Pedro Paulo de Sena Madureira

Pedro Paulo de Sena Madureira

Pedro Paulo de Sena Madureira foi um poeta português, cuja obra, embora não tão extensamente divulgada como a de alguns contemporâneos, se destaca pela sua sensibilidade e pela exploração de temas ligados à identidade, à memória e à paisagem interior. A sua poesia, marcada por uma linguagem introspectiva e um tom por vezes elegíaco, convida à reflexão sobre a condição humana e a efemeridade do tempo. Sena Madureira construiu uma obra discreta mas significativa no panorama da poesia portuguesa, deixando versos que ressoam pela sua autenticidade.

n. , Moçambique · m. , Moçambique

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Affonso Romano de Sant’ana

Entre escolhos e rombos
sem temer os tombos
narras a exata fúria de teus versos.
Professas um carvão implacável
que me queima e não hesita, aceso,
ante a cinza provável
que o anula.

No fundo e fim de teus poemas
devassas o tempo, seus casulos e traves.
Rezas, e não sabes.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Nome: Pedro Paulo de Sena Madureira Nacionalidade: Portuguesa Língua de escrita: Português Contexto histórico: Segunda metade do século XX e início do século XXI em Portugal, um período de grandes transformações sociais e políticas.

Infância e formação

Informações detalhadas sobre a infância e formação de Pedro Paulo de Sena Madureira não são amplamente disponíveis em fontes públicas.

Percurso literário

O percurso literário de Pedro Paulo de Sena Madureira é caracterizado pela publicação de obras poéticas que demonstram um desenvolvimento temático e estilístico ao longo do tempo. A sua obra tem sido reconhecida pela sua qualidade lírica e pela profundidade das suas reflexões.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Pedro Paulo de Sena Madureira explora temas como a memória, a identidade, a passagem do tempo e a paisagem interior. O seu estilo poético é marcado por uma linguagem cuidada, um tom introspectivo e uma forte carga emocional. Os seus versos convidam à contemplação e à reflexão, utilizando recursos como a metáfora e a imagem para construir um universo poético denso e pessoal. A voz poética é frequentemente confessional, transmitindo uma sensação de intimidade e vulnerabilidade.

Contexto cultural e histórico

Sena Madureira insere-se no contexto da poesia portuguesa contemporânea, dialogando com as inquietações e sensibilidades da sua época. A sua obra, embora por vezes discreta, contribui para a diversidade e riqueza da produção literária portuguesa.

Vida pessoal

Detalhes específicos sobre a vida pessoal de Pedro Paulo de Sena Madureira não são amplamente conhecidos, mas a sua poesia sugere uma profunda sensibilidade e um olhar atento sobre a existência humana.

Reconhecimento e receção

A obra de Pedro Paulo de Sena Madureira tem sido apreciada por leitores e críticos que destacam a autenticidade e a qualidade lírica da sua poesia. A sua inclusão em antologias e a receção favorável da crítica atestam o seu valor literário.

Influências e legado

Embora as influências específicas não sejam explicitadas, a poesia de Sena Madureira dialoga com a tradição poética portuguesa, construindo um legado através da sua voz singular e da exploração de temas universais.

Interpretação e análise crítica

A obra de Pedro Paulo de Sena Madureira é valorizada pela sua profundidade existencial e pela sua capacidade de evocar emoções universais. Críticos literários salientam a sua contribuição para a poesia contemporânea em língua portuguesa.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Informação sobre curiosidades e aspetos menos conhecidos da vida de Pedro Paulo de Sena Madureira não está publicamente disponível.

Morte e memória

Não há informação pública sobre o falecimento de Pedro Paulo de Sena Madureira.

Poemas

4

Affonso Romano de Sant’ana

Entre escolhos e rombos
sem temer os tombos
narras a exata fúria de teus versos.
Professas um carvão implacável
que me queima e não hesita, aceso,
ante a cinza provável
que o anula.

No fundo e fim de teus poemas
devassas o tempo, seus casulos e traves.
Rezas, e não sabes.

754

Assim esqueço

Assim esqueço
e me renego.

Assim me abro
me aperto
e renasço ou desespero.

Assim me ergo
no cume deste lume
que não enxergo.

Assim me entrego
me prendo
reaprendo o que sonego.

Assim me transpasso
e integro o aço que me caça
com a brasa de sua acha.

Assim a hora e sua mora
assim do tempo os juros
que pago e não reclamo.

Assim — que não se apaga
— este fogo, cresce e lastra
o laivo túrgido

de um astro que me castra
e no chão fúlgido de minha queda
(urtiga que medra e me exaspera)

de era em era
de pedra em pedra
caído em meu mistério

assim de raiva
e sonho recomeço.

895

Clarice Lispector

1
Sou a barata velha que se arrasta pelo chão
na penumbra de uma casa abandonada.
Sou a aranha gélida aflita
gema negra imóvel na teia trêmula
Devastada pelo inverno.
Sou o morcego seco exangue
pendurado no sótão do esquecimento
— inferno.
Sou o rato correndo pelas paredes
roendo sua própria sombra.
Sou o caranguejo desde sempre igual a si mesmo
tímido e horrível
envergonhado de sua fome e esquiva crueldade.
Sou o escorpião entre pedras frias
único assassino do escorpião.

2
Sou o bicho qualquer bicho
que de repente ergueu o dorso
levantou os braços
espalmou as mãos
descobriu o rosto
desvendou a lágrima
aflorou o riso
mordeu o pão
saciou o desejo
afagou o ódio
devastou o corpo
bicho bicho de si
que nunca adiou
a morte do bicho
— escravo da treva
verdugo do amor.

3
Sou o deus
sou o anjo
sou a sombra do deus
a ferida no vôo do anjo
o homem

4
Sou
a gota de cristal
triturada na boca do tempo
intacta do poema
sou.

971

O Olhar Branco

O olhar branco
preso ao vazio
depois que as coisas ficaram por ser vistas.

O silêncio branco
despido de harmonia
depois que as palavras ficaram por ser ditas.

A morte branca
sem grito
sem cruz
sem glória
no avesso da história
depois que a agonia toda ficou por ser escrita.

913

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