Escritas

Lista de Poemas

Explore os poemas da nossa coleção

Márcia Costa

Márcia Costa

FLERTE!

Como rio que não se detém,
Frente á obstáculos...
Tua essência transbordou-me,
O pequeno frasco.
Lúbrico perfume que o ar embriagou.
Entre sorrisos, olhares copulavam.
Almas líricas deleitavam-se,
Num beijo que aquecia o corpo,
E o coração disparava desenfreado.
Paixão, Desejo sem palavras.
Ao redor, passos dormente.
Um mundo inerte... Faces de estátua.

Márcia Costa
525
Samuel da Mata

Samuel da Mata

A visão do Jatobá

Era o ano de 1959, ele subiu num tronco de arvore tombado no meio da roça, mirou o horizonte e pensou: "este ano eu decolo". Nunca tinha visto uma lavoura de algodão tão bela. As maçãs rosadas do algodão desabrochavam em capulhos viçosos transformando o campo num esplendoroso tapete de neve. Era uma paisagem esplendorosa. Fez suas contas em silêncio e pensou: deve dar quase três toneladas por hectare, uma produtividade inimaginável para qualquer agricultor.

Era uma visão de esperança após quatro longos anos de dificuldades. A esposa adoentada, sem receber da prefeitura o mísero salário de professora rural há quase dois anos, o dono da terra desconversando os acordos da parceria na lavoura em virtude da expectativa de alta produtividade na safra. Aliado a isto estava o fato de ter se tornado indesejável a muitos pela insistência com que anunciava e defendia a sua nova fé e a renovação pentecostal. Não havia como contê-lo, abraçara a fé em Cristo e recebera o batismo com o Espírito Santo. Seu filho nascera com um sexto dedo, mas fora curado, sem passar por qualquer processo cirúrgico, mas tão somente pelo poder da oração.

Naquela noite foi dormir tarde, demorou conciliar o sono entre expectativas e preocupações. Os céus conspiraram, a temperatura caiu no pé da serra e uma forte geada se precipitou sobre a lavoura enchendo o vale de uma desolação jamais vista por ali. Quando o sol raiou, só havia destroços da plantação de algodão que tanto lhe alegrara. Foi tomado de uma profunda tristeza e desencanto que mal conseguia suspirar. Foi quando então lembrou-se do sonho que tivera na madrugada:

"Era uma mata alta fechada, com peroba, pau-de-óleo, ipês, jacarandás, aroeiras e muitas outras espécies não menos nobres, mas que precisavam ser derribadas para instalação imediata de uma nova lavoura. Cabia-lhe a tarefa, mas não sabia como começar, nem com dez homens seria possível fazê-la em tempo hábil. De repente, avistou um grande pé de Jatobá a margem da floresta, tão grande que sobressaia sobre as outras árvores como uma calda de pavão. Não perdeu tempo, deu com seu machado um pequeno pique nas árvores principais e depois pôs-se a tarefa de derrubar o Jatobá. Após algumas horas de machadadas o Jatobá tombou levando consigo toda a floresta."

Voltou rapidamente para a cozinha, rejeitou o café que estava sobre a mesa e foi com a família para o cantinho da oração. Foi então quando o Senhor lhe disse: "Alegra-te meu servo, porque há uma grande floresta esperando por ti, e grande será a derribada, quando hoje te chamarem para ir para outras terras, dispõe-te e tenha bom ânimo, porque esta é a lavoura para a qual te escolhi, e muitos Jatobás aguardam o fio do seu machado."

Naquela mesma semana, ele
recebeu o dinheiro atrasado da prefeitura, mudou-se para Brasília só com os utensílios domésticos, mas foi por cerca de 50 anos, uma das colunas da igreja na capital e um grande ganhador de almas para o reino dos céus. Seu nome: Francolino Rodrigues da Mata.
2 865
Márcia Costa

Márcia Costa

CIO!

O cio é vadio!
Embrenha-se nos orifícios.
Veste o corpo com a pele dos anseios.
É boca que acaricia a nudez.
Teor me embriaga, entorpece os sentidos,
Desperta fetiches, taras...
Faz a fêmea sem pudor, descarada...
Aperta os "picos" com mãos invisíveis,
Faz gemer... Gemidos lascivos!
Rola comigo na cama...
É sussurro imaginário que diz que me ama.
Mas, meu prazer são delírios...
Fantasias que fazem a seiva do sexo escorrer.
Ah, cio vadio!
Excita, açoita-me em meu leito vazio!

Márcia Costa
434
Felipe Castro Neves

Felipe Castro Neves

Eternal Child

Estou escondido
Grandes pilastras em volta
Sou somente uma criança
Precisando de companhia

Corredores infinitos
Salas de mar
Salas de mapa
Estou perdido
Sozinho em minha casa

Atrás o infinito tapete verde
Que já não consigo penetrar
Pois neste mundo de medo e distrações
Nada me chama a atenção

Cadê o sentimento?
Mostre-me seu amor antes de partir
Pois já não há mais forças
Que consigam me tirar daqui

Então me pergunto
Qual será a distância
Entre meu infantil e desajeitado coração
E sua grande mente adulta?

...

Nesse pôr-do-sol de domingo
Me perdi sem querer
No longo caminho até sua voz
489
David Gentil

David Gentil

A hipocrisia do sexo

O sexo olhou para o amor
Com olhar de desdém,
Pois muitos querem seu calor,
O amor não tem ninguém.

Embora saiba que na verdade,
O sexo, sozinho, também está,
Mascara sua infelicidade,
Para o amor enganar.


269
Michel Gomes

Michel Gomes

Quadros não-coloridos

Canário cantava em
seu poleiro de madeira, preso encantado;

Gaiola pálida;

Penas plúmbeas em seu
cantar enferrujado

Soava em meus ouvidos
como notas claramente coloridas.

Nas paredes que minha
sombra insistia em trepar, enroscava seus dedos encardidos ,

Em plantinhas
minusculamente verdes e

Em outras já cheias
de tumores negras pois deixaram de querer viver e ver o sol amarelo e vermelho
e lilás;

Pensamento em Emersom
para aplainar pensamentos tortos e bêbados...

Ainda estava
enfeitiçado pela alva enfermeira G,

Que trazia em seus
ombros borboletas

E em suas
espirotrombas traziam o descanso e o descaso do esquecimento;

Só não a perdoava
quando acariciava minhas mãos,

E encostava suas
sardas amarelinhas no meu rosto roto,

Sussurrando palavras
indecifráveis em um idioma saudosamente latino,

De seus lábios saiam
perfumes coloridos e inertes e azuis;

Um líquido escondido
saiam de suas mãos e dentre seus dedos

Penetravam em minhas
cidades luminosas com seus habitantes vermelho-hércules.

Em convulsão
frenética e crânio produzindo sons monstruosos e assustadores me acalmo.

Enquanto a enfermeira
G* em seus seios belos, satisfeito por livrar a humanidade do pecado e coroada
de êxito pelas suas lagartas transformadas se afastava, procurando um quarto
escuro para a sessão de eletrochoque.

Um anjo que estava
observando tudo de longe e em limoeiro verde e de cheiro de maçã aproximou-se ,
pousou suas testa em meus lábios e de forma preguiçosa falou por entre
canções...

"Que inferno seria se
você se desse conta que pessoas, lugares, os momentos mais importantes de sua
vida não houvesse sumido ou morrido...mais pior... Nunca houvesse existido? Que
inferno seria?"
389
lcarlos coelho

lcarlos coelho

Na cidade sem limites

Nas nuvens e formas geométricas
Vou vagando esperando encontra-la
Recostada em uma nuvem colorida
Ou em formas que nao decifro
E luto para para entender.

Na cidade sem limites
Na mesa do desenho, da publicidade
Nos passeios, nos momentos de campo e descendo a rua a mil
Busco sua imagem na cidade sem limites !

Licroceh Usalsolo


963
joao euzebio

joao euzebio

VAMOS SONHAR

A NOITE CHEGA
POR SOBRE A MESA
A VELA ILUMINA O QUARTO ESCURO
NO ESPELHO EU JURO
VI VOCÊ
VI A LUA PASSAR
VI AS ESTRELAS BRILHAR
VI A LÁGRIMA CAIR
VI AS ONDAS SUBIR
NOS ROCHEDOS
TIVE MEDO
DE LHE PERDER
DE TER QUE VIVER DE SAUDADE
DE QUERER TE BEIJAR E FICAR SÓ NA VONTADE
DE QUERER TE ABRAÇAR
E VIVER SÓ DE LEMBRANÇAS
QUANDO A NOITE MEU CORAÇÃO ALCANÇA
A ESTRELAS... PARA SONHAR
E ENTÃO UMA LÁGRIMA CAI
SAI DOS MEUS OLHOS E ROLA PELO CHÃO
E CHEIO DE EMOÇÃO
AFAGO SEUS CABELOS PERFUMADOS
DEITO AO SEU LADO
E FECHO OS OLHOS TAMBÉM
POIS SEI QUE EM MEUS SONHOS
VOCÊ VEM
PARA ME AMAR
PARA ME DAR
O AMANHECER
ENTÃO ACORDO
VIRO DE LADO E TE VEJO
APENAS DOU UM BEIJO
E LHE DEIXO DORMIR
POIS DEPOIS DE SONHAR
EU SEI QUE VAI VIR
CHEIA DE CARINHO
POR ESTE CAMINHO
ONDE NOSSOS SONHOS... FORAM SE
ENCONTRAR.
879
margaridamaria

margaridamaria

CÍRCULO DE AMIZADE

CÍRCULO DE AMIZADE





Atice você
Envolve teu coração
Envolve teu amigo
Envolve teu irmão
Não deixa adormecer a união
Que se colam nos dedos
Se entrelaçam nos fios de cabelos
Não deixe de se envolver
Seja ousado
Deixe a passividade ao léu
Se aglomere como as nuvens no céu
Seja você
Seja radiante
Seja otimista
Espalhe um sorriso
Que seja verdadeiro
E forme um mutirão
De verdades sem falsidades
Seja um elo de união
Forme uma roda onde todos se dão as mãos

Margarida Cabral

653
Adalto José Sousa

Adalto José Sousa

MERECE APLAUSOS!

***********************************************************************
UMA SAIA BEM CURTINHA,
TREMENDA GATINHA!
UM ROSTINHO ANGELICAL,
DE ANDAR FLUTUANTE,
SIMPATIA SEM IGUAL...

VEM ANDANDO NA CALÇADA,
A MOÇADA ALVOROÇADA,
TODOS OLHAM...ELA RI...

UM SORRISO RADIANTE,
CONTAGIANTE...
ELA ESPALHA ALEGRIA,
ELA TRAZ FELICIDADE,
ELA ALEGRA O AMBIENTE...

ESSA GATA NÃO EXISTE,
FOI POR MIM IDEALIZADA,
MAS,SE ELA EXISTISSE,
EU TE DIGO, NÃO É POR NADA,
EU IRIA ESPERÁ-LA,
APLAUDINDO NA CALÇADA...

***********************************************************************
745
Márcia Costa

Márcia Costa

Esperança!



Por ser vasto este sentimento que me domina.
Contentar-me-ia com migalhas...
Mas, não ficaria sem amor.
Se precisar, desfolho minha 'alma,
Jogo minhas páginas ao léu,
Na esperança de alguém encontrar pelo caminho,
Rascunhos do meu amor.

Márcia Costa
425
joao euzebio

joao euzebio

AINDA VAMOS NOS ENCONTRAR

VEM JUNTAR
SUAS LÁGRIMAS COM A MINHA
ENQUANTO CAMINHA
PELA BEIRA DESTE MAR
ENQUANTO O LUAR
AINDA BRILHA PELO ESPAÇO
ENQUANTO PROCURA MEUS BRAÇOS
E SÓ ENCONTRA O VAZIO
ENQUANTO ESTAS ÁGUAS CORREM PELOS
RIOS
QUE AO MAR VÃO SE ESPALHAR
VEM JUNTAR
SUAS ILUSÕES COM OS MEUS DESEJOS
POIS AINDA ESPERO POR UM BEIJO
QUE SEI
VAI DEMORAR
E ASSIM A NOITE VAI EMBORA
NO PASSAR DAS HORAS
QUANDO OS PONTEIROS
VIERAM VOANDO
AO INVÉS DE SE ARRASTAR
POIS PROCURO NESTE ESCURO AMANHECER
UMA LÁGRIMA TUA
A MESMA QUE A FLOR PROCURA
DA GOTA DO SERENO
POIS O MUNDO É PEQUENO
E SEI... QUE AINDA VAMOS NOS ENCONTRAR.
856
Marcelo Zacarelli

Marcelo Zacarelli

Liberdade

Liberdade; pra viver...

Pra se conhecer mais vezes

Até as praças que são mais verdes

Nos olhos destes japoneses.



Túneis e metrô...

Pessoas aos milhões

Parecem correr pela contra mão

Semáforos não o impedem

O dia a dia da liberdade de expressão.



Nem Paris parece tão bela

Desse nosso Japão brasileiro

Das meninas corriqueiras

De furtado (conselheiro)

Dos amantes da Rua Galvão Bueno.



Minúsculo órgão

Desta grande metrópole

Teu sangue corre

Nas veias desta tua mãe;

Que te alimenta o sonho

De cresceres em liberdade.


Homenagem a São Paulo 450 anos.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Março de 2004 no dia 26.
564
Lua Barreto

Lua Barreto

Dança Comigo?

Olho pra você e minha consciência diz:
"Não faz sentido!"

...

Mas seu corpo me atrai como um ímã.
877
Fernando Almeida dos Santos

Fernando Almeida dos Santos

Penso em Ti


Quando me levanto com os raios de sol acariciando meu rosto
imagino como estarás.
Procuro teus lábios, sedento, como se estivesse dias em deserto árido.
Viajo no fundo do teu olhar sem querer voltar para o mundo.
De repente sinto, uma ansiedade misturada com felicidade que me dá vontade de
não te abandonar, nem por um segundo.
Deslizo suavemente em teus cabelos sedosos e caio em teu sorriso.
Parece que eu não só quero, mas preciso de tudo isso.
Mas quando paro para refletir.
Estou mais em ti, do que em mim.
Só de ficar próximo de você, estando onde estiver, pode ser em um lugar
qualquer, eu fico feliz de te ver assim como é...
Esse seu jeitinho de menina mulher
.Que sabe e tem certeza do que quer.
Queria falar...
Mas não sei explicar...
como é bom te Beijar!

Fernando A.S

feito dia
SP/29/03/2005
908
Marcelo Zacarelli

Marcelo Zacarelli

MADEIRO EM VÃO



Ao pé da cruz lamúria e ostentação

Hipócritas curvados ao nazismo

A irônica coragem do iconoclatismo

Diante do madeiro obedecendo ao alcorão.



Ao pé da cruz a valentia do pecador

A ordem e progresso constitucional

Não esclarecidas da bandeira nacional

Da corja dos políticos em estupor.



Ao pé da cruz a lembrança do calvário

Antihipocráticos da impunidade

Que fazem estéticas da humanidade

E mancha o sagrado manto sudário.



Ao pé da cruz o olhar do cristo incrédulo

Do mentor da justiça à esquerda crucificado

Do que rouba o pão à direita mutilado

Das feridas sobre o pulso do fincado prego.



Ao pé da cruz as lágrimas de Maria

A sociedade alternativa de Pilatos

Seguidores envergonhados de seus atos

Do ignorado cristo crucificado todos os dias.



Ao pé da cruz tristeza e lamentação

O desperdício de sangue no madeiro em vão

Servirão de aviso pelo cristo sofrido

Aos predestinados filhos da condenação.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli / Abril
de 2002 no dia 15

Itaquaquecetuba (SP)
454
Felipe Castro Neves

Felipe Castro Neves

A-gent

passa o dia inteiro sentado
e ainda reclama
como tá tudo tão amargo.
635
Marcelo Zacarelli

Marcelo Zacarelli

ALMA DAS FLORES


As flores estão de luto

Pois o inverno está chegando

Há um clamor absoluto

Dentre as pétalas reclamando;



As flores estão de luto

Vem o vento assoviando

Num soprar longo e bruto

A beleza carregando;



As flores estão de luto

De partida a tua alma

Primavera foi tão curto

Golpe duro que se acalma;



As flores estão de luto

De rosto caído dormidas ao chão

No mais singelo dos absurdos

Vazando perfume do seu coração;



As flores estão em festa

Pois o inverno está passando

Um corpo de vida

À semente lhe empresta

No mês de setembro

Do próximo ano.





Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Maio de 2002 no dia 21 Itaquaquecetuba (SP)
490
Heloisa Melo

Heloisa Melo

Te encontrar

Eu quero te encontrar

E poder te abraçar

E te levar comigo

Mas é grande a espera

De poder estar contigo

Nem sei o que fazer para o tempo correr

Só sei o que eu mais quero é poder beijar você


820
Samuel da Mata

Samuel da Mata

REMISSÃO

Quando vi teus olhos, quebrei minhas juras
Teu sorriso então - é da ventura a porta
Percebi que ali, pra toda mágoa há cura
Aonde a dor não chega e a saudade é morta


Que magia é esta que o teu olhar comporta?
Como há tanto encanto em um olhar humano?
Se preso em barreiras, rompe as comportas
Se desprendido fica, forma um oceano

Bendita a ventura de encontrar-te agora
Dissipar minhas mágoas neste teu sorriso
Se alguma dor eu tinha, já se foi embora
Escapei do hades e fui pra o paraíso
506
antonio tropa

antonio tropa

A MINHA IRMÃ ESCREVEU DE PARIS

1."A minha irmã escreveu de Paris".

2. Anda aquela gaja por lá toda contente
a respirar uma aragem fina
no modo de estar presente assim
nas cidades que a carta determina:

Londres Berlim
Atenas Roma
Imaginadas.

3. E eu aqui.

Esta música esta água este aspirador
na casa ao lado as vozes sossegadas.
Como são boas
as coisas vividas
as pessoas.

antónio tropa

561
Michel Gomes

Michel Gomes

Entre tantas coisas

Estou a pensar sobre definições de algumas palavras...
Posso não conseguir definir algo e dizer que a sinto ?
Como posso sentir algo que não sei o que é ?
330
Michel Gomes

Michel Gomes

Casal chinês ou sino-cantante

Casal chinês ou sino-cantante



Pela margem marrom;

Um casal chinês

Em verbos bronzeados
e mornos

Declaram seu amor.

Azul-marinho

À ouvir declarações
ocultas

Em orelhas
cintilantes.

A decadência musical

Das línguas cantantes

Repletos de
ideogramas,

Disfarçam,

Ao depararem com
vultos estáticos;

Logo em seguida

Prosseguem em deleite confuso

Em braços em forma de
anzol.

Cone amoroso,

Trapézio apaixonado

É o que parecem

Quando

De olhos oblíquos,

Tateiam o zênite.

Capricho imaginário

De ervas ofuscantes e
douradas ,

Que balançam

Ao som da flauta
zéfira.

Pés calçados

De forma medonha

Escorrem feito rio
fervido.

Há casal
sino-cantante

Como és supremo

Em ver o firmamento
passado em dores de parto !


354
Marcelo Zacarelli

Marcelo Zacarelli

Crepúsculo





Sobre a mesa da áspera madeira

A vela que lhe faz companhia

Empresta seu corpo de luz por inteira

De resina e pavio apagado

Morre debruçada no colo do dia.



Sobre o papel amarelo envelhecido

Descansa a condoída poesia

Quando cai a noite fria de improviso

A pena que com pena do autor

Empresta a tinta

E morre esturricada de vazia.



O velho homem bem que tentou

Tomar inspiração na tal tristeza

A saudade da mulher que amava

É o que restou

Quando o sono pesava-lhe

O rosto sobre a mesa.



Ao dormir no crepúsculo da noite fatídica

A vela se apagou junto à poesia

Talvez em sonho a realidade verídica

Daquele velho homem

Extraia toda a dor

Como da pena que vazou a tinta.



Pelo autor Marcelo Henrique Zacarelli

Abril de 2008 no dia 30

Arujá (SP).
529