Lista de Poemas

O Vazio em Mim

Queria escrever um verso
Que meu coração clama expressar
Versos cansados e desacreditados
Queria dizer o quanto dói esse nó
Que me sufoca
Mas o vazio em mim não deixa.

Queria que minhas lágrimas pudessem falar
Enquanto elas nascem e partem de mim
Queria ser livre pra dizer que não sou livre
E assim não me preocupar em esconder
Meu gélido reino caído
Mas o vazio em mim não deixa.

Sou distante, sou miragem
Sou inexistente no silêncio falido
Sou tudo e poder, mas nada nesse meu calar.

Estou imóvel quando eu queria ir
Para algum lugar onde não existisse
Esse velho eu aqui
Queria ser rápido e romper as eras
Queria ser mais do que uma alma oca
Imóvel e sem noção estou, não há socorro.

Queria cantar uma velha música
De acordes entristecidos pela dor
Não posso escrever meus versos póstumos
Pois eu já fui algo que aparento ser
Queria falar e assim findar minha dor
Mas o vazio em mim não deixa.
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Os Mares em Teu Olhar

Tão longe eu andei, para enfim entender
Que passageiro eu sou, de uma jornada tão breve
E os rios que percorrem meu rosto cansado
Desaguam nos mares que um dia eu vi
Nos teus olhos tão confusos
Você sumiu. Só eu não quis entender.

Caminho com os pés cansados
E o peito a gritar o teu nome num silêncio tão penoso
Choram as melodias da triste manhã
Choram as almas que ainda cantam sem entender
Que fechar os olhos é descanso nescessário
Para quem tão cedo venceu o mundo.

Naveguei em teu mares
Em busca de um nome, uma história
Sumo aos poucos como as estrelas
Que brilhavam no céu de minha infância
Meu chorar você conhece muito bem
Sou menino perdido num mundo tão frio.

Meu trilhar sempre foi solitário
Os mares do teu olhar
Hoje são os mesmos que hoje tenho em mim
Saudosas são as águas que em mim habitam
E sonolentas são as horas que antecedem o fim
Meu chorar você conhece muito bem.
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Somente Eu

Tudo está embaçado
Não sei por onde andei
Se enfim cheguei, onde existirei
Mas dentro de mim, somente eu
Sei dessa dor
Que é sumir distante de mim mesmo.

Não canto músicas alegres
Cânticos gososos dos anjos proibo.
Minhas velhas mãos
Cansadas. Somente eu
Sei o peso do meu fardo
E o castigo que é carrega-lo.

Me diga o porquê da dor
Me diga o porquê da dor, enfim
Se avante eu vou
Mesmo não sabendo onde estou?

Me diga o porquê da dor
Me diga o porquê da dor, enfim
Se distante me tornei
De um mundo condenado a loucura?

Bebi o mais triste trago
Meus olhos vidrados, me perdi
Nos meus lábios, realidades destruídas
E na neblina turva, somente eu
Vejo o meu futuro
Escurecer ao fechar os meus olhos.
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Comentários (2)

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anjocaido333
anjocaido333
2018-08-02

boa escrita.

tiamat
2018-06-28

A expressividade do seu sentir é encantadora. Parabéns!