Escritas

Lista de Poemas

Palavra

Palavra:
Serve para lavra do sentido

Tem palavra tudo
Tem palavra nada
Tem o absurdo
Que não diz sentido

Falta de ruído
da palavra surdo
O silêncio doido
Da palavra mudo

Cabe na palavra
Tudo que se diga
O que não se diz
Não se contradiz
Cabe no silêncio

O que contradiz
Cabe mais ainda
Cabe na loucura
Cabe no profeta
Cabe na procura
Cabe no poeta

Tem palavra dura
Dita como golpe
Como uma descarga

Tem palavra pura
Santidade ou fé
Tem palavra amarga
Gole de café
A palavra morte
Tem fatalidade
Serve como norte
ou finalidade

Tem palavra nome
Que não tem um nome
Que só seja seu
Cabe em um nome
Qualquer um que some
Dentro deste nome

Um exemplo disso:
Eu não sou Vinícius
Eu sou este outro
Que também Vinícius
Nas Vinicitudes
Falo deste outro
Que morou no nome
Que agora é meu
O Moraes que mora
Dentro do pronome
Que não sou mais eu

Cabe em um nome
Qualquer um que some um sentido seu
Dentro deste nome
Um qualquer Fernando
Não qualquer pessoa
Que já chega entrando
O Pessoa do Fernando
Mais Pessoa que Fernando
Ou quem sabe menos
Pois ao ser Pessoa
Não Fernando apenas
álvaro, Alberto, Ricardo ou Bernardo

Cabe em um nome
Qualquer um que seja
Pode ser meu eu
Ou quem sabe o teu
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Tejo

Sou,
sem ter sido
Estou,
sem ter ficado
Voltei,
sem ter chegado

Nestas idas sem voltas
Reviravoltas das palavras
Que dizem o que não foi
Mas que mesmo não sendo,
foram acontecendo

Um Tejo
Que apesar de rio
é mar
E mesmo sendo
Não é

Não é Tejo na aldeia em que nasceu
Chega sem ter partido
Pois outro nome o leva onde chega

É o Tejo o meu rio pois não é
Tão somente é lembrança
Como a língua (das palavras que não falo)
Não é minha
Este rio também não

É herança que não chega
Sempre falta
Não me basta
Esta língua
Das palavras que não calam
Só carrega mais lembrança
Da saudade que só há
Nesta fala lusitana
Que de lusa não se dá

Na herança que não tenho
É meu rio este Tejo?
Sou eu este que invejo
Esta gente d`além mar?

Vem de longe
Desde antes
Tão mais antes
Que nem sei
Se desde sempre
Ou quem sabe
Desde nunca
Vem de terra
Vem de vela
Atravessa denso mar

Mas não chega

Esta gente
Esta fala
Este rio (que não é)
É linguagem
Nada é tudo
Tudo passa
Tudo é nada

Ele passa
Mas não chega
Não me canso de lembrar
Ele passa
Tudo passa
Mas não cansa
Não se cansa de passar
Ele passa
Ele passa
Outro rio

Eu não passo
Não me canso de pensar

Ele passa
Outro rio
Não meu Rio
Como a língua
Mais lembrança
Que verdade
Mais herança
Que palavra
Não alcança
Sempre falta

Nunca chega este rio
Da palavra que não há

Outro rio dáoutro povo
Ele passa mas não passa
É distância

Neste rio que me leva
Outro nome me carrega
Ao rio que não sou
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Sem título

Sempre é desnunca
Nada é destudo
Ser é deslocado de mim mesmo
Poesia está em não estar
Não na significância das palavras
Mas na insignificância das despalavras
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Metalinguagem

A palavra verdade é mentira
Não há verdade sozinha
Em cada esquina da trilha
Alguma verdade caminha
As letras dos ditos declaram
Palavra sozinha
não cabe na frase
Só cabe na margem
Sozinha de frase
Sozinha de nome
Solitária de sentido
Sozinha de som
Quase a palavra silêncio
Mas a palavra silêncio não cala
Se diz

Palvra sozinha é palavra
Pois toda palavra é tudo
Somente a palavra palavra
é tão somente palavra

Toda palavra sozinha se diz
Toda palavra palavra se lê
Até a palavra silêncio se fala
Até a palavra deserta tem sede
Mesmo a palavra sozinha fala com a palavra ao seu lado
Puxando logo um assunto
Então a frase não para
só na palavra sozinha

A palavra sozinha não sabe ser solitária
Mata logo o silêncio

Neste poema sincero
Faço a palavra sozinha
Tornar-se palavra assassina
Não a palavra que mata
Mas àquela que ressucita
Ela sozinha não fica
Logo logo se excita
A frase lhe nega sentido
De que adianta o sentido
Se sentir não se sente
Não vale a língua dizer
Se ela não fala a verdade
Poema é tudo mentira
Palavra é tudo sincera
Não sabe mentir caladinha
Não sabe ferir o leitor
Já conta logo historinha
Para não deixar o poema
Ficar tristonho assustado
Em estado de puro absurdo
A língua não mente sozinha
Quem arquiteta é o poeta
Palavra poeta não rima
Palavra poeta não poeta
Fica sozinha, calada
Mas palavra silêncio não cala

A palavra rebelde poema a vida inteira
Servindo à todos a mentira sincera de tudo
Se fosse tudo palavra sincera
Nada seria inteiro
A palavra é meta...
...................de
...................fora
...................linguagem
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