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natalia nuno

natalia nuno

estremecem as madrugadas...

estremecem as madrugadas...

as tuas mãos são aves do paraíso
que voam na paisagem do meu corpo
percorrem os trilhos sem juízo
até às portas da madrugada
e o tempo é terno enquanto caminhas
ressuscitando a minha vontade
dos tempos de loucura
de que nos resta saudade,
mas voltas e é sempre nova aventura
e a tarde arde ao rubro
e é aí que eu descubro
que o nosso amor é de verdade

quando as tuas mãos se afundam
exprimo o meu desassossego
o tempo ri de mim e de ti
mas o nosso sonho ainda mora ali
o amor fica de sentinela
e a serenidade na alma
- o tempo o coração gela.
atormenta-nos ver a vida a cair
nossas mãos estão carregadas de doçura
e há estrelas nos nossos gestos
e infinitamente nos amamos com loucura

e amando-te assim infinitamente,
descubro que invento palavras meiguíssimas
esqueço tudo o que é triste dou um passo em frente
e carinhosamente voo no sonho enlouquecida
assim corre a vida,
estremecem as madrugadas
quando nos amamos...

natália nuno
329
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natalia nuno

natalia nuno

a menina em mim...

destilam as horas
escuto o seu silêncio
já se anunciam as estrelas,
murmura a noite e o vento
leva-me ao esquecimento
de mim...o relento
e a solidão, crescem às primeiras sombras
e a vida que às vezes parece mansidão
noutro momento se emsombra.
insegura, pergunto-me como será
quem fiel me recordará no tempo.
e a memória procura
na noite que se arrasta
a criança que em mim perdura,
caindo cansada do tempo prisioneira
e a noite cresce nos meus olhos,
o sorriso ainda de murta e jasmim
e é essa a criança que habita em mim.

-a menina que espanta o frio
que à minha vida chegou
espanta ventos e vazio
e os rouxinóis acordou, em mim adormecidos.
contente, como só as crianças se atrevem
porque à vida nada pedem e
nada devem...

natalia nuno
395
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RicardoC

RicardoC

EM LARGA MEDIDA

EM LARGA MEDIDA

Duvido porque penso, não por cético.
Há-que se questionar tudo que é posto
Para, ao invés d'escolher algo por gosto,
Poder diferir o ético do antiético.

Mesmo a par dos limites do estro poético,
Alinho o desejado co'o suposto.
De modo que o ignorado por fim arrosto,
Com risco d'após ser quase patético...

O metro com que meço todo o mundo
Serve, desde o mais raso ao mais profundo,
De medida na frase ao fim rimada.

Em todo o caso, escrevo por pioneiro.
Pois é Poesia a busca entusiasmada,
Senão da verdade; do verdadeiro.

Betim - 17 12 2017
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Alberto de Castro

Alberto de Castro

CONHECIMENTO

O que devo ignorar na vida,
o que sei ou o que não sei,
eis a questão.

O que sei é muito pouco
e o que não sei
é uma vastidão.

Do pouco que sei,
quase nada me serve.

E do que não sei?
O que poderá me servir?
Que porção desta vastidão devo saber?
E que porção devo ignorar?
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natalia nuno

natalia nuno

raia sempre um novo dia...

Porque me sinto saudosa?
Eu que nem tive um brinquedo?
Mas a Vida foi generosa
Inventou-mos em segredo.
De dia movia meu passo
De noite me dava um abraço.
E assim, filha do povo
Tinha sempre brinquedo novo.

E tudo era tão pouco,
Mas o tempo corria louco.
E o nada era meu tesouro
E a pobreza era meu ouro.
E quando a vida assim se namora
É a felicidade que em nós mora.

Não lembro da Fome o nome,
Nem quero que DEUS por ingrata me tome.
Não sei se lembro, ou se ouvi dizer,
Se foi verdade ou mentira!?
Não lembro nem quero saber,
Talvez lembrar, ainda me fira.

Por não ser rica não morro de pena
Raia sempre um novo dia!
Vou subindo os degraus serena
E agradeço à mão divina que me guia.



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266
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natalia nuno

natalia nuno

MEMORIA DUM TEMPO ÍDO

MEMORIA DUM TEMPO ÍDO

Já choram de novo os beirais
Me embalo com o seu choro
A solidão pesa demais
Por um dia de sol imploro.
Cai a chuva como pranto
Desesperada no chão
Também o meu desencanto
Açoita o meu coração.

Já choram de novo os beirais
Lágrimas do céu em desespero
Cantam os pássaros seus ais
E eu à Vida que tanto quero.
Não levo pressa de chegar
Quem sabe numa madrugada molhada
Ou quando o tempo amainar
E a Vida p'ra mim fôr nada.

Já não choram mais os beirais
Se calam em descanso merecido
Já são memória nada mais
Memória dum tempo ído.

Agora sou eu quem chora
Porque já se encurta a Vida
Meus sonhos foram embora
Ando de sonhos despida.

rosafogo
natalia nuno



360
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Alberto de Castro

Alberto de Castro

TERRAS SEM FIM

Olhe ao seu lado,
procure um espelho,
nele você irá encontrar
os seus sonhos.

Eles foram escritos nas estrelas...

Encontre a sua fantasia,
alcance as nuvens,
não tenha medo,
siga o horizonte
até encontrar o arco-íris
e as terras sem fim.

Lá você irá encontrar
as respostas que está procurando,
onde os segredos se despem
e sobrevive somente a verdade,
onde a nossa história de amor
tem começo, mas nunca tem fim.
1 005
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natalia nuno

natalia nuno

palavras vestidas...

as palavras que tenho para dizer-te
hei-de vesti-las e embelezá-las
hei-de cantá-las
com verdadeiro amor
hei-de fazer crer-te
que o céu azula
e o sol tem mais calor
rimas hei-de criá-las com paixão
hei-de colocar joelhos no chão
prometer-te o néctar das delícias
gotejante em carícias...

e num poema de amor
numa tontura de prazer
hei-de dizer-te
palavras que valha a pena falar
de beleza vestidas, que hei-de
cantar...
e o verde dos meus olhos
deixar-se-à pelos teus enamorar
as mãos enlaçando, vivendo
e assim o corpo entardecendo.

natalia nuno

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324
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natalia nuno

natalia nuno

trovas...

trovas...................

amor, amparo e abrigo
trago apertado ao peito
valeu a pena ter vivido
o sonhado amor perfeito

não sabe ao certo ninguém
se é infinito ou tem fim
quem vive tamanho bem
tem de acreditar que sim

vai andar sempre contente
sem ter lágrimas choradas
pois se coração não mente
serão doces, não salgadas.

natalia nuno
207
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natalia nuno

natalia nuno

liláses tardios...

amanhece, o quarto de sombra carregado
é a solidão dos dias cinzentos
em mim, lamentos, o pensamento calado
mergulhado num mar profundo
onde a luz não faz morada
penso na vida sem regresso
para a terra fria virada,
na manhã tropeço
no orvalho escorregadio
saio do submerso vazio onde perdida
vejo a vida a envelhecer
só o coração guarda a vontade de viver
a janela nem vou abrir
olho por dentro do vidro a lacrimejar
e não é nada, absolutamente nada o meu sentir
é o tempo... o coração a esquartejar.

como se pode matar as memórias de vez?
como pode este dia ser tão triste...
talvez, que os liláses tardios esquecidos
no jardim, falem por mim...
deito a cabeça sobre a almofada
sinto-me avezinha assustada
o vento ronda a janela fazendo alarido
fala-me uma língua estranha em tom comovido

ficam as horas penduradas
esqueço a janela a lacrimejar
foram-me as lembranças arrancadas
que faço da saudade quando ela chegar?!

natália nuno
370
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ania_lepp

ania_lepp

Agonia...

...e quando o silêncio espalhaste
pelos meus caminhos, a lágrima brotou,
em rios se transformou, rumo ao mar, escoou...

E o meu riso em mil fragmentos
espalhados pelo chão, se partiu,
de imediato se extinguiu...

E a agonia foi tanta que prá teu espanto,
meu incauto coração se calou,
e na dor, petrificou...

...e a poesia que floria em mim,
ninguém nunca mais viu,
nem nunca mais ouviu...
(ania)

(Ouvindo Agonia - Oswaldo Montenegro)
https://www.youtube.com/watch?v=5r9RsgNKMS0


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natalia nuno

natalia nuno

que me importa?....

Que me importa que seja tarde?
Que esteja à mercê da vida
A mercê da saudade?!
Que me importa que me achem louca varrida?
Ando à mercê!
Deste tempo que me deprime, me faz sofrer
Aqui, onde anoitece e só eu vejo, ninguém mais vê
Aqui onde a esperança já não quer acender.

As horas vão passando!
E eu no assento me remexendo
Nesta viagem louca, mansamente caminhando
Ou dando caminho à Vida e nela me perdendo.

A quem importa se trago o coração cheio ou vazio?!
A quem importa que a noite que adensa me traga frio?
Que me importa se as lágrimas que chorei secaram
Ou se me esquecem até os que me amaram?!
A Vida quebrei! Estilhacei!
Quero lá saber se os cacos juntarei...
Ou voltarei a juntar!
Se ninguém vai saber, nem perguntar.

Cerro os dentes, calo a voz
Só eu e a melancolia no portal da minha porta,
esta me faz companhia, se senta comigo,
Estamos sós!
A Vida nos pôs de castigo.
Não me importa, já nada me importa.

Na garganta me ardem os gritos
Sufocados, p'la solidão desesperados
Já lhes ouço o eco, dentro de mim aflitos
Que me importa? Pois que fiquem também eles a um soluço confinados.

rosafogo
natalia nuno






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natalia nuno

natalia nuno

quimeras...

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
Juntei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos que se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam
Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

natalia nuno

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natalia nuno

natalia nuno

teço sonhos...

há silêncio no meu peito
a noite vai madura
e há luar que
o meu rosto emoldura
trago a esperança a madrugar
na esperança de ver-te chegar
a saudade cresce de mansinho
pressinto-te a cada hora
a estreitar-me nos teus braços
pela noite fora...com carinho
então sou flor aberta
aroma que a ti se oferta.
quando o luar se esconder
vou-te dizer
- és tudo o que a vida tem
pra me oferecer!

natalia nuno
255
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natalia nuno

natalia nuno

como da primeira vez...

Como da primeira vez

Sinto seus lábios no meu rosto
Amámo-nos com se fosse a vez primeira!
E no encanto do momento havíamos posto
Olhos nos olhos e silêncio na noite inteira.

O tempo parou é nosso o mundo!
Unidos no silêncio então nos amámos
Caímos num sonho belo e profundo
Cumpriu-se, num só corpo nos tornámos.
Fiquei vencida no teu corpo como frágil flor.
Aí é meu lugar, aí descanso e ainda habito
A mim te entregas com paixão e amor
E num louco desejo, soltamos um grito.

Surge uma tempestade, louca de efusão
Até nossos pensamentos ficam ausentes
Só os sentidos vivos como cratera de vulcão
Explode em nós o Amor como água nas nascentes.

rosafogo
natalia nuno
413
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16alkaspoetry

16alkaspoetry

AL PENSAR EN TI



Cuando
en ti pienso,
lluvias me mojan
afuera y por
dentro...
Hasta el sol,
se oscurece
en silêncio...!


alkas poetry
25/1/18
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natalia nuno

natalia nuno

promessas d'amor...

a tarde empanturrou-se duma luz doce
luz que nos enche o peito de ternura
e aos ouvidos me embebedas
com juras e promessas d'amor
que me adoçam o coração...
o sol ainda brinca nas folhas do limoeiro
é rápida a paixão da tua procura
no fim do delírio, e da emoção
esquece-se o mundo inteiro
os corpos despojados de prazer
ficam num total abandono
até chegar o sono,
fechar os olhos é como renascer

na avidez do tempo
cada vez mais depressa a vida
e a cruel verdade
de que já tudo é só saudade

o tempo nos vai apagando,
com um ar cansado
me abraças sobressaltado
já só estamos sonhando.
rompe a manhã que será diferente
recomeçaremos tudo novamente
com a firmeza de seguir
até que os sonhos sempre regressem
e o amor não extinguir.

natália nuno
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natalia nuno

natalia nuno

palavras soltas...

Amar-te é meu segredo
amor é malha que teço
tua ausência me dá medo
e ao temer tanto padeço...

corre o tempo e faz-te meu
tu perdido, nunca chegas!
este amor por ti cresceu
e tu amor tanto te negas.

não querer-te assim,
eu queria,
é tanta a minha agonia
quanto mais te nego
mais te quero,
e no desespero
é grande o meu apego
apregoo aos quatro cantos
que um dia?!
perco o fio à meada
e nem com reza aos santos
farás de mim tua amada

natalia nuno
352
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natalia nuno

natalia nuno

verdes sonhos do meu dia a dia...

Hoje é a solidão
a fazer-se em mim tempestade
e a palavra que me abala, "saudade"
a perseguir-me até à morte
a deixar-me sem norte.
O outono não me larga a porta
por dá cá aquela palha
rio ou choro
não há poema que me valha
contra esta corrida desenfreada
que é a vida... apreensiva,
trago a alma mal vestida.

Hoje tudo me é indiferente
como se nada tivesse de meu
apenas a solidão da alma,
faço olhos grossos à gente
que passa por mim,
e deixo que rajadas de vento
me levem o pensamento.

Hoje ninguém é capaz de entender
porque viajo no tempo,
os desassossegos que é ver
meu olhos que arrasam por tudo e
por nada,
o esconder o rosto entre as mãos
as premonições (que adivinho)
as mudanças que em mim
fazem escalada
arrancando-me sorrisos derradeiros
o que mais queria...tudo contra mim
se alia...
- foram-se
- verdes sonhos do meu dia a dia.

natalia nuno
331
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natalia nuno

natalia nuno

quadras perdidas...

O tempo é inquietação!
Sonhos tive noite e dia
Nenhum ao alcance da mão
P'ra quê o sonho servia?

Volto costas, vou deixando
Remo já contra a corrente
Na viagem, vou remando...
Levo raiva sigo impotente.

Fica a Vida cor de cinza
Remei milhas deixei atrás
Estou cansada embora finja
Que a mim, já tanto me faz!

Não sei para onde vou
Nem para onde quero ir
Já meu barco se soltou
Sem razão para partir.

Aumento o rítmo da remada
- Sou p'la Vida coagida!
Pela corrente sou levada
- Nesta tarde já caída.

Quero muito, muito pouco
Já nem do tempo dou conta?!
- Ando neste Mundo louco.
Já levo a Vida a uma ponta.

natalia nuno
322
2
1
natalia nuno

natalia nuno

quero...trovas soltas

quero sonhos, são meus
quero-os roseiras em flor
quero sorrir aos olhos teus
dizer-te amo-te, com ardor

quero fazer versos à solta
semear letras ao vento...
quero alegria à minha volta
ser-me poesia chão sedento

só preciso dum abraço
me sustente a coragem
trago na alma o cansaço
desta tão longa viagem

as noites trazem perfumes
estrelas lâmpadas d'ouro...
trazem os dias azedumes
e aberto na face o choro

correm lágrimas a fio
sufocado é o soluçar
a inspiração é arrepio
deixa o Poeta naufragar

estas páginas são tristes
nelas vincos do passado
o que nos meus olhos viste
vem do coração agitado...

depois que importa morrer
se só memórias o que ficou
se só é triste o meu viver
e tudo depressa passou?!

quis o destino... assim quis
agora os dias venturosos
ainda que pobre mas feliz
memórias, tempos ditosos

natalia nuno
rosafogo

Maio 2005
285
2
lusitano

lusitano

Mais um...

Alma voa sem rumo.
Como um pássaro machucado,
Bate a cara no muro.
Gritos e sussurros;
Pararam para ver a desgraça,
Morreu mais um...
Que burro!

Esse aí, com certeza,
Conheceu o amor
E se cegou de ódio.
Coitado... Aprendeu a lei da vida!

Uma hora tu és amado,
Outrora és odiado.
No fim de tudo,
Ninguém entende esta mudança.

Um... Dois... Três e...
Não, não era o já!
Um, dois, três e...
Já, já aparece no jornal:
"Outro jovem tentou se matar".

Que bagunça!
Creio que está havendo um conflito.
Amor e ódio em uma constante batalha.
Passa dia, passa semana, passa ano...
Não acaba!

Às vezes eu penso que o pecado é,
Além de ruim, muito necessário.
Apenas pecando tu podes aprender.
É como se fosse um ditado popular:

Se te jogarem pedras,
Faça uma pedreira!
274
2
Alberto de Castro

Alberto de Castro

NOS MEUS VERSOS

Nos meus versos
finjo que estou
em um planeta feliz,
onde não há sede nem fome
e onde a mentira não existe
e somente a verdade persiste.

Neste mundo de meu Deus
sou apenas um aprendiz,
finjo que o nosso amor
é sagrado e feliz,
mas na verdade ele
é insano e profano.

Nos meus versos,
finjo que tudo posso,
tudo é admitido,
tudo é permitido.

Apenas nos meus versos.
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Frederico de Castro

Frederico de Castro

Na morada dos meus silêncios...



Na morada dos meus silêncios se embriagam as noites
Esculturadas pela solidão mais instigante
Esfarelam todo sonho carcomido pela ilusão prostrada
Na soleira do tempo expectante e substantivo

Na morada dos meus silêncios concebo todo antídoto
Para as minhas tristezas deixando por envenenar o vulto
Das angustias inquiridoras pernoitando entre o tédio
Quase perfeito destes versos errantes e derradeiros

Na morada dos meus silêncios acudo a esperança
Fervendo entre os seios descalços do teu ser quais contagiáveis
E recriadas preces que decifro de forma tão insaciável

Na morada dos meus silêncios reencontraram-se os meus
Segredos...deixando no degredo da vida um imensurável prazer
Armadilhado nesta parafernália de sonhos que penso satisfazer

Frederico de Castro
1 572
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