Lista de Poemas
Fala mulher
Três adeuses me destes:
O primeiro, absorto;
E os segundos, inertes;
Sem feridas, mas morto.
Vi passar no teu peito, o tempo,
Que como um escape que escorre,
Me fez sentir-me tal o vento
Que não percorre, socorre.
Imaginei os momentos,
Mas não dei pelo drama.
Vem cantar que me ama
Vou contar meus lamentos.
Velton Viés
Manifesto do Desarmamento
Venham, meus caros!
Entreguem seus carros,
Seus copos de vidro.
Não ouvem os disparos,
As bombas e os tiros?
Entreguem objetos cortantes:
Facas, agulhas e garfos;
Os dentes e as unhas dos gatos.
Boicotem açougues e restaurantes;
Façam deles sindicatos
E tirem as flechas dos arcos.
Extraiam os ferrões das abelhas;
Sejam democratas adestrados.
A nós, o controle das ovelhas
E todas as armas ao Estado.
Jornal da Censura
Está começando mais um “JotaCê”,
O jornal que te põe a mercê.
Dizem os especialistas:
Pão, circo e desonestidade;
Essa é a cara da pós verdade.
Os jornalistas do “que é que tem”,
Ja têm uma nova trindade.
Pau, mas para eles.
A censura vem de repente,
Veste e mente, veste toga.
Justiça não está em volga;
"Se'ocê roubou, 'ocê é inocente".
Não se engane amado amigo,
Nem toda censura é censura.
É censura se dói meu umbigo,
Ao inimigo é a justiça mais pura.
Pau, mas para eles.
Fede o esgoto de São Paulo,
Lá onde vivem piranhas
Vermelhas e barbudas.
Loucas por b e r g a m o t a s,
Operárias de boca torta.
E no circo de Curitiba,
Dois palhaços muy famintos,
Do jornalismo dependente,
Em frente a um platelminto,
Como espelhos frente a frente,
Batem no peito sorrindo:
“Oh, meu amado presidente”.
(Velton Notlevire)
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