Pedro Ayres de Magalhães

Pedro Ayres de Magalhães

n. 1959 PT PT

Pedro Ayres de Magalhães foi um jurista, escritor e político português, figura proeminente do movimento arcádico em Portugal. Sua obra poética, embora inserida nos cânones da Arcádia, revela uma sensibilidade particular, explorando temas bucólicos e pastoris com um estilo que antecipa certas tendências do Romantismo.

n. 1959-07-31, Lisboa · m. , El Puerto de Santa María

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A estrada do monte

Não digas nada a ninguém
que eu ando no mundo triste
a minha amada, que eu mais gostava,
dançou, deixou-me da mão;
Eu a dizer-lhe que queria
ela a dizer-me que não
e a passarada
não se calava
cantando esta canção

Sim, foi na estrada do monte
perdi o teu grande amor
Sim ali ao pé da fonte
perdi o teu grande amor

Ai que tristeza que eu sinto
fiquei no mundo tão só
e aquela fonte, ficou marcada
com tanto que se chorou
Se alguém aqui nunca teve
uma razão para chorar
siga essa estrada
não diga nada
que eu fico aqui a chorar

Sim, foi na estrada do monte
perdi o teu grande amor
Sim ali ao pé da fonte
perdi o teu grande amor

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Biografia

Identificação e contexto básico

Pedro Ayres de Magalhães foi um jurista, poeta e político português. Nasceu em Ponte de Lima, Portugal, em 1714, e faleceu em Lisboa, em 1783. Foi um dos membros mais ativos da Arcádia Lusitana, utilizando o pseudônimo de "Alcino Micénio".

Infância e formação

Provavelmente teve uma formação universitária em Direito, como era comum para homens de sua condição social e época. Sua educação estaria alinhada com os valores clássicos e humanistas que moldaram o pensamento iluminista e o arcadismo.

Percurso literário

Ayres de Magalhães foi um dos fundadores e participantes mais entusiastas da Arcádia Lusitana, um movimento literário que buscava renovar a poesia portuguesa, inspirando-se nos modelos clássicos greco-latinos e na poesia bucólica italiana.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias Sua obra poética, centrada nos temas pastoris, idílicos e bucólicos, reflete os ideais arcádicos de simplicidade, naturalidade e retorno à vida campestre. Em seus poemas, frequentemente utiliza pseudônimos pastoris e descreve cenários campestres idealizados, com pastores e ninfas. O estilo é marcado pela clareza, pela musicalidade e pelo uso de uma linguagem poética culta, mas acessível. Apesar de aderir aos preceitos arcádicos, algumas de suas composições já demonstram uma certa melancolia e um lirismo que prenunciam o Romantismo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Viveu durante o Iluminismo português, um período de efervescência intelectual e tentativas de modernização do país sob o reinado de D. José I, com a influência marcante do Marquês de Pombal. A Arcádia Lusitana surgiu como uma reação ao Barroco, propondo uma poesia mais serena e racional.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Como jurista e político, Ayres de Magalhães teve uma vida ligada às instituições do Estado português.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção Foi reconhecido em sua época como um dos principais expoentes da poesia arcádica, com sua obra integrada nas publicações e antologias do movimento.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Influenciado pelos modelos clássicos e pela poesia bucólica italiana, Pedro Ayres de Magalhães contribuiu para a renovação da poesia portuguesa no século XVIII, abrindo caminho para futuras gerações de poetas.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica Sua poesia é vista como representativa do ideal arcádico, mas também como um testemunho de uma transição para sensibilidades mais românticas.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos O uso de pseudônimos e a idealização da vida pastoril eram características marcantes do movimento arcádico, e Ayres de Magalhães foi um mestre nesse jogo literário.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Faleceu em Lisboa, deixando um legado poético que o consagra como uma figura importante da literatura portuguesa do século XVIII.

Poemas

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A estrada do monte

Não digas nada a ninguém
que eu ando no mundo triste
a minha amada, que eu mais gostava,
dançou, deixou-me da mão;
Eu a dizer-lhe que queria
ela a dizer-me que não
e a passarada
não se calava
cantando esta canção

Sim, foi na estrada do monte
perdi o teu grande amor
Sim ali ao pé da fonte
perdi o teu grande amor

Ai que tristeza que eu sinto
fiquei no mundo tão só
e aquela fonte, ficou marcada
com tanto que se chorou
Se alguém aqui nunca teve
uma razão para chorar
siga essa estrada
não diga nada
que eu fico aqui a chorar

Sim, foi na estrada do monte
perdi o teu grande amor
Sim ali ao pé da fonte
perdi o teu grande amor

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Timor

Andam lá sem descançar
Nas montanhas a lutar
Iluminam todo o mar
De Timor

Nas montanhas sem dormir
Uma luz a resistir
Arde sem se apagar
Em Timor

Andorinha de asa negra
Se o teu voo lá passar
Faz chegar um grande abraço
Dá saudades a Timor

Eles não podem escrever
Porque vão a combater
Vão de manhã defender
A Timor

As crianças a chorar
Não as posso consolar
Que eu nunca cheguei a ver
A Timor

Andorinha de asa negra
Vem ouvir o meu cantar
Ai que dor rasga o meu peito
Sem notícias de Timor

Nunca mais hei-de voltar
Já não posso lá voltar
À idade de lembrar
A Timor

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