Lista de Poemas

Silêncio da solidão

Silêncio entrelaça solidão
Vagando horas a fio
Noite e dia reinando
Concedendo as sapatilhas d'alma
Andarilho sem rumo
Vagando sob o estrelar
Só ouvindo o silêncio
Apenas vendo o vazio
Sentindo frio nos ossos
Congelando o relógio
Os ponteiros vagarosos
Que num piscar completa o ciclo
Ao som do silencioso vento frio
Às portas adentrando
Em núpcias com a solidão
Gerando o tédio do vazio
Levando ao desconhecido
Um caminho de pedras e lama
Tropeçadas na palpável escuridão
D'um dia cinzento e silencioso
Em fria nevoa, apenas, caminhando
Sozinho em seu silêncio
Ao som da congelada batida do coração
Segue o moribundo solitário
Em suas lágrimas secas e congeladas
Mascara a peça de sua vida
Sozinho no palco
E o teatro vazio
Sem luzes ou som
Apenas o monólogo
Do ator andarilho moribundo
Encenando sua solidão
Em último ato sua vazia alma
Encenada num teatro vazio.
👁️ 119

Confraria póstuma

À confraria, a imortalidade
Aos confrades, irmandade
Imortalidade aos versos
Aos irmãos, textos eternos
Versos em vida ou póstumos 
Unem vidas, esperanças e fé
Fé na esperança no recitado
Inalado, respirado, ..., vivo
Confrades à imortalidade
Fraternidade em liberdade
Póstumos em igualdade
Irmãos às portas livreiro
Em suas mãos o universo
Liberdade em fraterna igualdade.
👁️ 126

Luminária

A noite desce e o silêncio abre às portas do sono que chega envolvendo corpo e mente. 
Sonhos, lembranças, déjà vús, ..., às vezes apenas esquecimento envolvendo uma noite repousante e renovadora. Lembranças e os déjà vus... Nostalgias de uma caminhada encontradas nas caixas de memórias abertas, algumas próximas e outras distantes... memórias quase esquecidas, mas lembradas em pinturas nostálgicas de uma vida. O que ilumina nossa noite? Luminárias em cabeceiras ou em mesas ao fundo do quarto... Mas alí está, reduzindo a escuridão simplesmente na necessidade de luz para haver segurança e vida... noite, és especial em jantares românticos, filmes românticos, repouso de corpo, mente e alma. 
Dia e noite não são antagônicos, mas se completam no entrelaçar da corda da vida. Talvez o yan ping seja o equilíbrio do dia e noite, onde um termina e outro começa em uma continuidade perfeita como a perfeição da aliança. Silêncio da noite é romance, repouso, vida, sonho,..., equilíbrio. Luminária... Bela és!
👁️ 129

Outra noite

Outra noite sem visita.
Mente viaja sem lógica,
Em si mesma perdida.
Folhas ao vento  está.
Outra noite sem visita.
O sono perdido no labirinto,
Em paredes de arbustos,
Fantasmas encrustado...
Outra noite sem visita.
Incógnita da mente ligada
Lâmpadas nos arbustos...
Fraca, singela, apenas, em
Outra noite sem visita.
Desistente em adentrar, e
Atravessar com sua lamparina
Enfrentando seu  pior medo!
Outra noite sem visita.
Sem visita do humano
Sem presença duma vida
Seu medo de seu fantasma, em
Outra noite sem visita
Que fantasma que duela
Uma vida frígida e outra ardente,
Um duelo de dois guerreiros, e
Outra noite sem visita.
Em retalhos cosida,
Pedaços de história,
Manta de fragmentos.
Outra noite sem visita.
Soprando vazia,
Dores de retalhos,
Histórias inacabadas,
Sem somestesia, em
Outra noite sem visita.
Devaneios no labirinto,
Perdido em seus becos,
O sono esqueceu-se... e
Outra noite sem visita.
👁️ 116

Veredas


Um apaixonado por cerejeiras viu-as ao longe e caminhou seguindo sua beleza e frescor.
Por horas de caminhada seguiu seu perfume viu-se numa vereda íngreme.
Mas ainda sentindo o perfume, esmoreceu.
Olhou levemente ao seu Sudoeste, e viu um declive suave e uma praia ao longe,
Parecia-lhe ouvir o som das ondas.
Uma vereda em declive suave e hipnotizante e, a outra vereda, aclive ainda mais íngreme;
olhou o caminho irregular, pedregoso, esburacado com moitas e espinhos...
As cerejeiras tornaram-se foscas e eram como se não houvessem existido.
Parado era como se sentisse os espinhos na carne em pés torcidos pelo caminho pedregoso
o perfume fez-se sangria podre envolvendo seus sentidos.
Porém, ali, noutra vereda, praia, sol e tranquilidade.
O que mais poderia querer em meus dias que a glutonaria?
Vale ter os dias em dores por uma cerejeira, ou ...
o gozo da glutonaria na afrodisíaca praia junto a festas cercado por glutões e ninfas?
Perfume? Que seja da beleza das ninfas em delícias festivas de Baco...
Cerejeiras, dores, aclives, qual seu fim se meus dias têm fim?
Veredas... veredas em gozo de festivais,
Festas regadas à fartura, vinho e ninfas.
Alguns trilharam a via dolorosa,  
Fazendo-se Odisseu e Perseu seguiam pelo caminho peregrinando sob zombaria.
As pedras pelo caminho e espinhos cravando em suas mãos; sangue em pegadas.
Um tempo e mais um tempo de subida, chegaram a um córrego límpido, em suas águas saciavam sua sede enquanto as águas lavavam suas feridas cobertos pelas águas.
Ali, a sua frente, a cerejeira com seu perfume tomando todo seu ser.
Em beleza indescritível como um sonho, o sabor das cerejas com sua brisa.
O som da canção dos pássaros e sem arrependimento, mas cura, descanso e paz.
Porém, aquele, lá a beira da praia, corpo, mente e alma tomados.
O convidado fez-se escárnio de seu anfitrião,
Fê-lo objeto de glutonaria e luxuria a mesa de apostas.
Mas a pior dor lhe deixou: lágrimas de sangue em perpétuo arrependimento.
👁️ 183

Dama da noite


Rompe o silêncio cada passada
Pisada firme, delicada, graciosa
Num gracioso passo a frente d'outro
Sob seu salto fino escarlate
Levam meus olhos a passearem 
Lendo os envoltos e detalhes da escultura
Emoldurada nas curvas do vestido
Que fixam meus olhos ofegantes
Caminhando palmo a palmo admirado
Admirando seu vestido preto desenhando
A formosura de duas pernas e estuprado
Sem ar no rasgo em sua coxa impinotizantes
Meu coração acelerando a passear 
Viajando a estação de seus quadris esculpidos
Detalhando a beleza de sua silhueta ...
Um gole seco da boca seca sedenta
Acompanhando a navegação à cintura
Envolta numa delicada cinta dourada
Destacando- se na negritude do vestido
Que impulsiona os olhos à escalada
Acelerando os batimentos em ansiedade
Chegando a segunda cava de seu vestido
À cima da cintura abre a cava rumo aos bustos
Envolvendo -os, salientando -os, saltando aos olhos
Valorizando aquela escultura à mão
Os olhos instigados a prosseguirem
Subindo ao pescoço graciosamente tentador
Ao fundo as mexas de seus cabelos ondulados
E, em fim, aquele rosto em perfeita simetria
Seus olhos clamando junto aos seus lábios:
Beije-me como se houvesse apenas esse momento
Beije-me porque só há esses minutos nessa pintura
Acalme, acelere, transborde meu coração
Sou a dama de sua noite. 
Sele a noite com a paixão de nossas palpitações...
👁️ 145

Noite sem visita

Outra noite sem visita.
Mente viaja sem lógica,
Em si mesma perdida.
Folhas ao vento  está.
Outra noite sem visita.
O sono perdido no labirinto,
Em paredes de arbustos,
Fantasmas encrustado...
Outra noite sem visita.
Incógnita da mente ligada
Lâmpadas nos arbustos...
Fraca, singela, apenas, em
Outra noite sem visita.
Desistente em adentrar, e
Atravessar com sua lamparina
Enfrentando seu  pior medo!
Outra noite sem visita.
Sem visita do humano
Sem presença duma vida
Seu medo de seu fantasma, em
Outra noite sem visita
Que fantasma que duela
Uma vida frígida e outra ardente,
Um duelo de dois guerreiros, e
Outra noite sem visita.
Em retalhos cosida,
Pedaços de história,
Manta de fragmentos.
Outra noite sem visita.
Soprando vazia,
Dores de retalhos,
Histórias inacabadas,
Sem somestesia, em
Outra noite sem visita.
Devaneios no labirinto,
Perdido em seus becos,
O sono esqueceu-se... e
Outra noite sem visita.
👁️ 117

Cancioneiro da noite

Lembrando Caetano e Leonardo,
Lendas do cancioneiro brasileiro,
Cada um cantando a seu tempo
O silêncio da noite sendo narrado.

Levante os olhos e deslumbre
Em negrume cortina pontilhada
Faz-se a bela noite estrelada 
Aguardando ter seu vislumbre.

Vislumbre da cortina noturna
Onde cada vida se envolve
Sonhando acordado a vida.

Em meio a noite encontrar fé
Hoje não será o ontem sem vida
Mas, encontrará um novo arcode.


Por Wendel Jacinto
👁️ 119

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments