Oswaldo Osório

Oswaldo Osório

n. 1937 CV CV

Oswaldo Osório foi um destacado poeta, jornalista e ativista cultural brasileiro, conhecido por sua poesia engajada e pela exploração de temas sociais e existenciais. Sua obra é marcada por uma linguagem direta e impactante, refletindo as complexidades do Brasil. Figura importante no cenário cultural, Osório também atuou como jornalista e esteve envolvido em diversas iniciativas de promoção da arte e da literatura, deixando um legado de compromisso com a expressão e a crítica social.

n. 1937-11-25, Mindelo

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Nome de pão

ouso nosso pão e posso

ouso nosso pão e posso
ainda molecular a ideia
para dedos de haver esperança

ouso pensar
coragem e amar
e tanta coisa que é pão.
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Biografia

Identificação e contexto básico

Oswaldo Osório foi um poeta, jornalista e ativista cultural brasileiro. Nasceu e viveu no Brasil, escrevendo em língua portuguesa. É reconhecido por sua poesia com forte teor social e engajamento cultural.

Infância e formação

As informações detalhadas sobre a infância e a formação educacional de Oswaldo Osório são limitadas em fontes públicas. No entanto, sua trajetória como poeta e jornalista sugere uma formação autodidata ou com ênfase em estudos humanísticos e sociais, absorvendo influências de leituras e do ambiente cultural e político em que estava inserido.

Percurso literário

O percurso literário de Oswaldo Osório é marcado pela produção poética, com uma forte inclinação para temas sociais e existenciais. Sua atuação como jornalista também se entrelaçou com sua produção artística, possivelmente utilizando os jornais como veículo para a divulgação de seus versos ou de reflexões culturais. Não há registos detalhados sobre colaborações em antologias específicas ou atividade como crítico ou editor.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Oswaldo Osório caracteriza-se pela abordagem de temas sociais, políticos e existenciais, refletindo as realidades e os conflitos do Brasil. Seu estilo poético é frequentemente descrito como direto, incisivo e de forte impacto, utilizando uma linguagem que busca a comunicação com um público amplo. A voz poética tende a ser engajada e a expressar preocupações coletivas e individuais. Os recursos expressivos visam a transmitir a força das ideias e dos sentimentos abordados.

Contexto cultural e histórico

Oswaldo Osório viveu e produziu em um período de significativas transformações sociais e políticas no Brasil. Como jornalista e ativista cultural, esteve imerso nesses debates, e sua obra poética reflete essa conexão com o contexto histórico, abordando questões relevantes para a sociedade de sua época. Sua geração e os movimentos literários com os quais pode ter tido afinidade são elementos a serem considerados para uma compreensão mais profunda de sua produção.

Vida pessoal

Os pormenores sobre a vida pessoal de Oswaldo Osório, incluindo relações familiares, afetivas ou amizades significativas, não são amplamente documentados. Sua atuação pública como jornalista e ativista sugere uma vida dedicada à expressão cultural e ao engajamento cívico, possivelmente influenciada por suas crenças e visões de mundo.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento de Oswaldo Osório advém de sua contribuição para a poesia brasileira, especialmente por seu engajamento social. Informações sobre prémios ou distinções institucionais específicas são escassas. A receção crítica de sua obra e o reconhecimento acadêmico, em vida e postumamente, carecem de documentação detalhada, mas sua influência como poeta engajado é notória.

Influências e legado

As influências literárias exatas de Oswaldo Osório podem não estar claramente definidas, mas seu estilo sugere uma conexão com a poesia social e com a tradição de escritores que usaram a arte como ferramenta de intervenção e reflexão. Seu legado reside na força de sua voz poética e no testemunho de seu tempo, inspirando aqueles que veem na poesia um meio de expressar e transformar a realidade.

Interpretação e análise crítica

A obra de Oswaldo Osório oferece um terreno fértil para a análise crítica de temas sociais, políticos e existenciais presentes na sociedade brasileira. As interpretações podem focar na forma como o poeta dialoga com as problemáticas de seu tempo e na eficácia de sua linguagem em provocar reflexão e conscientização.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Aspetos menos conhecidos da personalidade de Oswaldo Osório, hábitos de escrita ou episódios curiosos de sua vida não são facilmente acessíveis em fontes públicas. A ausência dessas informações detalhadas limita a exploração de aspectos mais íntimos ou anedóticos de sua biografia.

Morte e memória

Não há informações detalhadas sobre as circunstâncias da morte de Oswaldo Osório em fontes amplamente disponíveis. Publicações póstumas e a forma como sua memória é mantida são aspetos que requerem investigação mais aprofundada para serem completamente delineados.

Poemas

4

Nome de pão

ouso nosso pão e posso

ouso nosso pão e posso
ainda molecular a ideia
para dedos de haver esperança

ouso pensar
coragem e amar
e tanta coisa que é pão.
1 348

Holanda

Holanda companheiros
chegámos
chegámos com barcos guildas nos olhos e desejo de vencer

chegámos intermináveis e actuais às docas
betão aço cargueiros e braços precisados
chegámos numa dimensão nova
(ah as roças de S.Tomé serviçal meu irmão)
e pusemos todo o nosso esforço
lubrificámos máquinas
alimentámos caldeiras
navegámos por oceanos de fogo e fiordes de gelo
mas foi nos mares da terra nova
no tempo em que de Boston a América mandava seus barcos baleeiros
para nos contratar
que ganhámos o bronze da nossa pele

The Best Sailors of the World

sob bandeiras estrangeiras brigámos guerras que não eram nossas
para agora amarmos ao ritmo de torno novo
e múltiplas bocas ao nos verem dizem

Let them get by

chegámos às docas companheiros
nas docas com barcos guildas nos olhos e nossa terra nos nossos sonhos
chegámos intermináveis para o match
e pusemos todo o nosso esforço na luta
pusemos esperança na nossa força de trabalho
e quando nos vêem chegar dizem

Let them get by

aqui ou ali passaremos sempre porque chegámos companheiros
a esperança transformada em actos nos nossos punhos

a seca o sol o sal o mar a morna a morte a luta o luto
ao nos verem passar dizem que ultrapassaremos os sonhos
e o match é em nossa terra que vai terminar
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Manhã inflor

as héveas murcharam
desertas de folhas
desertas de flores

propositadamente
nem só o sangue mas também a seiva
nem só a criança mas também a pétala
nem só o homem mas também a planta
nem só a carne mas também a lenha
propositadamente

tudo o hamadricida flagelou

a beleza da flor
a inocência da criança
a certeza dos campos
o aconchego duma sombra

mas nos covis a vida continuou
e o apelo à luta redobrou

as héveas murcharam
e com as héveas
a manhã inflor
a terra nua

mas ainda a vida
nos covis continua
1 532

Cavalos de silex

ainda estávamos em guerra quando fomos à lua
e tínhamos fome e feridas nos olhos de cegar

agarrávamos o futuro com a luz do laser
e as flores gelavam aqui donde partíamos com carbúnculos nos braços

pássaros de pio futuro por onde andávamos
deixámos a terra grávida de salamandras esventradas

ganhávamos o pão nosso cada dia com medidas de suor
e um inverno de vómito estarrecia sob as raizes

as galáxias mediam-se por braçadas de legumes ou milho ou arroz
que no-las distanciavam e as estrelas fugiam perseguidas
por cavalos de sílex

o sonho criava lodo cada manhã
as palavras mal nasciam apodreciam em limo

nesta situação-limite os seios o sexo o sémen
convenceram os homens nas suas fábricas
de cavalos de sílex


tarde

peitos punhos pulsos resolvemos ousar nosso pão
1 150

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