Pedro Homem de Mello

Pedro Homem de Mello

1904–1984 · viveu 79 anos PT PT

Pedro Homem de Mello foi um poeta, jurista e político português, conhecido por sua obra lírica marcada pela tradição e pela temática amorosa e patriótica. Sua poesia, frequentemente associada à Nova Poesia Portuguesa, distingue-se pela musicalidade, pelo rigor formal e por uma linguagem elegante. Além de sua produção literária, teve uma carreira proeminente no direito e na política, deixando um legado multifacetado na cultura e na vida pública de Portugal.

n. 1904-09-06, Porto · m. 1984-03-05, Porto

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Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

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Biografia

Identificação e contexto básico

Pedro Homem de Mello foi um poeta, jurista e político português. Pseudônimo: "O Pescador de Estrelas". Nascido no seio de uma família com tradição, exerceu as profissões de advogado e professor universitário, além de ter tido uma carreira política relevante.

Infância e formação

Originário de uma família de posses e com ligações à vida intelectual e política, Pedro Homem de Mello recebeu uma educação privilegiada que fomentou seu interesse pelas artes e pelas humanidades. Formou-se em Direito, mas sempre manteve um forte vínculo com a poesia e a literatura.

Percurso literário

O percurso literário de Pedro Homem de Mello começou a ganhar destaque com a publicação de seus poemas, que rapidamente o associaram ao movimento da Nova Poesia Portuguesa. Sua obra evoluiu mantendo um diálogo com a tradição, mas incorporando sensibilidades modernas. Foi também ativo na divulgação cultural, participando de tertúlias e eventos literários.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias As obras de Pedro Homem de Mello exploram temas como o amor, a pátria, a espiritualidade e a saudade, com uma forte inclinação para o lirismo e a celebração da tradição. Sua poesia é conhecida pela musicalidade, pelo uso de formas tradicionais como o soneto, e por uma linguagem cuidada e elegante. O tom predominante é o lírico e o elegíaco, com uma voz poética que busca expressar sentimentos universais através de uma expressão pessoal. A influência do saudosismo e do lirismo tradicional português é notória em seu estilo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Pedro Homem de Mello viveu e produziu durante um período significativo da história portuguesa, marcado por transformações políticas e sociais. Sua obra poética, embora muitas vezes centrada em temas mais intemporais, reflete um certo espírito da época, especialmente em sua vertente patriótica. Como figura pública, esteve inserido nos debates culturais e políticos de seu tempo, mantendo relações com outros escritores e intelectuais.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Homem de Mello dedicou-se a múltiplas facetas da vida pública e intelectual. Sua carreira jurídica e política coexistiu com sua paixão pela poesia. Relações pessoais e familiares, bem como amizades no meio literário, moldaram sua trajetória e possivelmente inspiraram alguns de seus versos. A sua formação e vivências contribuíram para uma visão de mundo que se reflete na sua obra.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Pedro Homem de Mello foi um poeta reconhecido em sua época, associado a um movimento literário importante. Sua poesia, apreciada pela sua qualidade formal e temática, garantiu-lhe um lugar na literatura portuguesa. O reconhecimento advém tanto de seu mérito poético quanto de sua atuação pública e jurídica.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Na sua obra, é possível identificar influências de poetas portugueses que valorizaram a forma e o lirismo, como Camões e outros mestres da poesia tradicional. Seu legado reside na contribuição para a poesia lírica portuguesa do século XX, mantendo viva a chama da tradição formal e temática, ao mesmo tempo que dialogava com as sensibilidades de seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Homem de Mello tem sido analisada sob a ótica da sua aderência à tradição lírica portuguesa e da sua temática recorrente, como o amor idealizado e a exaltação da pátria. A crítica destaca a musicalidade e a perfeição formal dos seus versos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Um aspeto curioso de sua biografia é a dualidade entre a vida pública como jurista e político e a sua alma de poeta, demonstrando a amplitude de seus interesses e talentos. A alcunha "O Pescador de Estrelas" sugere uma busca por algo sublime e inatingível em sua atividade poética.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória As circunstâncias da morte de Pedro Homem de Mello e a existência de publicações póstumas, embora não sejam o foco principal de sua biografia pública, fazem parte da memória de um intelectual e artista que marcou a cultura portuguesa.

Poemas

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Povo que lavas no rio

Povo que lavas no rio
Que talhas com teu machado
As tábuas do meu caixão
Há-de haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não

Fui ter à mesa redonda
Beber em malga que esconda
Um beijo de mão em mão
Era o vinho que me deste
Água pura em fruto agreste
Mas a tua vida não

Aromas de urze e de lama
Dormi com eles na cama
Tive a mesma condição
Povo, povo eu te pertenço
Deste-me alturas de incenso
Mas a tua vida não

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Obrigado

Por teu sorriso anônimo, discreto,
(O meu país é um reino sossegado...)

Pela ausência da carne em teu afeto,
Obrigado!

Pelo perdão que o teu olhar resume,
Por tua formosura sem pecado,
Por teu amor sem ódio e sem ciúme,
Obrigado!

Por no jardim da noite, a horas más,
A tua aparição não ter faltado,
Pelo teu braço de silêncio e paz,
Obrigado!

Por não passar um dia em que eu não diga
— Existo, sem futuro e sem passado.
Por toda a sonolência que me abriga...
Obrigado!

E tu, que hoje és meu íntimo contraste,
Ó mão que beijo por me haver cegado!
Ai! Pelo sonho intato que salvaste,
Obrigado! Obrigado! Obrigado!

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Poema

Noite. Fundura. A treva
E mais doce talvez...
E uma ânsia de nudez
Sacode os filhos de Eva.

Não a nudez apenas
Dos corpos sofredores
Mas a das almas plenas
De indecisos amores.

A voz do sangue grita
E a das almas responde!
Labareda infinita
Que nas sombras se esconde.

Mas quase sem ruído,
Na carne ao abandono
O hálito do sono
Desce como um vestido...

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Revelação

Tinha quarenta e cinco... e eu, dezesseis...
Na minha fronte, indômitos anéis
Vinham da infância, saltitando ainda.

Contavam dela: — Já falou a reis!
Tinha quarenta e cinco... e eu, dezesseis...
Formosa? Não. Mais que formosa: linda.

Seu olhar diz: Seja o que o Amor quiser
A verdade planta que os meus dedos tomem!

Pela última vez foste mulher...
E eu, pela vez primeira, fui um homem!

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