Citações
Citações para inspirar e refletir
Se eu tivesse sabido [na juventude], tão claramente como sei hoje em dia, quantas coisas excelentes têm existido por séculos e milênios, eu jamais teria escrito uma única linha [de poesia], e teria me dedicado a algo bem diverso na vida.
A gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.
Não é verdade que não se pode viver sem uma mulher. Apenas não se pode ter vivido sem uma.
De noite os girassóis olham para o chão.
As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho.
Embora julguemos governar nossas palavras e recomendemos “falar como falam as pessoas comuns, pensar como pensam os sábios”, na verdade é certo que as palavras, como o bumerangue de um tártaro, de fato retornam e se voltam contra o entendimento dos mais sábios, dificultando e pervertendo o discernimento.
Algumas vezes uma expressão tem de ser retirada da linguagem e submetida a um processo de limpeza — só então ela pode ser recolocada em circulação.
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.
A segunda melhor coisa que você pode fazer no escuro é ver um filme. A primeira é ver um grande filme.
Esse tic-tac dos relógios é a máquina de costura do Tempo a fabricar mortalhas.
A coisa mais solitária que existe é um solo de flauta.
Livre de verdade é quem é livre da fome, da miséria, da injustiça, da liberdade predatória dos outros. (Cf. Escrúpulo)
Os privilégios hereditários da nobreza tiram o estímulo dos nobres e burgueses.
Bem que eu desejaria entender tanto de poesia como certos críticos, mas aí, então, não conseguiria fazer um único verso...
Como pode alguém tornar-se um pensador sem passar pelo menos um terço do dia sem paixões, pessoas e livros?
A mulher não sente as dores que o homem lhe causa. O homem, inclusive essas.
A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
Em negócios de Estado, recorrer aos estrangeiros é um ato criminoso.
É tudo o que você diz com o olhar parado — a não ser que você esteja dando um pum.
O homem menos livre é o homem de partido.
As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve.
Passar dois dias em Florença é um pouco como entrar no Louvre só para usar o banheiro. (Cf. Louvre)
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
O homem canalizou a torrente selvagem da sensualidade feminina. Agora ela não inunda mais a terra. Mas também não a fertiliza mais.
O fogo era, de certa forma, a televisão da pré-história — com uma programação muito melhor.
Os franceses se declaram desolê por qualquer coisa. Você os deixa desolados, desconsolados, arrasados com o menor pedido que não podem atender, ou com a menor demonstração de decepção ou descontentamento. É uma declaração tão forte de contrição e empatia que, mesmo automática e distraída, deixa você sem ação. O que mais você pode pedir de quem está pensando no suicídio por sua causa? Desolê absolve tudo.
Onde os antigos homens colocavam uma palavra, acreditavam ter feito uma descoberta. Como é diferente a verdade! — eles haviam tocado num problema e, supondo que o tinham solucionado, haviam criado um obstáculo para a solução. — Agora, a cada porção de conhecimento com que nos deparamos temos de tropeçar em palavras mortas e petrificadas, e é mais fácil quebrarmos uma perna do que uma palavra.
Ah! esses vizinhos habilidosos que estão sempre consertando coisas, martelando coisas, nas horas mais insólitas, enquanto eu me acho entregue apenas a este silencioso vício: a leitura.
Jamais haverá revolução social sem terror.
Tenho experimentado uma nova água de colônia máscula chamada “Lenhador”. Não dá muito resultado com mulheres, mas não posso andar no mato sem ser seguido por uma fila de castores.
Um partido político sustentado por baionetas estrangeiras está fadado à derrota.
Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.
Na França, a liberdade está na constituição, e a escravidão está na lei.
Com a adição de mais um dia nos anos bissextos — esse indesejado 29 de fevereiro — a gente sempre desconfia que na verdade foi vítima de uma subtração.
A vida me ensinou uma coisa importante: nunca acredite quando alguém diz “você pode falar com toda a franqueza”.
A moralidade é aquilo que, sem ser impudico, ofende profundamente o meu pudor.
É necessário mais espírito para prescindir de uma palavra do que para empregá-la.
Uma teologia que insiste no uso de determinadas palavras e frases, ao passo que proíbe outras, em nada torna as coisas mais claras. [...] Ela gesticula com palavras, como se poderia dizer, porque deseja dizer algo e não sabe como expressá-lo. A prática dá às palavras o seu significado.
Os criadores de normas inverteram a relação entre os sexos: eles espartilharam o sexo da mulher com a convenção e deixaram livre o do homem. Assim, a graça e o espírito secaram. Ainda há sensualidade no mundo; mas ela não é mais o desenvolvimento triunfante de uma essência, e sim a deplorável degeneração de uma função.
A verdadeira couve-flor é a hortência.
— Manuela é nome de mulher de sapo — sentencia Lili. E não adianta perguntar por quê. — Todo o mundo sabe...
As únicas contribuições da Suíça à civilização foram Calvino e o fondue de queijo. (Cf. Suíça)
Esse olhar sonhador com que as mulheres saem do cinema onde a heroína do filme sofreu uma curra.
Numa peça teatral ou romance, uma palavra imprópria é apenas uma palavra: e a impropriedade, seja ou não percebida, não acarreta conseqüência alguma. Num código legal — especialmente composto de leis tidas como constitucionais e fundamentais — uma palavra imprópria pode ser uma calamidade nacional: e a guerra civil, a conseqüência disso. De uma palavra tola podem irromper mil punhais.
Quem nunca trocou uma fralda com cocô será sempre um pai incompleto e um descompromissado com a família e com o, por assim dizer, barro do mundo. E, principalmente, jamais poderá apelar para a suprema chantagem sentimental, quando se sentir desafiado por um filho: “Eu limpei o teu cocô, animal!”.
Quando a natureza quer estar a salvo de perseguições, trata de se refugiar na imundície.
A sensação póstuma com que folheamos essas revistas atrasadas na sala de espera dos consultórios médicos.
Eu não acredito em reencarnação. Mas, por via das dúvidas, depois que eu me for, não pisem em nenhuma formiga que lhes parecer familiar.