Escritas

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nietke

nietke

Ela ama.

Toque. Sinta. Suavemente toque.

Olhe, perceba o arrepio; Continue

Desça, tremulo, com cuidado.

Estique os segundos, e vai uma hora.

Duas; Não importa, Tem o tempo que quiser;

A maciez, o suor, o corpo, beijando um ao outro

De agora até o fim, sempre sua mulher.
284
Antonio Aury

Antonio Aury

Refrão Para Moacir

Sob a proteção de São Jorge
São Jorge Guerreiro
Salve São Sebastião
Salve o Rio de Janeiro
Salve o samba que reluz
Salve o povo brasileiro!
Viva Moacir da Luz!
Salve o meu país inteiro!



350
André Veiga

André Veiga

O Ciclo da Vida

Observo as crianças

E às vejo tão contentes

Sem importarem-se com os afazeres e compromissos da vida

Não tem a responsabilidade

Do alimento sobre a mesa

Da roupa nova para o passeio

Do calçado que irão ostentar aos colegas



Aproveitem bem esse períodos meus caros infantes

Pois chegará uma época

Em que terão saudades dessa regalia

Em que terão que tornar-se atores no palco da vida

Terão que atuar no exigente Teatro do Labor

Em que submeterão-se a árduos e complicados trabalhos



Para que assim tenham como manter-se

E poderem subsidiar os largos sorrisos de seus pequenos filhos

Que amanhã irão brincar

E vocês às olharão tão contentes

Pois essas crianças

Que amanhã serão seus filhos



Não se importarão com os afazeres e compromissos da vida

Não terão a responsabilidade do alimento sobre a mesa

Nem da roupa nova para o passeio

Nem do calçado que irão ostentar aos colegas.



Texto de André Veiga (Veiga)
435
Antonio Aury

Antonio Aury

frase

"Sonho sonhos claros de um mundo, onde predomina o amor ao próximo e a felicidade de todos"

376
Tchesca

Tchesca

Corpos

Que teu corpo seja.
Meu abrigo eterno.
Minha fortaleza.
Meu verão e inverno.
Que teu corpo seja.
A minha prisão.
A brasa acesa.
A lava o vulcão.
Que teu corpo seja.
Minha inspiração.
Lugar que meu corpo.
Acalma o tesão.
Que teu corpo seja.
A minha morada.
De noite e de dia.
A sede saciada.
Que teu corpo seja.
Também o meu corpo.
Consumando juntos.
O desejo louco.
Que teu corpo seja.
Juntinho do meu.
Como um caracol.
À noite e o breu.
Que eu seja o seu corpo.
E o seu seja o meu.
420
Antonio Aury

Antonio Aury

Partida

Vivo o agora,
o futuro não sei,
Por dentro e por fora
Só sei que amei!
441
Cyber Poeta Silas Correa Leite

Cyber Poeta Silas Correa Leite

Livro Assustador 'K, O ESCURO DA SEMENTE de Vicente Ferraz Cecim

Pequena Resenha Critica

O "K"(aos) Numinoso da "Literapura"de Vicente Franz Cecim no Livro que já Nasceu Clássico

"K, O Escuro da Semente"

"Viver vale/Um delírio"

Sergio Capparelli, in, De Lírios e

de Pães/(A partir de um provérbio chinês)

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Prólogo: E-mail ao editor:

Olá Nicodemos Sena - Editor da Editora LetraSelvagem

Saudações. Assustado acabei de dar uma passada em transe no livro do CECIM. Que lindeza de loucura! Nunca a leitura é só uma vez só ou inteira nele/dele? Nunca tinha lido nada perto de parecido. Vivendo e levando susto; se eu ler mil vezes o K, conhecerei todo o abecedário neural/trans-espiritual do cara? Benza-Deus como diria minha genitora. Onde já se viu isso? Tentei ir lendo e me desatando os nós das sandálias, mas ainda não foi fácil. Acho que perdi uns parafusos, atiçado e alumbrado... Esse CECIM existe mesmo ou é invenção da letra selvagem na Amazônia-brasilis-Andara? Mando texto anexo com erros e acertos de comentários sobre o baita livro, para vc ver o que acha(...) Perdoe as ligas e anelos e divagancias; pensa que é fácil? E que o K tenha piedade de nós pobres mortais comuns.

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-... o impacto deste livro "K, O ESCURO DA SEMENTE" em mim - como desde antes na aturdida crítica especializada como um todo - e a técnica do contraponto, enquanto na abarcada (e proposital de feitio) dualidade "poesiaprosa", até o assustador jorro neural diferenciado do autor, Vicente Franz Cecim, já consagrado em outras obras espetaculares como único e raro no (seu) gênero que particularmente criou, como fora de série, de onde esplende sua "verborrágica" (aí se juntando verbo e mágica), loucura-lucidez, o já chamado estado "álmico" e o numinoso na mesma rapsódia, e, você, leitor, pego pelas palavras não saca assustadiço do que afinal se resta na leitura inesperada, se mergulha nesse "K" do literato, ou, se assim mesmo, literalmente resta-se também como um "koiso", no "kaos" leitural, ou se só e ainda "bebesorve" da almanau do autor nas escrituras em enlevo, provocadora, incomum porque especial, feito alucilâminas em "prosaverso", em que eu, lendo, também, por assim dizer "enloucresço". Livro que mexe com o leitor é livraço. Como é que pode isso, como é que pode assim? Livro bom é quando o leitor morre no final? Passei perto.

-... você vai, digamos, navega (nave cega a priori), depois, lê-se, vê-se, e capitula, se enleva também atraído, fisgado, abduzido, o que quer que seja a surpresa e o chique do chamamento ulterior. Como pode alguém (no humano), escrever isso, de-assim, desse jeito, assaz, na fuça, tresloucado, literalmente diferente e sem explicação, mas, estupendamente transpolar, multipan-polar, literalmente "literapura", dando com as palavras entrecortadas (e, entre, contadas), fragmentos/entre/vistas, numa vazão como magma entredentes/entrementes, alma limada (lixada?), tirando clarezas de sutilezas, cactos acesos de brutezas; tirando do "spiritual" (arrebatamento?) de si esses mantra em tons e tintas de um surrão interior, como se a nos "almar". Esse Cecim é único no mundo das ideias, das artes, da literatura singular que per/segue? Já antes elogiado por críticos de alto nível, já bem editado, até no exterior consagrado, já em continuação em sua sina sígnica, como uma espécie assim de um livro de Jó, de profecias (e profe-ceias) de Isaias, ou de Salmos contemporâneos e pós-modernos, a escrever sempre e tanto o mesmo livro - o LIVRO DE CECIM - continuando um tomo no outro e no outro, todos os livros um só, todos os livros ele mesmo em seu perene estágio de espírito; estado de semente de mostarda aos quatro ventos, aos sais de si, nas desaceleração de partículas do sal e de açucares de si, neutrinos narrativos, per-furando criações, entre pólens, ácaros, ícaros, troios até (mistura de joio e trigo), em perigritantes (perigos/gritos) a deslavar-se, enlevando-se, deste êxtase que fez e produz o poeta e literato sobre a arte como libertação/levitação. Cecim escreve como quem, ponhamos, se levita?

-... K, O ESCURO DA SERPENTE, segue a trama-tramóia-trauma metafísica da "asaserpente", transcreve o lumiar do encordoamento dos andamentos-continuações, pois a vida e a arte são isso: pesadelos customizados. Ah o adâmico horizonte agônico do ser/ente do devir. No dial quebrado de CECIM, o éter na mente é palavravável com atiço de imaginação? Tudo na sua obra é pura vidamorfose. O alfabeto humano não é humano? O homem é um erro, uma falha, uma falta de? Pois a arte é (precisa ser) o/esse preenchimento de vazios entre penumbras. Alvuras padecem rascunhos, e podem ser ranhuras de erratas elípticas. Os livros de CECIM não são deste mundo? Que mundo? Que desmundo? Ah a vox que clama no deserto dos bárbaros contando do ovo do sono, nessa sodomogomorra que ainda precisa de babeis para coroar o vazio da alma insepulta do Homo sapiens ao Homo demens, e do Homo degradandis ao homo interneticus...

-Considerando (especulando) o "K" da obra que aqui também supostamente pode ser de "Kaos", palavra de origem grega que ocorreu por volta do ano 800 AC com Hesíodo na Grécia antiga, e que era usada pelos gregos significando vasto abismo ou fenda; palavra que também alude ao estado de matéria sem forma e espaço infinito que existia antes do universo ordenado, suposto por visões cosmológico-religiosas, e, finalmente, o sentido mais usual de caos: de desordem, confusão, grande vazio ou grande amplitude, vazio primordial, podendo se pensar sobre que espécie de semente é essa, esse escuro que o autor burilando cria, entoa, evoca, ou que escuro é esse veios de sementes criativas do autor? Aliás, a bem dizer, Cecim não escreve, destila-se, destrincha-se, dilata-se. Quando escreve ao sair de si, entra (encontra) seu Nirvana? Ai de nós! Falando sério, CECIM descobre o inexistente, desdobra a regra formol, e, ao se assentar escriba, escrevendo vivifica a nosotros com seu tear de criação, afrouxa nós em entalhes e preciosidades de literatura esplendente de primeira grandeza lítero-cultural-criacional. Você entra no livro para ler o "romance"(?) de 384 páginas, e começa também a ler as entrelinhas e as linhagens dos desenhos gráficos, estéticos, pseudodispersos, vai entrando pelas beiradas e parágrafos abertos, e depois entra nos casulos de sua plantação de cenas, de cenários seus inventariando incêndios íntimos, e quando se vê não há como rotular, nem como nominar nada, você não se encontra mais, se perde de critérios e normas, nessas cantárias dele de criar o não-ser dizendo, o não-lugar aclareado, os sem nome, sem teias, num enlevo de um ser vertido para o nosso comum dizível, no entendível, no nominável enquanto prosa, enredo, ensaio, romance(?) em prosa poética, destrinche, prosa poética que seja em estrofes deitadas, vertentes e pinceladas de limonódoas, bijutelíricas, aqui e ali dando um susto no leitor que, também, perde-se de si, embarcando nessa canoa atiçada de K para ver e sentir, fluir, ver aflorar também frutos e raízes, e depois ainda (e por incrivel que pareça) não sacar exatamente o que é o ali e quando, arrebatado, sem ter um eixo exato do que é uma coisa e outra, porque, até mesmo na chamada Linha de TAO, o que não é passa a ser, o que já não existe se vê/lê, pois criado é nutrido, e o que se diz pode não ser exatamente quando, e o que se desdiz é ante-facho, arrebatamento, lume e correspondência com o que agrega o todo, formando a obra, em que o autor se dilacerou, plantou, orbitou, entre incensos, detalhes, silêncios, paradigmas, experimentações, pensagens (pensamentos mensagens), e deu a luz (bem isso) a esse livro-continuação, um livraço que já nasce clássico no gênero (que gênero?), livro lume e foz, enquanto assustador de tão rico e nobre, de seu tanto acervo de densidade em competência de zelo experimental (existencial) que seja na própria olaria de sua com-feitura. "K" é isso e muito mais. O que dizer ou tentar isso, depois de sair-se pelo menos alumbrado dessa arca de todas as palavras, todas as somas, todos os riscos e de/lírios de trânsito neural, de marco criacional, até assentar de novo no crível do plano existencial reles e trivial e comum dessa vidinha efêmera, desembarcando então dessa leitura/embarque?

A obra recheada de partituras lítero-poéticas de CECIM, quase um livro-ensaio "sagradoprofano" de bela e feliz e exuberante experimentação audaciosa e com altíssimo (em todos os sentidos) despojo lírico-espiritual-álmico todo próprio dele, feito epifanias de eulogias de gnosticismo laico, por assim dizer. Deus inventou as palavras, o dianho caído inventou os números, e os seres inferiores da casta telúrica deram de inventar a arte ousada para se sentirem cultuadores da criação que há no nominável sem prumo, no risível em sangria desatada, e no finito com aparência de divinus em perigrinanças nessa terra de Andara, Neverland, Pasárgada...

Matizes e iluminuras, derrama e esparramento de oleiro ornando sementes nidificadas, tramando poesia em prosa e contações, com anelos de temáticas em linguística muito bem barulhada e torneada. Tudo ornando livro, páginas e rumo sequencial num tabuleiro que parece labiríntico, e não é, e você segue o curso da trama, indo a navegar sem saber exatamente o que é margem, o que pode ser correnteza, o que tente a ser escoadouro, ou mesmo píer, mas sustentado pelo susto do porte da obra e então se deixa levar como um homem-árvore sendo nutrido, estra/vazando, muito além do simples e comum, seguindo as terras do bem-virá de Andara, como um leitor se escrevivendo e "escrevilendo" na alma de lã de vidro do autor, sem se desnortear das narrativas, ideias que arrebatam, falando, dizendo, feito um estado onírico de se entrar e sair estupefato com a musicalidade das letras do autor. Um reino de fantasias feito de palavras com/pensadas que agrega estrofes como ovelhas num rebanho historial. O fantástico e o inverossímil se apresentam. O inverso também, tudo pendurado nos cipós das implicâncias e reinações. E os paradoxos que se unem? O que pode parecer trevas é luz, o que parece luz é pântano escorregadio, e o que parece difícil é simpleza entre o lírico e o acabamento dele, numa atmosfera de lucidez/espírito/toleima/confeito lustral.

Do livro K e dele o autor CECIM, diz o literato da USP Adelto Gonçalves (In site Pravda/Rússia): "K O escuro da semente é mais um daqueles livros que o autor chama de "visíveis" e reúne na obra imaginária Viagem a Andara o livro invisível, que não escreve e só existe na alusão de um título. É o que o poeta denomina de "literatura-fantasma", em que foge a uma classificação formal, pois não se sabe se se trata de um romance escrito em prosa poética ou de um longo poema em prosa, mas sim de um gênero híbrido, que absorve todos, constituindo um diálogo entre Pai e Filho ou entre irmãos, como Iziel e Azael e Oniro e Orino. É também o seu primeiro livro em iconescritura, pois une imagens e palavras. De difícil leitura e definição, ao menos para aqueles leitores pouco afeitos à poesia menos convencional, o estilo de Cecim lembra a inquietação existencial de Samuel Beckett (1906-1989), Thomas Stearns Eliot (1888-1965), Ezra Pound (1885-1972) e Franz Kafka (1883-1924), passando ainda por Lautréamont (1846-1870), especialmente o de Os Cantos de Maldoror, e Zaratustra (660-583 a.C).

Tudo em CECIM adquire voz própria, rumo único, alma dilacerada ou se reconstituindo/criando seu mundo todo próprio, sua literatura toda única e especial, entre o ser marcado, o feérico, o inusitado, entre esvairados utensílios, criando pomos, pontes, tomos, diálogos, parágrafos, ramas e floresteiros, feito tudo em K, O Escuro da Semente, um achado, um achadouro. Com o suprassumo de sua alma, o autor escreve os sutras quânticos de uma obra que ao mesmo tempo que tem suas epístolas, tem suas respirações visionárias, sua drenagem de insurreição, sua peregrinação em sumulas, "nuvensfronteiras" se abrindo, sinfonias de letramentos jugulares. Leiam o livro, mergulhem nele, e nunca mais caiam em si, nunca mais caibam em si, nunca mais respeitem sextantes ou areias movediças. O tal do "céuterra" é dentro dos nós das cinzas de nós? A "Alma/zonia" é ele, dele, e em nele se reproduz em livros, assim como livrações mesmo, até nesse "serdespanto" em que afinal nos restamos todos com o que nos nutrimos de ler Vicente Franz Cecim.

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Silas Corrêa Leite - Professor, Jornalista Comunitário e Conselheiro em Direitos Humanos. Ciberpoeta e blogueiro premiado, escritor membro da UBE-União Brasileira de Escritores, Autor entre outros de GUTE-GUTE, Barriga Experimental de Repertório, romance, Editora Autografia, RJ.

BOX:

K, O ESCURO DA SEMENTE

Vicente Franz Cecim, Editora LetraSelvagem, 2016 - Coleção Sabedoria - www.letraselvagem.com.br - E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br

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Antonio Aury

Antonio Aury

Oração a Deus!

Mítico, misterioso
Onipotente,
vivo e glorioso!
A ELE serei sempre leal,
ao Meu Pai Criador:
único e universal!

312
Antonio Aury

Antonio Aury

Viva Lavras da Mangabeira!

O povo bravo faz a coisa certeira
Sob a regência de Eunício Oliveira.
O povo livre, sempre faz tudo direito
consagrou ILDSSER como seu novo prefeito
Reestabeleceu a ordem de forma alvissareira,
Viva DEUS, e Viva Nossa Senhora!
E Viva o povo! De Lavras da Mangabeira!

Dedicado ao grande Miltão e Dena !

Foi uma maiuscúla vitória

351
Antonio Aury

Antonio Aury

Viagem terrena!

Vida, viagem passageira?
Duradoura? Encarnação primeira?
Desconhecido mundo transcendental!
Galáxias, estrelas ou simples portal?
433
Antonio Aury

Antonio Aury

Música popular Brasileira

Os nascidos da década de 40
são o grupo que mais contribuiu
para a arte e cultura do Brasil,
representa a vanguarda brasileira

Suas obras estão na dianteira ,
eles tem valor descomunal
Falam uma língua social
em defesa da raça brasileira

460
Antonio Aury

Antonio Aury

Septeto de Violão!

Dilermano, Jacomino
Garoto, Luiz Bonfá
Baden, Aymoré
E O Mago do DEDILHAR!(Ceará)

Para "O Mago do Violão" , Francisco Araújo! Virtuose da música brasileira!

337
Antonio Aury

Antonio Aury

Lembranças da Infâncias

Eu me encontro na terrinha curtindo o Boqueirão
Onde meu pai me ensinou a gostar de natação!
496
Frederico de Castro

Frederico de Castro

Saí por aí...



Saí pra sonhar
e regressei nos teus exclamados
cânticos de vida onde quero
pra sempre me embrenhar
Juntei todas as travessuras
decantadas na bagunça
do tempo enraizado na minúscula
janela de eternidade onde
captei a textura dos sonhos
sem identidade ou estatura

Envolvi palavras dóceis
no mesmo dicionário
onde reescrevo cada instante
de um instante distraído onde
mora nosso destino
visionário e delirante
Saí por aí
elaborando dóceis momentos
tatuados na anatomia do silêncio
embrulhando meus versos
todo amor que se revela
eclipsando desamparados ventos
condimentados com juras eternas
onde a vida finalmente a nós se atrela

Saí deste cenário
tornei-me extinto
reservei na própria existência
uma pacata lembrança
de nós
Afugentei manhãs encarceradas
no meu calendário intemporal
Reafirmei meus passos inseguros
quando abotoei de vez
todas as lembranças
e certezas
inevitavelmente destinatárias
aos mesmos retratos esquecidos
à mesma saudade ajustada e
distraída em brados póstumos
que te deixo d'improviso

Saí por aí
recolhendo teus esmerados enfeites
que desaguam
no rigôr do meu estuário onde
se despenham nossos desejos
nossas tentações
e tantas maquinações arquivadas
no semblante do silêncio fecundo
onde demos à luz
tantas sinuosas palavras
cuidadosamente arrumadas na farpela
do tempo tão vagabundo

Saí por aí
teçendo um vocabulário trajado
de amor e poesia descomedida
adornada com gargalhadas vertiginosas
qual breve assomo delicado
onde cimentamos cada meiga
expressão derradeira
com afectos apetecidos
assim loucamente acometidos

Frederico de Castro

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Antonio Aury

Antonio Aury

Plutocracia

No Mundo há um trio que empunha a bandeira do poder
Que desnutre a esperança de um povo independente
De um povo nadando nas águas do saber e consciente
Este trio pobre de ética, rico de infâmia e covardia
São os mesmos que há séculos representam as elites
e que a chamam plutocracia
508
Antonio Aury

Antonio Aury

O tsunami que não saiu do chão!

O que invadiu a cidade
foi o verde da esperança
que contagiou a todos,
até mesmo a criança
pois prá falar a verdade,
digo com sinceridade
mentir não é coisa minha
esta onda amarela
não passou de marolinha!




302
Antonio Aury

Antonio Aury

Seguir

As perdas da minha vida fizeram
meu coração magoado
Para seguir em frente
deixo estas mágoas de lado
Acordo como uma criança
com meu coração zerado!
571
Antonio Aury

Antonio Aury

Recado ao Primo Valdir

Meu amado primo Valdir/
Vamos falar a verdade/
Pro povo compreender/
Se aqui tem um poeta/
Este poeta é você!
513
Antonio Aury

Antonio Aury

Rafaela

E vai Rafaela
Em sua sacrossanta negritude
raça, gana, juventude
Escrever teu nome na história
com suor, cadência e magnitude
E põe no peito o ouro de tua vitória!
542
Antonio Aury

Antonio Aury

Desabafo!

Deus!
Perdoe-me o desabafo.
Mas o meu pobre coração não
foi feito de aço.
Sou do tempo da pureza,
e a morte,
esta sua indelicadeza
fez-me casar com a meliante
tristeza
e não quer mais me
deixar!
517
Antonio Aury

Antonio Aury

Poeta Mundoca Neto

Hoje é dia de homenagear O Poeta Relator
Que na arte da poesia poucos têm tanto valor
É um cidadão de bem que a todos tem afeto
Descreve tudo que vê com grande sabedoria
Faz a trova, faz mourão, aboio e cantoria
Relata a nossa terra de um modo muito certo
Relata a luta no campo com enorme simpatia
Ao grande Mundoca Neto que hoje aniversaria
Desejo tudo de bom prá este homem iluminado
Que goze de muita saúde e continue afinado
Que faça muita poesia dentro de sua harmonia
Pois este vate é um craque que nos enche de alegria
511
Antonio Aury

Antonio Aury

Des' Acordes

Eu quero um lugar,
onde Deus possa me ouvir
Onde Deus possa me ensinar
A forma certa de amar

Não interessa a paixão,
não interessa o amor falso de um amigo,
não interessa o amor de um falso irmão

Eu quero um lugar
Onde Deus possa me mostrar
A diferença entre um amor bandido e um amor perdido
Para que eu possa de novo me encontrar

Eu quero um lugar,
onde Deus me dê a semente
De um amor verdadeiro e não do amor que mente
E que eu possa finalmente a semear

Eu quero um lugar
Onde Deus possa ensinar
aos Homens o que é defeito e virtude,
e aos pobres de espírito o valor da magnitude
do respeito, do amor e do aceitar

Não importa nada, neste instante
Não importa o respirar ofegante
Não importa a forma de caminhar

Eu quero um lugar
No qual Deus possa me libertar
da covardia e da inveja fraterna
do açoite e da chibata materna e
enfim, minha mente possa se aquietar.

Ah! Corpo são, mente sã no envoltório
aconchegante do Meu Lar
Este, Deus, é o meu lugar

511
Antonio Aury

Antonio Aury

Brazil, brazil

Manobras à direita:
um povo enganado,
esperança desfeita.
É vida de gado!
484
Antonio Aury

Antonio Aury

São Vicente de Lavras

Lavras
Berço de ira
Telúrica, imortal
Acordes de lira
Meu torrão natal

477