Lista de Poemas

Mulher em Branco

Queria ter entendido antes, o teu ultimo abraço.
O braço grande á minha volta, a tua despedida.
Queria ter entendido tudo antes...antes de começar.
Não sabes os diamantes que mereço na vida, não sabem o que sente uma mulher, a mulher que trago vestida de outra mulher.

Hoje sou criança que corre que brinca, amanhã mulher que sofre, que se abriga, que se esconde das pedras apanhadas no ar.
Não tenho vontade de escrever palavras de vontade,
não tenho vontade de ter.

Sento-me na minha cama, junto os meus joelhos ao peito, e sinto a dor causada por punhos cerrados de silêncio.
Doi. Doi mais do que as feridas nos joelhos das crianças, doi muito mais do que o nascer.
Sento-me nesta cadeira e um liquido salgado percorre o meu rosto.

Sentes-te bem agora? Agora que sabes como estou?

Não mereço diamantes, nem sequer os quero. Queria-te a ti, nuvem recente, que outra pesada arrastou.
Apago aqui o meu coração, fecho o livro em branco que guardo de ti.
Talvez um dia queiras desenhá-lo outra vez, talvez antes de eu atirá-lo ao rio.

Riu triste, riu feliz...

"rio revolto que deseja unir-se ao mar.
Quer encontrar a paz e subir ás nuvens, que comovidas choram e trazem-no de volta á vida.
Rio revolto por lhe ser negado a paz eterna, rio que procura mais uma vez o consolo no mar." ( By F.)
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Canta, canta

Canta.Canta..canta

Nos meus ouvidos um som agradável embala-me o corpo.
Mas este meu estado de tranquilidade não fica. Há um corte no tempo, um rasante ruído que se prende no fim da agulha.
Lá fora, onde queria encontrar-me, o sol tem um sorriso sarcástico. Nem"Lições de Tango" ou "Sapatos de Rebuçado", muito menos "Vai Onde Te Leva O Coração"... talvez um " No Coração Desta Terra" ou outro Coetzee qualquer, mas não, nada me agarra aqui.
Corpo flutuante, pés colados ao chão, amarelo e falso.
O meu sentido continua pregado a ti, no teu sabor, na tua comida e na tua voz.
Canta para mim que eu escuto com a mesma perseverança de uma gaivota sobre a migalha perdida nos resíduos do asfalto.
Consigo imaginar-te apressado, com cheiro a refugado a cortar os legumes e a lavar os alhos.
O sol está a deixar de sorrir mas o meu, agora, é maior do que a boca da Emília.
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Não te deixo

Terno rosto sobre a palma da minha mão
Formam rios entre os meus dedos
Mantenho-me firme sobre sentimento, desilusão
Sem querer saber na face os seus segredos

Na merda um dia me encontrei
A solidão e a loucura me humilhou
Os sons das palavras escutei
Na noite que o amor me abandonou

Continuo com o rosto na minha mão
Rosto esse que não é o meu
Seguro-te nos lençois da escuridão
Mas EU não te deixo cair sobre o breu
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A morte de uma flor

Não entendo mais
A magia passada
A creditava em amor
E em contos de fada

Um futuro ideal
Eu queria ter
Querer ser médica quando criança
É quase um poder

A vida tão dura
Não mede esforços
Da minha flor no papel
Nem restaram destroços.
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