Escritas

Lista de Poemas

Pedido de Socorro

Isolado na sombra negra da noite.
Preso numa ilha onde ninguém há de encontrar.
Sofrendo no âmago do meu ser...
A solidão me assola.
Incompreensível...
Palavra que define meu ser,
Preso nesse mundo de sofrimento e dor,
Preso nessa terra de intolerantes que não compreendem,
a angústia... a angústia... angústia... que tenho que suportar.
Não quero a esse mundo pertencer.
Não quero nessa terra me afogar.
Não quero nesse lugar sufocar-me com os ventos da desesperança.
Desesperança de que tudo irá ficar... bem.
Quero transcender esse ser que já não sou.
Quero emergir das profundezas da tristeza.
Quero voltar a respirar livremente.
Quero... muito... encontrar-me.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 832

Girassol Mortificado

Nos dias radiantes,
o astro rei tu refletias.
Até mesmo nas manhãs mais excruciantes,
de melancolia não padecias.
Brilhavas livremente,
sem que a teu brilho pudessem impedir.
De cor viva eras tu,
tão viva que os fazia sorrir.
Até que então veio a tormenta,
e de cor escura
o teu céu cobriu.
Logo, começaste a ficar gélido, pálido;
e então... finalmente...
tornaras-te mortificado.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)


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O motivo

Minha fonte de inspiração?
É minha dor.
Dor de existir.
Dor do não pertencimento a esse mundo.
É ela que me mantém vivo.
É ela que me dá forças para superar cada dia,
cada situação.
Cada interação.
É doloroso, percebe, caro leitor?
Relacionar-me com essas pessoas; ter que encará-las.
Me sinto um estranho ao lado delas.
Sinto-me como se não fizesse parte do ambiente em que vivem.
Sinto que não faço parte do seu mundo.
Ah! O seu mundo.
Dizei a mim: como tu consegues viver nele?
Mundo de aparências, de superficialidades, de... de... mundo de nada.
Mundo de mentiras que a ti engana, mas a mim jamais enganará.
Acho que por isso nele não consigo viver.
Por isso, não sou capaz de me identificar,
de me reconhecer,
de saber quem verdadeiramente sou.
A minha dor, caro leitor, é essa...
É essa solidão, esse vazio,
esse sentimento de não fazer parte do mundo de mentiras.
A dor que vivencio, é a dor de não poder ser quem sou.
Por isso, a viver de aparências nesse lugar, preciso.
Só o que me resta, é relatar minha pungente dor.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 768

Vivendo o tormento

Sorrisos, felicidades e pessoas.
No ambiente que me cerca,
não vejo saída.
Tudo que vejo são sorrisos, felicidades e pessoas.
Por quê? Por quê?
Por quê? Eu me pergunto.
Me pergunto o motivo dessa alegria,
que em mim já não vive mais.
O que vive em mim é a tristeza,
que me assola, que me massacra por dentro.
Me destrói por inteiro,
e me entrega ao vento.
Vou assim vivendo.
Levado pelo vento.
Junto com meu sofrimento.
Vivo assim meu tormento... vivo assim minha vida.



Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 714

Contradições do isolamento

Solidão, és tu?
és tu solidão?
Sim, és tu.
Tenho certeza!
Não vá solidão...
Não vá.
Não deixe-me aqui.
Não me deixe para trás... sozinho.
Não a tenho mais.
Ela se foi.
O que será de mim agora?
Se até a solidão me abandonou.
Não tenho ninguém.
Não vejo ninguém.
Abandonaram-me.
Então agora estou... só?


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 779

Os massacrantes dias

Nas sombras densas da solidão, me encontro. Solitário, sofrendo, morrendo por dentro. Sendo massacrado pelos mais dolorosos sentimentos: medo, angústia, desespero, dor. Sei que ninguém irá me encontrar, ninguém irá me resgatar, ninguém irá me socorrer... me amar.
Na penumbra vivo meus dias. Nela me massacro, me desconsolo, me perco. Me perco no vazio da existência, na penúria da alma, na imensidão da amargura, no exílio da dor.
Vai, vai, não volta, morra. Morra comigo, esperança. No meu túmulo permaneça; e não reapareça, não cresça, não floresça... não amadureça. Perdida fique em mim, e em seguida, desapareça.
Não sei se preciso de ti - acho que sim. Mas não te suporto, não aguento ver-te rir, ver-te feliz, ver-te tão... esperançosa. Não a quero mais. Minha amargura toma meu ser; suportar-te não consigo.
Resignar-me-ei em meu castelo da solidão. Nele estarei pelos restos de meus tristes e cinzentos dias. Nele morrerei, e de lá não ressurgirei.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 738

O impasse

Devolveram-me a vida?
Ou trouxeram-me a morte?
Difícil saber;
difícil distinguir vida e morte.
Ambas estão separadas
por uma linha tênue.
Uma dela está presente em mim...
só não sei qual.
Antes era a dor que me fazia sentir vivo,
mas, ao mesmo tempo, fazia-me querer não estar.
Sei que parece contraditório,
porém não o é.
A dor da solidão era o que me movia.
Como não há dor,
não há motivo para viver.
Mas não quero sentir dor.
Entretanto, quero viver...
Encontro-me diante de um impasse.



Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 806

As nuances de se estar vivo

Dor? Tristeza? Angústia? Solidão? Temor? Aflição? Não sei o que sinto - acho que sinto todas essas emoções - pra falar a verdade, não acho, tenho certeza. Certeza tenho desse sofrimento que reside em mim, dessa apatia de viver, desse desespero em estar vivo... desse medo da vida. Tens medo da vida? Sim, o tenho. Medo tenho do sofrimento, da amargura, da tristeza, que assolam meu ser. Medo tenho de viver. Dor tenho; de viver.
A morte não me amedronta. Nos braços dela quero repousar, me acalmar, me reconhecer. Nela busco transcender; busco a mim. Busco buscar quem realmente sou. Quero poder saber quem realmente sou. Deves estar a pensar: como pode ele querer se descobrir na morte? Tens que descobrir-se em vida. Estás enganado, caro interlocutor. Essa vida a mim não deixa saber quem sou; não me deixa senti-la, experimentá-la... vivenciá-la.
Não quero realmente a gélida e pavorosa senhora do sono eterno. Quero apenas a mim; apenas quero encontrar-me.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
👁️ 735

Relato do desespero

Chorar. Sinto vontade de chorar. Por quê? É simples. A resposta sou eu. Fico triste por não me encaixar no mundo. Por não fazer parte. Não consigo sair. Não consigo me relacionar. Motivo de tudo isso? Estou preso. Prenso numa cela interna. Cela essa localizada em minha mente. Mas nem sempre estive nela. Me colocaram lá. Isso. Me colocaram lá. E agora cá estou. Vivendo uma vida sem sentido. Sem alegria. São raros os momentos em que sinto que estou alegre. Quero sair. Quero ver o mundo. Mas não consigo. Pois estou preso. E essa é uma das piores prisões que tu podes imaginar, caro leitor. Essa é a prisão do ser. Exatamente. Meu ser está aprisionado. Não posso libertá-lo. Não posso interagir com pessoas. Não posso sair. Tudo motivado pelo aprisionamento de meu ser. Por quê? Me pergunto todos os dias. Por que aprisionaram meu ser. É doloroso. Muito doloroso não poder ser livre. Liberdade para mim é uma utopia. Utopia essa muito distante de onde me encontro. Ah, caro leitor, se tu sentisses o que estou a sentir. Não! Não desejes sentir isso. É doloroso, massacrante, angustiante. Por fim irei terminar esse relato. O termino dizendo: - Me ajude. Tire-me daqui. SOCORRO!


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
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Relato de um dia comum

Sentei-me para escrever, mas já não sei porque o fiz. Queria contar-lhe como estou a me sentir, porém, não sei se é possível. É tão difícil caro leitor... não consigo explicar-lhe. Entretanto, "tentar não custa nada".
Sinto-me triste na maior parte do tempo. Se não estou a me sentir assim, sinto uma angústia. É uma sensação de "frio na barriga", de aflição. Raros são os momentos em que estou alegre. São tão raros, tal como a única estrela a brilhar num céu escuro. Esse céu é meu ser. Ser esse que pressinto estar morrendo aos poucos; quiçá, já está.
Leitor, não vejo mais esperança. É como se estivesse eu numa ilha deserta rodeada por um mar de desesperança, de angústia, de tristeza... de solidão. É isso... a solidão. Ela insiste em me fazer companhia, mesmo que eu não a ache muito agradável. (Convenhamos, quem é que gosta de uma visita chata em casa?) Mesmo eu a desprezando, ela não me deixa. Deves estar pensado: - Encontra uma companhia, assim não estarás mais sozinho. Essa não é a questão, meu caro. Mesmo com companhia, a abominável solidão ainda me assola.
Queria terminar meu relato dizendo que estou a me sentir bem agora. Queria poder dizer que somente comecei a escrever para me distrair, colocar o que sinto no papel e assim poder me livrar, de alguma forma, desses sentimentos que a mim não fazem bem. Todavia, a ti e a mim irei decepcionar. Não me sinto nada melhor.


Autor: RSS (Um poeta qualquer)
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Comentários (2)

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Alberto Castanheira
Alberto Castanheira
2020-07-03

Tanto sentimento!abraços

danielacavalheiro
danielacavalheiro
2017-10-15

Muito bom, passa tanto sentimento que nos faz sentir o peso das palavras.