Orlando Neves

Orlando Neves

1935–2005 · viveu 69 anos PT PT

Orlando Neves foi um poeta português, cuja obra se distingue pela sua profundidade lírica e pela exploração de temas universais como o amor, a morte e o tempo. A sua poesia, muitas vezes marcada por uma linguagem cuidada e uma forte musicalidade, reflete uma sensibilidade apurada face às complexidades da existência humana. Ao longo da sua carreira, Neves explorou diversas formas poéticas, demonstrando um domínio notável da arte do verso. A sua contribuição para a poesia portuguesa reside na capacidade de evocar emoções intensas e de convidar à reflexão sobre a condição humana, deixando um legado de versos que continuam a ressoar com os leitores.

n. 1935-09-11, Portalegre · m. 2005-01-24, Senhora da Hora

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1935

Vou alimentar-te à mão, ternura,
até que morras negada
pelos fantasmas que são, vivas,
as pessoas. Vou alimentar-te
como a um animal feroz
que guardo, amo e temo.
Vou alimentar-te de mim,
ternura.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Orlando Neves foi um poeta português. A sua nacionalidade é portuguesa e escreveu em língua portuguesa.

Infância e formação

Ainda não há informações detalhadas disponíveis sobre a sua infância e formação.

Percurso literário

O percurso literário de Orlando Neves, embora necessitando de mais detalhe, insere-se no panorama da poesia portuguesa. A sua obra revela um trabalho consistente com a forma e o conteúdo poéticos.

Obra, estilo e características literárias

A obra de Orlando Neves é marcada por um lirismo profundo e pela exploração de temas existenciais como o amor, a morte e a passagem do tempo. O seu estilo poético caracteriza-se pela linguagem cuidada, pela musicalidade dos versos e por uma forte carga imagética. Explora frequentemente o soneto e o verso livre, demonstrando versatilidade formal. A sua voz poética é, por vezes, confessional e reflexiva, convidando o leitor a uma introspeção sobre a condição humana.

Contexto cultural e histórico

Orlando Neves viveu e produziu a sua obra num contexto cultural e histórico que, embora necessite de mais especificidade, certamente influenciou a sua visão poética. A poesia portuguesa do século XX e XXI é rica e diversificada, e a sua obra dialoga com as tradições e inovações literárias da sua época.

Vida pessoal

Não há informações disponíveis sobre a vida pessoal de Orlando Neves.

Reconhecimento e receção

O reconhecimento e a receção da obra de Orlando Neves, embora não amplamente documentados em detalhe, são marcados pela apreciação da sua qualidade lírica e pela profundidade dos seus temas.

Influências e legado

O legado de Orlando Neves reside na sua contribuição para a poesia portuguesa através de versos que tocam o leitor pela sua sensibilidade e reflexão sobre a vida. A sua influência pode ser sentida naqueles que apreciam uma poesia que combina forma cuidada com profundidade temática.

Interpretação e análise crítica

A obra de Orlando Neves convida a interpretações sobre a natureza da existência, a efemeridade do tempo e a resiliência do espírito humano face às adversidades.

Curiosidades e aspetos menos conhecidos

Atualmente, não há informações conhecidas sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida e obra de Orlando Neves.

Morte e memória

Não há informações detalhadas disponíveis sobre a morte de Orlando Neves.

Poemas

5

E o desejo de amar

E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.

1 320

Ser a pomba

Ser a pomba ou o cavalo no bosque
de macieiras onde espera e anoitece
o teu terso corpo de deusa rara.

1 277

1935

Vou alimentar-te à mão, ternura,
até que morras negada
pelos fantasmas que são, vivas,
as pessoas. Vou alimentar-te
como a um animal feroz
que guardo, amo e temo.
Vou alimentar-te de mim,
ternura.

1 056

1954

Este rosto de hoje,
assim triste, assim magro,
é a memória.
Estas mãos de hoje,
assim vãs, asssssim frias,
são o silêncio.
Esta boca de hoje,
assim branca, assim breve,
é a ausência.
Este olhar de hoje,
assim ágil, assim mudo,
é o cansaço.
Este corpo de hoje,
assim remoto, assim seco,
é apenas um grito
de socorro.

1 027

1943

Que mortos chegam como sinos
a dobrar a silêncio na praia?
Que meigo cão morde meus olhos
e os cega ao sol?
Ouço a guerra lá fora despedaçar o som
ouço meu tio gemendo de raiva de ficar
ouço a morte nas câmaras dentro de casa
ouço meu avô gritando com as mãos.
Que amoras colho em Viseu
sangrentas como coxas de mulher?
Que tempo cria meu tempo
na juventude de estar velho?
Vejo aquilino dar-me a mão grossa
vejo minha avó mordendo saudades
vejo a noite como uma farda
vejo as unhas sujas de sardinhas.
Que tenho eu a ver comigo
se sou pêssego e meus pais sofrem?
Que fogo queima este lixo
asa de cadáver?

1 041

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50

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