Neves e Sousa

Neves e Sousa

1921–1995 · viveu 74 anos PT PT

Neves e Sousa é um autor que se destaca no panorama literário português, sobretudo pela sua contribuição na área da poesia. A sua obra é caracterizada por uma profunda sensibilidade lírica, pela exploração de temas universais como o amor, a morte e a passagem do tempo, e por uma linguagem cuidada e evocativa. Com um estilo que por vezes se aproxima do simbolismo e do modernismo, Neves e Sousa constrói um universo poético denso e introspectivo, que convida à reflexão sobre a condição humana e a busca por sentido.

n. 1921, Fundão, Castelo Branco, Portugal · m. 1995, São Salvador da Baía, Brasil

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Angolano

Ser angolano é meu fado, é meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!
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Biografia

Identificação e contexto básico

Neves e Sousa é um poeta e escritor português. A data e o local exatos do seu nascimento e morte não são amplamente divulgados em fontes públicas, sendo uma figura cuja informação biográfica detalhada é por vezes escassa. Contudo, é reconhecido pela sua obra poética em língua portuguesa.

Infância e formação

Os detalhes sobre a infância e a formação de Neves e Sousa são limitados. Presume-se que tenha tido uma educação que lhe permitiu desenvolver o seu gosto pela literatura e pela escrita, absorvendo as influências culturais do seu tempo e ambiente.

Percurso literário

O percurso literário de Neves e Sousa é marcado pela publicação de obras poéticas que lhe valeram reconhecimento no meio literário. A sua poesia, embora por vezes inserida em contextos mais restritos, demonstra uma maturidade e uma profundidade que lhe conferem um lugar particular na literatura portuguesa.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Neves e Sousa caracteriza-se por uma lírica intensa e reflexiva. Explora temas como o amor, a saudade, a efemeridade da vida, a natureza e a espiritualidade. O seu estilo poético é frequentemente marcado por um vocabulário rico, pela musicalidade do verso e por uma forte capacidade de criação de imagens sensoriais. Embora associado a uma estética mais tradicional em alguns aspetos, a sua poesia contém elementos de modernidade na forma como aborda a subjetividade e a complexidade dos sentimentos. Pode ser considerado um continuador de certas tradições da poesia lírica portuguesa, com um toque pessoal e introspectivo.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Neves e Sousa inseriu-se em diferentes contextos culturais e históricos ao longo da sua vida de escritor. A sua obra reflete, em certa medida, as preocupações e as sensibilidades das épocas em que viveu, dialogando com a tradição literária portuguesa e com as correntes estéticas do seu tempo.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Neves e Sousa são escassas, o que é comum a muitos autores que priorizam a sua obra em detrimento da exposição pública da sua vida privada.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Neves e Sousa advém principalmente da qualidade da sua produção poética, apreciada por leitores e críticos que valorizam a profundidade lírica e a mestria da linguagem. A sua obra, embora talvez não tão amplamente divulgada como a de outros autores, detém um lugar de apreço no panorama literário.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado As influências de Neves e Sousa podem rastrear-se em poetas da tradição lírica portuguesa e universal. O seu legado reside na sua contribuição para a poesia em língua portuguesa, oferecendo uma voz autêntica e uma exploração sensível de temas perenes.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Neves e Sousa convida a uma interpretação que valorize a subjetividade, a emoção e a reflexão sobre a existência. A sua obra é um convite à contemplação da beleza, da dor e dos mistérios da vida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos A natureza discreta de Neves e Sousa faz com que muitos aspetos da sua vida e do seu processo criativo permaneçam menos conhecidos pelo público em geral.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Os detalhes sobre a morte de Neves e Sousa não são amplamente conhecidos, mas a sua obra perdura como um testemunho da sua sensibilidade e talento poético.

Poemas

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Angolano

Ser angolano é meu fado, é meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...

A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!
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Limites dos Sete Cantos da Cidade de S Filipe de Benguela

Recreei-te em saudade e cor
Quando me afastei de ti
E os limites que te fiz
São dentro do meu sentir.

Por cima a cor neutra e desdobrada
Dum céu de cinzas de passado.

O Sombreiro como um marco
marco um lado.

As curvas nuas e douradas
de montes femininos
Nus até à cintura verde
Verde dos longos canaviais
Anunciam o limite de Benguela.

Na areia a longa e estreita ferida
Do Cavaco
Escorrendo o sangue de água
Que abre em bananais sombrios
Caminhos às fábulas de antanho
Marca outra fronteira da Cidade.

Para outro lado estende-se o sertão
Palmeiras espetadas pelo mato
Como flechas da aljava
do Soba Caparandanda
Sombreiam a curva dos caminhos
Perdidos na imensidão...

Por outro limite tem Benguela
Saudade no meu coração
E pela frente aberto e vasto
Tem este mar ardente de oiro e poentes
Este mar imenso que sorri ao longe.

Este mar imenso que também chora
E conta histórias de espumas e naufrágios,

Mar que também banha os seios jovens
Das moças que embalam sonhos
Nas sombras azuis dos quintalões

Altas paredes de adobe
Cheias de sonhos e histórias

Que viram as longas caravanas da borracha
E passos perdidos pelos caminhos sem glórias

Molhadas de lágrimas,
Salobras lágrimas
De anseios há muito mortos...
Mais amargos do que o mar
O mar salgado que chora
Cantos de não mais voltar...

Lábios de mar, feitos de espuma, beijando o céu...

Sons dos sinos da Senhora do Pópulo
(Que sabem tudo e que viram tudo,
e nunca contam nada...)
Aconchegam os amantes que se beijam
nos velhos bancos verdes do jardim...

Sob as árvores antigas
Que o vento sul esporeia
Como uma zebra azul
Feita de nuvens e céu.

Coração quente e generoso de Benguela
Bairros do Benfica, Cassôco,
Águas da Cacimba da Rua Nove
Repouso claro e lento
De luas nascidas longe
Na noite semeada de astros
Como olhos de Cazumbis,...

Na noite enorme e feiticeira da cidade

Bruxuleante do bruxedo de fogueiras
Feitas de amores velhos, carcomidos,
Adormecidos, nas velhas casas compridas.

E de fogueiras de verdade que acalentam
Ritmos de guardas da noite
tocados em quissanges melodiosos
Subtis como a própria alma da brisa
Que arranca da terra o sangue vivo
Duma pena antiga que se perde...

Noite semeada de batuques
Batuques que me parecem

O palpitar dum coração imenso
Que se esvai nas noites desdobradas
Num rosário de auroras sucessivas.

Minha Benguela nocturna e antiga
Das amplas ruas cheirando a mar
Colmeia de lembranças que me ferem
Perante a dura realidade do progresso...

Volta:
Volta para os sete limites deste sonho
Sob a grande tristeza vegetal das frondes
Cheias de mistérios ancestrais
Do meu passado que não volta mais...
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Ilha de Moçambique

Ilha de oiro e angustia
Feita de sol e de prata
Marfim talhado em relíquias
Cobre batido do vento
Num moinho de saudades.

Fortaleza escancarada
A memórias esquecidas...

Senhora do Baluarte velando
As brancas velas do Canal.

Sermões de S. Francisco Xavier
Guardados nas rochas de coral.

Riquexos vagueando ao sol
Brancas praias sonolentas
Enfeitadas de saris e cofios
Brancos, pretos, encarnados

E rostos cor da verdade
De viver num monumento
De prata, de oiro e de cobre
Cobre batido do vento...

Portico dos sonhos, momento
de indias descobertas e vencidas
Monumento, monumento,
De memórias esquecidas...

Além-portas de marfim
Paredes meias com a História
Dentro da fama e memória
Para que nela sempre fique
A Ilha de Moçambique.
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Lembrança

Passa um vento morno,
Um vento morno
Na trémula palmeira,
Na neblina prateada.

Envoltos na ténue distância
Morros azuis de mata
Lá ao longe.
Algures um sino suave tange.

No vento ondula como flâmula
Uma saia berrante cor de sangue.

Árvores de fruta pão
Bailando, mãos abertas,
Leques de bananeiras
Oscilando lentamente.

Visão fugidia, retratada
Por inteiro
No livro silencioso da memória.

Lembrança de São Tomé,
Sangué, trémula e prateada...

Saudade de São Tomé...
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