Escritas

Lista de Poemas

Fazer estrelas

Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.

Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.

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Delírios da tarde

Traz-me tua boca e deixa que pouse
aqui sobre os meus seios. A tarde vai
pelo meio e desde a aurora o corpo meu
sedento te deseja.

Dá-me tua língua em minha língua para
que eu te excite, movimentos meus no
céu da boca e dentes, lábios quentes sobre
os teus deixam escapar gemidos.

Fecha os olhos, deita enquanto esfrego em
tua pele meus mamilos; tua bunda e coxas
minha boca e dentes. Ouve o meu pedido
urgente em teus ouvidos.

Sente os movimentos ondulantes meus quadris
em tuas ancas, sobe e desce lento e mexe e vira
e olha, sente. Segura meus quadris em tuas mãos
e gira e gira e puxa e tira e puxa novamente.
Olha.

Meu olhar para ti flameja e o ar me falta. Tua
boca nos meus seios, gemo. Tua mão meus pêlos,
púbis, grito. Minha voz e teus gemidos, minhas
mãos tentam tocar o infinito enquanto gozo
louca no teu colo, enquanto sinto teus
espasmos dentro.

Findo.
Minhas mãos na tua pele em lanhos do meu desejo.
Marcas púrpuras do teu beijo em meu pescoço.
O suor da tua pele no meu corpo.

Canso. E adormeço nua e acolhida em teu abraço.

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A pele e o vento

Quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.

E se o Vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pêlos
a Pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.

(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a Pele
e suas mãos segura.)

então a Pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do Vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do Vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo

e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;

sente nas costas o peso
do Vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;

tem dentro de si o corpo
do Vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);

quando a madrugada vem
e o Vento sopra
a Pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
diferente.

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Duplar

eu e você
deixar a boca
resvalar para
a outra boca
no beijo úmido
intenso, ávido

duplar
eu e você
em par
em perna
em mão
em coração batendo
lírico, lúcido
ímpeto
de estar
de entrar
sair
ficar
entrar
gozar
em par

duplar
em voz
em beijo sôfrego
em língua úmida
nos seios túrgidos
duplos
pêssegos
bicos tépidos

duplar
em olhos cúmplices
em mãos de artífice
na pele ardente
nas mucosas cálidas
límpidas, púrpuras
em pernas escancaradas
envolventes
sobre
as costas pálidas

duplar
eu em você
em secreções, saliva
você em mim
em contrações
espamos
múltiplos
nós dois
como um barco
à deriva
sem hora ou
lugar
para chegar

duplar
eu em você
você em mim
ávidos
máximos
gozar
em par
de modo ímpar
até ficarmos
fartos
cansados
tontos
de orgasmos
múltiplos
tantos
únicos

duplar
eu em você
dormir
e nem perceber
o corpo
sorrir.

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Espera

1.

A pele anseia o toque, arrepia,
transbordando desejos. Lábios e
língua antecipam o beijo esperado
olhos semicerrados
boca entreaberta
(delírios!)
Sobre os lençóis em desalinho,
ela espera
(seios que se oferecem,
coxas que se contraem)
espera.

O corpo dela exala as secreções
mais belas
ancas de acasalar
(tortura!)
a mão passeia lânguida no lento
passar das horas, como a confortar
pele, púbis, pêlos,
os dedos procuram consolo, não quer
espera.
Ainda que a noite esteja deixando
seus olhos, espera; ainda que o fogo
da lareira se apague, espera.

2.

Esta noite quer apenas o homem
que espera, entregar-se a ele,
amá-lo por toda a noite como a
ninguém, antes. Olhá-lo do modo
lindo que inventou,
então espera.

(O desejo a consome, o contato
dos lençóis na pele nua, as mãos
tocando displicentemente os
mamilos à luz amarela e frágil
da lareira que ilumina o corpo
em torturante expectativa)

Guarda-se pare ele. Espera.
Porque seu desejo só se realiza
no desejo dele, na cumplicidade dos dois
fundindo-se, ardentes, executando
o mais belo e primitivo ballet

3.

(sôfregos, lindos, dançando
lentos, girando,
bocas, línguas, mãos, suores,
girando
o corpo dela em movimentos
sensuais de amores
ele dentro dela, delírios,
para sempre dentro dela
a alma o corpo, o amor o olhar
lindo que ela inventou
paixão, ternura, naqueles olhos tudo
o corpo dele sobre o dela
o seu beijo
a língua
a pele
as mãos)
imagens que ela inventa
antes de adormecer.

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O terceiro elemento

eram ele e ela
dois,
os dois apenas
ela por ele
em cima
ele dentro
embaixo
atrás
ao lado
dentro dela
ela gemia
ele sorria
ela gritava
ele batia
puxava os cabelos
dela e ela inclinava
ainda mais as ancas
giros fortes
ela
ele
dentro dela,
apenas os dois.

então ela por cima
o comia
feito um homem
dizia quieto
dizia mexe
dizia goza
ela por cima
dele,
ele dentro dela
ela pedia
dizia mete
dizia fode
mandava nele
e ele só fazia
o que ela queria.

e então um dia
ele dentro dela
o dedo dela
escorregou pra
dentro dele
ele gemeu
brigou
não quero
machuca
e ela ouviu
sorriu
enquanto o dedo
dela brincava gentil
dentro dele
e ele não mais
resistia.

e não bastou
para ela, não.
ela sabia
o que ele queria
embora ele não
soubesse que podia
então no ouvido
dele
sussurrava
coisas esquisitas
aflita, louca

ele dentro dela
sempre
ela se contorcia
em gozo, tonta
mas queria outro
com eles
queria outro
na sua boca
enquanto ele
a fodia.

então dizia rouca
a ele
a sua fantasia
no ouvido dele
o outro descrito
como ela queria
contava e ele
o que o outro
fazia
enquanto ele,
cada vez mais louco
a fodia
forte
um garanhão
ela
tesão que o consumia
pedia mais
mais forte
enquanto dizia
e ele o que seus
olhos viam: o outro
sobre ele
enquanto ele a
comia
as pernas dele
abertas
enquanto ela
puxava as nádegas
dele e o abria
para o outro
que o fodia
o outro que a
beijava sobre
os ombros dele
e ele via
e punha a própria
língua entre as
línguas deles: do outro
que o comia e dela, que
ele fodia bem e forte
como só ele sabia

ela falava
e ele via
e ele sentia
e queria
desvairado
louco
tonto
embarcar naquela
fantasia
que era dela - e por
ser dela,
ele se desculpava
isso o redimia
e então ele
podia
ser o macho
ser a fêmea
e ele podia
ser qualquer
coisa
qualquer forma
de prazer valia
e ele punha
os dedos dele, juntos
na boca que ela
oferecia
e junto com ela
lambia
chupava os dedos
grossos,
os dois
ao mesmo tempo
e os dedos eram
o pênis do
outro que ela
queria.

juntos
podiam tudo
até tornar o outro
mais que fantasia
e isso era
o que ele mais queria
e isso era
o que ele mais temia.

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Sims

Eu quero sims...
sims na tua boca
na tua pele
no meu cabelo esparramado
em travesseiros
sims em sucessão
estroboscópica
no meu olhar caramelo
nos meus pêlos
nas gargalhadas que darei
- e darei, acredite-me.

sims brotando roucos
na garganta
escapulindo pelos
lábios, a língua
provocante procurando
sims na tua boca
no gosto da tua boca
no perfume que a tua pele
exala, no teu olhar que
inebria.

sims que quero ver
na chama que arde
trêmula, nas sombras,
sentir os sims nas mãos
que passeiam lânguidas
ávidas, a minha pele
de seda, a tua masculinidade
o teu suor, o meu suor
de quem é? de quem são?
os sims que ouço, de quem?
sinais, paixões
essas estrelas, de quem?
esse luar no cristal
esses cabelos abundantes
que cobrem teu rosto
percorrem teu corpo.

sims para cada parte
que minha boca vasculha
meus olhos nos teus
olhos sims!
nas bocas se confundindo
na língua que brinca
comigo
sims nas pernas
entrelaçadas
nas mãos e nas unhas
riscando as costas, sims!
o corpo em arco, olhos
fechados em sims,
gemidos,
sims de portas escancaradas.

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