Escritas

Lista de Poemas

Pela Escrita

Através dela somos divididos
E somos portadores da divisão.

Por ela aprendemos um país
Apreendido.

Dela passamos para nós:
Tornamo-nos, assim, subvertidos.

Por ela quebramos os limites
Do conhecimento.

Má consciência nas palavras.
E nos actos.

Do acto à escrita, intensidade:
A escrita é o acto mais atento.

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O Pão

Não
é ainda um seio
Mas quase. Na brancura.
Porém, onda de leite
A branca levedura.

Um mecanismo incerto
De ferro e madrugada.
A fome e o excesso
Futuros. Na seara.

A fome e a carência
De sol(o) para a boca.
Não é ainda um campo
De areia. Ou terra solta.

Um campo descampado
Um canto com bolor.
É arte que se move
Minéria como a água.

Engenho de palato.
Alvéolo de pulmão.
Respira-se o exemplo
De sol. Oxigénio

Não é ainda um círculo
Branco por toda a mesa
Manchado na toalha
De sombra e aspereza.

Não é ainda uma ave
Descendo sobre a pele:
Um mecanismo triste
Movendo a boca breve.

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Um Fruto Anunciado

Um fruto anunciado
numa operária que trabalha no amor.

Um que rompe a terra após a chuva
e de novo lhe cai. Amargo arado.

Fruto solar. De sol e cálcio.
alcalino até ao coração.

O tanque resumido. Ou corpo húmido.
Toda a luz que cabe numa boca

De limos de volume. Espaço claro
e habitado em rio na garganta.

Um fruto, um claustro anunciado
num corpo de operário em combustão.

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Os Amorados

Na amurada dos navios, na improcedência
Das aves sem lugar, desalojados,
Vão.

E se descobrem um sinal ou um resíduo
Da terra original, é só a móvel,
A geográfica terra do sistema.

Tomados já de amor, in amorados,
Buscam só a morada, sem prefixo.

E, no entanto, há mapas, há sistemas
De orientação indica dores:
É ali, em tal lugar, em tal
Memória.

Um mito embalsamaram
No coração sem metafísica.
Entre sinais de voo e de metáfora
Entre um cantar e a sua escrita.

Palavras que rebentam....

Palavras que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando

Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.

É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.

Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.

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Palavras que Rebentam

Palavras
que rebentam. Aflorando
A pedra, a solidão, deslizam, vagas,
Gramaticais, roendo inconformadas
As arestas, o atrito, puras. Quando

Nos líquidos, no éter, na distancia,
Diluem-se e morrem acabadas.
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas:
Combatem, rumorosas, cal e cântico.

É dificil atarem corpo e vida
Aos que vivem e morrem subjacentes
Subjazendo, talhados para mina.

Mas despertadas, bem ou mal medidas,
Rebentam em ogiva, funcionais
Chamas supostamente adormecidas.

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