Escritas

Lista de Poemas

O encontro

O encontro...
Luzes sorrindo do destino alcançado.
Cascatas em cores múltiplas combinadas
Vibrações sísmicas destruidoras do medo.
Orgulho passado ao vento lançado.
Receio jogado pelas mãos
Momento infinito que nunca foi cedo:
uma história prevista jamais um conto.

O encanto...
Sinal permissível ao intenso convívio.
Noite caindo sob o olho vigilante da lua
Choque tímido de escandaloso contentamento.
Ânsia colada nas asas do futuro que continua.
Prisão cercada de completo desprendimento.
Recompensa acariciada pelo suspiro de um alívio:
um destino implacável, um verdadeiro espanto.

A aceitação...
Convite sincero mascarado de pretexto.
Cumplicidade fiel de sorridente deleite.
Prazer amadurecendo sobretudo supremo.
Sutileza inteligente sempre num contexto.
Confirmação convexa e reflexa do lógico aceite,
Evidência que busca a recíproca ao extremo:
um sentimento mais nobre que a sorte lançada.

A convivência...
Entrelace de nós amarrado com firmeza.
Clareza da situação divisória do refúgio.
Prelúdio do êxtase sempre e sempre vigente.
Semente paciente contemplada pela paixão.
Refrão uníssono com verso diverso.
Reverso adverso à perda sorrateira da razão:
a condição já é filha de uma premissa alcançada.

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Poeta Baiano Contemporâneo

I
Enlouquecendo, observo o tempo passar
Num sucessivo desenho sem bússola a marcar...
Logo que percebo esta cadência de heróico astral,
Ocorre-me à idéia da captura do segundo capital
Um ímpeto gigante traduzido em furor
Que, embora intocável, mostra-me pavor. É o
Ultimato que recebo e percebo.
É a certeza de que o escore fossilizado é
Concentrado no seu próprio contexto impregnado
Entardece a minha consciência...
Navega a minha paciência...
Dissipam-se os meus conflitos...
Ofuscam-se os meus delitos...

Estou certo de que o instante
Se cornporta sendo gestação de juventude,
Tomado pela captura de um certo flagrante
Ou pela busca de máxima magnitude
Ultrapasso e solto meu laço.

II
Caminhado incansavelmente na direção,
Aposto na corrida pelo desempate...
Marco o labirinto, mas a minha afobação,
Idealizada numa fuga em arremate,
Não me proporciona histeria, somente alegria.
Hei de ser um fugitivo da instabilidade,
Apesar de ser socorrido pela fragilidade
Na hora em que me encontro distante
Do grito, do rito, da cura incessante!
Oro, às vezes choro, mas nunca demoro...

Vou exibindo uma forma com estrutura
Onde cada flanco se encaixa na conjuntura:
Uma honra, minha sombra, jamais cãibra.

III
Seguindo adiante,
Encontro, triste, a censura:
Gentileza ou sutileza do destino que me força à clausura,
Uma fadiga que tenta impedir-me avante.
Inconformado, porém não impune,
Necessito da denúncia que ora se reúne,
Ditando seu próprio neologismo,
Ofertando-me todo empenho do seu fisiologismo.

Esta castração é para mim mesmo apática...
Sequer necessita de dose homeopática. Ela é
Totalmente desvirtuada de propósito,
Apesar do seu domínio em mim não ter depósito.

Trilha de carência em decadência.
Rumo de vida, de opção assumida.
Inferno de pó, para quem está só.
Luta ferina de própria doutrina.
Hipérbole neurótica da lógica ou ótica.
Abismo sem luta para quem reluta.

IV
Jamais pensei que a força do improviso
Abandonasse a minha fome.
Mesmo que uma sede me venha como aviso,
Atravessarei, desatinadamente, um oceano
Inundado pelo nome, agitado pelo plano.
Serei seguido somente, sem ser suprimido.

Serei acerto e não fútil.
Experimentarei a ilusão útil.
Retratarei a razão por mim caricaturada
E, encontrarei a defensiva suturada,
Invertida, comprometida, machucada.

Ilha incendiando, impera-me a criatividade inesgotável
Limites são o meu calvário.
Habitualmente, são pontos de controle insuportável
Atirando-me de encontro ao meu desejo visionário.

V
Estarei assim, fazendo figa cirandar,
Sendo cópia de um choro,
Tomado por causa falada em coro:
Acrobacia de um filósofo do sonhar.
Repetirei a tentativa trêmula
E, agitarei esta pequena flâmula,
Inventando uma linguagem de tatuagem.

Espalhando a poesia como fermento,
Sentirei que o fenômeno é movimento
Paulatino que se exibe estratégico,
Afora seu comportamento léxico.
Lançarei ao vento a eutanásia evaporada,
Hipnotizada pela crença sem freio,
Aonde a inabilidade da escrita for encontrada
Num instante em que o devaneio
De um poeta seja a porta indiscreta,
Ou um arrobo gêmeo do seu próprio roubo.

VI
Meu caminho se lançará sem temer o adultério
Em ondas de acúmulo sem aborto:
Um bálsamo de etéreo acordo.

Canto, encanto, desato e afronto,
Assim conseguirei sobreviver
Num espaço onde a consciência
Toma conta da paciência,
Ordenando-lhe sua incansável fonte de saber.

Meu instante que sempre se renova
Está prestes a se tornar múltiplo :
Unitários mesmo só a vontade nova e o gesto último.

Mando celebrar a minha reza,
Acabando com a minha passividade
Num altar perfumado pela luz vermelha
Distorcida na verdade que se reveza,
Ocultando a imagem iniciando a minha nova viagem...

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