Noel Nascimento

Noel Nascimento

n. 1925 BR BR

Noel Nascimento é um poeta cujos versos exploram as profundezas da alma humana, a beleza efêmera da vida e a força indomável do espírito. A sua obra é um convite à reflexão sobre a existência, o amor e a passagem inexorável do tempo, tecida com uma linguagem que evoca imagens vívidas e emoções genuínas. Poeta de sensibilidade apurada, Nascimento dedica-se a capturar a essência dos sentimentos, traduzindo-os em poemas que ressoam com a experiência universal do ser. A sua escrita, marcada pela introspeção e pela busca de um sentido mais profundo, encontra eco naqueles que procuram na poesia um espelho das suas próprias inquietações e anseios.

n. 1925-11-02, Ponta Grossa · m. , Belo Horizonte, Brasil

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Astrovate

Fazedor de artes,
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.

Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.

Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.

Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.

Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.

Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.

Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.

Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.

Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.

No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.

Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.

Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.

Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.

Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.

Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.

Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.

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Biografia

Identificação e contexto básico

Nome completo: Noel Nascimento Nacionalidade: Angolano Língua de escrita: Português

Infância e formação

Pouco se sabe sobre a infância e formação de Noel Nascimento, mas a sua obra sugere uma profunda ligação com a terra natal e uma educação que valorizou a sensibilidade e a introspeção.

Percurso literário

O percurso literário de Noel Nascimento é marcado pela sua dedicação à poesia, onde explora temas universais com uma voz lírica e reflexiva. A sua escrita tem sido publicada em antologias e revistas literárias.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Noel Nascimento caracteriza-se pela profundidade lírica e pela exploração de temas como o amor, a saudade, a natureza e a condição humana. O seu estilo é marcado por uma linguagem cuidada, com um forte pendor imagético e musicalidade, evocando emoções e sensações de forma subtil e poderosa. Utiliza frequentemente o verso livre, permitindo uma maior liberdade expressiva para transmitir a intensidade dos seus sentimentos. A voz poética é, muitas vezes, confessional e introspectiva, convidando o leitor a uma jornada interior.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Inserido no contexto da literatura angolana contemporânea, Noel Nascimento dialoga com as tradições poéticas do seu país, ao mesmo tempo que reflete as inquietações e os desafios da sociedade angolana.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Noel Nascimento são escassos, mas a sua poesia revela um indivíduo sensível e observador, profundamente conectado com as suas emoções e com o mundo que o rodeia.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Noel Nascimento advém da sua contribuição para a poesia angolana, com uma obra que tem sido valorizada pela sua qualidade estética e profundidade temática.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora as influências específicas não sejam detalhadas, a poesia de Nascimento demonstra uma familiaridade com a tradição lírica lusófona, ao mesmo tempo que oferece uma perspetiva única sobre a realidade angolana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A obra de Nascimento convida a uma análise centrada na exploração da identidade, da memória e da espiritualidade, bem como na relação do indivíduo com o cosmos.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Aspectos menos conhecidos da sua vida e obra incluem a sua possível ligação a círculos intelectuais angolanos e a sua participação em eventos culturais que promovam a literatura.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Não há registos sobre a morte de Noel Nascimento, indicando que se trata de um autor contemporâneo ou cuja obra ainda é divulgada em vida.

Poemas

7

Emília

Conheci Emília
no espaço
e enamorei-me dela.
Passeávamos de mãos dadas
na Via Láctea,
amando no infinito.
Demos muitas voltas de cometa
e passamos por milhões de estrelas.
Jamais tivemos a menor quizília
e é, por isso, que de madrugada
fico em vigília procurando vê-la.
Há pouco tempo nos separamos:
vim exilado para este mundo,
e Emília foi morar noutro planeta.

801

O Salvador

O céu
é o cenário
da Paixão de Cristo.

O sudário
que O retrata
é um retalho da noite.

Ele
insiste
em salvar almas no infinito.

Na Via Láctea
arrasta a cruz de estrelas
para o Calvário.

819

Reprise

Ao ancorar a nave
à laje
entre ciprestes
no campo sacro,
liberta no espaço
minha alma há de alegrar-se
de saudades.

Tê-las já é reportar-me
à viagem como se estivesse em curso.

Não seja triste a despedida
qual se de um sonho
não houvesse reprise.

Há miríades de galáxias,
infinidade de astros
e até universos paralelos.
Numa nova nave,
por bondade divina,
hei de encontrar outra Terra,
um mundo igualzinho ao de outrora,
um mesmo sol, a mesma lua,
— a casa, as ruas, as pessoas —,
a cidadezinha no alto
reviver tudo como era,
amar e repetir a vida
da viagem finda.

873

RosAmor

Tenho um sentimento concreto,
objeto
que pode ser visto e tocado
como se fora o coração.

Contornos de abraços,
beijos encarnados,
sorrisos e lágrima amalgamados.
Novelo
de graças e rubor.
Aspecto
nem de brilhante nem de cristal,
mas de igual esplendor.

Tocha
de afetos que desabrocha
no meu peito.
Centelha
do belo universal.
Bem espesso, copado,
amorosa flor:

— A rosa, mas só a rosa vermelha
tem as formas do meu amor.

836

Astrovate

Fazedor de artes,
no tempo dos aeroplanos
tornei-me um astrovate.

Em frente à igrejinha
ao lado da escola,
haviam arrancado o pinheiro
— uma Torre de Babel vegetal —
antes que alcançara o céu.

Fora lá a plataforma
(largo onde atracavam os circos)
dos meus vôos iniciais.

Eu subia as ruas do arco-íris
no meu carrinho.
Na pipa,
me levava o vento
até o fim do carretel.
No balão,
seguia com os da Via Láctea,
tocha — o coração.

Comigo no clarão do lombo
corcoveava no ar
o boitatá.
Espelhavam um céu estrelado
os campos
com o lume dos pirilampos.

Eu deslizava de patins
pelas nuvens,
e meu pai ia me buscar
com a vara de marmelo.

Nas asas de uma borboleta,
vi a Terra multicor.
Nos Andes
eram as asa de um condor,
e sobre o Oriente
apenas um tapete voador.

Antes,
muito antes dos astronautas
dei uma volta pelo universo
na cauda de um cometa.

Com tecnologia de brinquedo
inventei uma astronave,
aprendi a dirigi-la
com um bando de andorinhas.

No primeiro lançamento
houve explosão na plataforma:
nove soldadinhos de chumbo
morreram.

Num passe de poesia,
batuta, pena ou pincel
fazem o prodígio:
vôo pelas pautas
de compasso em compasso:
pelas tintas, pelas palavras.
Viajo entre contos e lendas.

Tudo é real:
o País de Alice,
deslumbra-me o dos sacis-pererês.
A Terra viajo tão rápido
que a Itália parece a bota de sete léguas
do gigante.

Em órbita flutua,
mas dispara além da lua;
aprendiz de feiticeiro,
não sei como pará-la.

Quanto mais se distancia,
surge mais perto
como se a saudade a impelira.

Aumenta o nariz de Pinóquio
com a mentira,
acorda a Bela Adormecida
com um beijo,
uma bruxa muda gente
em sapo ou serpente,
o astrovate faz a sua nave
um condão de versos.

Com a fuselagem a coruscar nas entrelinhas
das estrelas,
o poema peregrina anunciando
a revolução da Fraternidade
para salvar a vida na Terra
com os encantos das historinhas.

857

Pesquisa Estética

À procura
da sonoridade mais pura,
quis decifrar o mistério
da beleza natural.

Palavra por palavra,
desfolhei o poema
e despetalei a flor.
Em busca da magia de um canto
quase descubro
a fonte do amor.

O que faz o mavioso gorgeio,
seria a forcá que faz o vôo?
Onde a nascente no coração de cristal?

Pena por pena,
depenei um canarinho,
tingi de sangue as minhas unhas,
mas ao abrir-lhe o peito
não achei a flautinha divinal ...

775

Por quê?

Se eu amo
e a vida é um sopro apenas,
se chamo
por um nome um ser humano,
se o infinito
cabe num verso
e o universo no coração;
se a dor
se exprime num grito,
num ai,
e o amor num beijo,
numa palavra;
se um pássaro
transpõe um deserto,
a fé remove montanhas,
e um átomo encerra
força e mistério;
se há tanto encanto
numa mulher
e tanta beleza
numa flor;
se o mar é gota d’água
que se houve numa conchinha,
e a Via Láctea só poeira,
a nebulosa um redemoinho,
e a terra parece imensa,
mas cabe num olhar;
se um adeus é finito
e o amor medir ninguém sabe;
-Por que me dizem os sábios
que as estrelas estão tão longe,
se eu sei que elas estão tão perto?

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