão decepada. O samurai não hesita. Segue pelo caminho de onde veio o cão, sabendo que no fim daquela estrada encontrará emprego.
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O mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos. Diz para todos, porque todos ouvem, mas não ensina a todos, porque uns aprendem, outros não.
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