Lista de Poemas
Possessão
Quando você está
num daqueles dias,
possuído,
até o latido do cachorro
lá fora é poético
Tudo que você toca
vira ouro
Seus desejos se realizam,
porque você decodificou “O Segredo”
de Rhonda Byrne
Você até quer dialogar
com o autor dos olhos
serrados de Maceió
O autor das unhas
cheias de tinta
E ele vem de lá do fundo
da anti-memória parnasiana
e descobre que foi assaltado
e morto, mês passado
De repente uma vibração
sobre a pele eriçada
— é uma presença
dentro do quarto
O border collie da vizinha
uiva, e você vê
os sapados vazios
do seu irmão pentecostal
marchando com baratas
sobre as rédeas dos cadarços
num daqueles dias,
possuído,
até o latido do cachorro
lá fora é poético
Tudo que você toca
vira ouro
Seus desejos se realizam,
porque você decodificou “O Segredo”
de Rhonda Byrne
Você até quer dialogar
com o autor dos olhos
serrados de Maceió
O autor das unhas
cheias de tinta
E ele vem de lá do fundo
da anti-memória parnasiana
e descobre que foi assaltado
e morto, mês passado
De repente uma vibração
sobre a pele eriçada
— é uma presença
dentro do quarto
O border collie da vizinha
uiva, e você vê
os sapados vazios
do seu irmão pentecostal
marchando com baratas
sobre as rédeas dos cadarços
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Dois lugares
Dizem que o tempo passa
Nuvem que ninguém percebe
Arco, arcabouço, fumaça
Um ardor de amor perene
O campo cheio de aguerridos homens
Os estandartes, as lançam não cansam,
e nenhum grande fim ao nosso sangue, jamais!
O vento quente e a poeira fina roem os nossos olhos
O herói é só mais um enceguecido
e que chora às primeiras notas da canção
Envolvido em paixão confusa, esqueceu-se do lar
E após, eu sempre digo — Assenta-te aqui,
amigo antigo! Conversemos! A palavra é abrigo
e o fogo não cessa de queimar em nosso
meio, amolecendo o ferro das espadas
Nuvem que ninguém percebe
Arco, arcabouço, fumaça
Um ardor de amor perene
O campo cheio de aguerridos homens
Os estandartes, as lançam não cansam,
e nenhum grande fim ao nosso sangue, jamais!
O vento quente e a poeira fina roem os nossos olhos
O herói é só mais um enceguecido
e que chora às primeiras notas da canção
Envolvido em paixão confusa, esqueceu-se do lar
E após, eu sempre digo — Assenta-te aqui,
amigo antigo! Conversemos! A palavra é abrigo
e o fogo não cessa de queimar em nosso
meio, amolecendo o ferro das espadas
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Encéfalo Altar
Eu cultuo minhas ideias
Eu adoro estas imagens,
em espírito e em verdade
Há uma vela acesa no Templo do Ócio
Eu assumo que sou idólatra
Ergui altar de pedras cortadas pelo Sol
para saudar as minhas
divindades pessoais,
meus santos subjetivos,
minhas sinapses essenciais
Uma epifania — pensar meus pensamentos
O templo é circular, não tem portas nem saídas
Rezar em língua portuguesa demora
Chorar meus ancestrais
que estão noutro céu d’outro alfabeto
Assumo que sou idólatra
Assumo que deus sou eu
Minhas ideias bebem dos meus sangues
Eu as cultuo em minhas preces
Eu mesmo me abençoo e de deifico
Uma vela acesa no templo ditoso,
meu hipocampo e lobo temporal
Eu cultuo minhas ideias em língua portuguesa,
dentro deste vão de naus naufragadas
Um dia ascenderei e serei mais caboclo,
mais tupi no pensar, quem sabe menos luso
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Comentários (1)
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Octaviano Joba
2019-06-29
bela reflexão....poemas inspiradores...
Wellington Amancio da Silva é sertanejo nascido e criado no interior das Alagoas. É servidor público da Educação, formado em Filosofia e mestre em Ecologia Humana. Publicou livros de ficção e de ensaios. É membro do editorial da Revista Utsanga — Rivista di critica e linguaggi di ricerca. Co-fundador do GT Arborosa. Editora das Edições Parresia. Destacam-se os livros, “Figuras da indiferença” (2019), “Gumbrecht leitor de Martin Heidegger” (2020), “o reneval” (2018), “Apoteose de Demerval Carmo-Santo” (2019), “Os outros, sertão de argila escura (2021). Há publicações avulsas nas revistas, Mirada, Ruído Manifesto, Germina, Gazeta da Poesia Inédita (Portugal), Magma (USP), Revell (UEMS), Letras Raras (UFCG), Literatura & Fechadura, Aboio, Diverso Afins, 7Faces, Eutomia (UFPE), Sítio (Portugal), Tyrannus Melancholicus, Revista Toró, Revista Torquato, Mallarmargens.
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