Lista de Poemas
Fome
A fome era meu pão,
Meu único sustento
Na ânsia louca
Por algum alimento.
Fome!
E era tudo que eu tinha de meu
Além de um corpo mirrado
Que mal se sustentava em pé.
Meus olhos cresceram,
Buscando qualquer coisa
Que garantisse
Mais um dia
(de vida?) divida?
Divida!
Dividida dívida.
Quem sabe um dia a mais
Para encontrar um paraíso
Onde a fome não fosse
O único pão.
Meu único sustento
Na ânsia louca
Por algum alimento.
Fome!
E era tudo que eu tinha de meu
Além de um corpo mirrado
Que mal se sustentava em pé.
Meus olhos cresceram,
Buscando qualquer coisa
Que garantisse
Mais um dia
(de vida?) divida?
Divida!
Dividida dívida.
Quem sabe um dia a mais
Para encontrar um paraíso
Onde a fome não fosse
O único pão.
👁️ 19
Alquimia
De repente me transformei num mago.
Agora sou senhor dos meus momentos,
E, quando quero, eu os torno mágicos.
Vem também...
Porque minha magia sem você
É uma fantasia sem cheiro e sem sabor.
O dom de Deus fez você mulher alquimista,
Capaz de transformar em ouro puro e reluzente
O chumbo que permeia minha vida.
Minha magia é boa,
E eu juraria,
Se jurar não fosse coisa ruim.
Mas eu mostro... Olha!
Transformei meu coração aniquilado
Num cadinho encantado
E nele misturo amor e sonhos,
Criando um elemento novo e eterno
Que tem o brilho da alegria,
A dureza do aço,
E a candura do bronze Que ecoa nos sinos.
Vem...
Minha magia é boa!
E eu juraria até,
Se jurar não fosse coisa ruim.
Agora sou senhor dos meus momentos,
E, quando quero, eu os torno mágicos.
Vem também...
Porque minha magia sem você
É uma fantasia sem cheiro e sem sabor.
O dom de Deus fez você mulher alquimista,
Capaz de transformar em ouro puro e reluzente
O chumbo que permeia minha vida.
Minha magia é boa,
E eu juraria,
Se jurar não fosse coisa ruim.
Mas eu mostro... Olha!
Transformei meu coração aniquilado
Num cadinho encantado
E nele misturo amor e sonhos,
Criando um elemento novo e eterno
Que tem o brilho da alegria,
A dureza do aço,
E a candura do bronze Que ecoa nos sinos.
Vem...
Minha magia é boa!
E eu juraria até,
Se jurar não fosse coisa ruim.
👁️ 26
Armadilhas
Há uma teia ligando todas as horas
Lânguida teia que oscila
E reflete as gotas de chuva
Que derramei ainda agora.
Há uma teia
E até parece o amor
Uma armadilha
Ligando todos os seres
Em dimensões
impossíveis
Fazendo uniões
Inconcebíveis
Juntando pares
Inusitados.
Prendendo seres
Que buscavam
Liberdade.
Lânguida teia que oscila
E reflete as gotas de chuva
Que derramei ainda agora.
Há uma teia
E até parece o amor
Uma armadilha
Ligando todos os seres
Em dimensões
impossíveis
Fazendo uniões
Inconcebíveis
Juntando pares
Inusitados.
Prendendo seres
Que buscavam
Liberdade.
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Busca
Há em mim uma poesia contida,
como o badalar de um sino que não badala.
Como o som de um violino que nos recorda a alma
(mas que não ouvimos).
Lá fora cai a chuva de todos os ciclos,
num ritmo cálido e triste,
mas o coração está feliz e ouve o ritmo
como uma canção de alegria que nos conforta a alma.
Há sorrisos na memória.
Rostos, mãos e gestos. Silhuetas amadas
e esquecidas.
Há um burburinho dizendo
O corpo é apenas um braço, a mão,
Uma fagulha que de nós se estende rumo a outro ser.
Não importa sexo e cor,
o amor acontece de um ser a outro,
e outro, e outro,
Porém, ser ser promíscuo,
ama um a um e ao mesmo tempo ama a todos,
Porque não há limites para o amor.
O amor não conhece a gravidade, o tempo, o espaço,
Não se acomoda em recipientes vazios.
Pelo contrário, cresce sempre,
como o ar quente que se expande, mais e mais,
Como a água que está sempre fugindo.
(olhando de perto vemos que não é uma fuga)
É um destino, um caminho,
que se contorce nas pedras do rio,
Abre passagem, supera desafios e vai, vai sempre,
em busca de um destino,
Sombrio, desconhecido,
Mas cheio de sonhos que projetamos,
Silhuetas que amamos
e que retornam na sombra que as folhas
Há um grito de dor, desejo irrealizado,
frustração!
Mas há um grito mais forte, de júbilo:
O tempo é senhor da razão...
e valerá a pena qualquer amor,
Qualquer amor valerá!
como o badalar de um sino que não badala.
Como o som de um violino que nos recorda a alma
(mas que não ouvimos).
Lá fora cai a chuva de todos os ciclos,
num ritmo cálido e triste,
mas o coração está feliz e ouve o ritmo
como uma canção de alegria que nos conforta a alma.
Há sorrisos na memória.
Rostos, mãos e gestos. Silhuetas amadas
e esquecidas.
Há um burburinho dizendo
que tudo se confunde numa coisa só.
O amor por cada pessoa é o amor por todas as pessoas.
O corpo é apenas um braço, a mão,
Não importa sexo e cor,
o amor acontece de um ser a outro,
e outro, e outro,
Porém, ser ser promíscuo,
ama um a um e ao mesmo tempo ama a todos,
Porque não há limites para o amor.
O amor não conhece a gravidade, o tempo, o espaço,
Não se acomoda em recipientes vazios.
Pelo contrário, cresce sempre,
como o ar quente que se expande, mais e mais,
Como a água que está sempre fugindo.
(olhando de perto vemos que não é uma fuga)
É um destino, um caminho,
que se contorce nas pedras do rio,
Abre passagem, supera desafios e vai, vai sempre,
em busca de um destino,
Sombrio, desconhecido,
Mas cheio de sonhos que projetamos,
Silhuetas que amamos
e que retornam na sombra que as folhas
desenham no chão.
frustração!
Mas há um grito mais forte, de júbilo:
O tempo é senhor da razão...
e valerá a pena qualquer amor,
Qualquer amor valerá!
👁️ 54
Formas de Amar
Quem ama o corpo
Ama o momento,
É como o incêndio vermelho
De um sol derradeiro
Que agoniza no céu.
Quem ama a mente
Recebe as águas de um rio
Límpido e inesgotável
Que se renova e cumpre
A missão de saciar
A sede humana.
Quem ama o ser que mora no outro
É parte do sol que incendeia
É parte do rio que nutre a alma
Completa a constelação
Das estrelas eternas.
E tudo ao mesmo tempo sente e partilha
Num fogo que consome e cria.
Ama o momento,
É como o incêndio vermelho
De um sol derradeiro
Que agoniza no céu.
Quem ama a mente
Recebe as águas de um rio
Límpido e inesgotável
Que se renova e cumpre
A missão de saciar
A sede humana.
Quem ama o ser que mora no outro
É parte do sol que incendeia
É parte do rio que nutre a alma
Completa a constelação
Das estrelas eternas.
E tudo ao mesmo tempo sente e partilha
Num fogo que consome e cria.
👁️ 143
Bênção
Algo de sagrado há
Quando profano o teu corpo,
Pois unido a ti sinto-me um.
Sinto-me abençoado
Pelo amor e pelo prazer
Que emanam do teu ser.
Algo de sagrado há
E sei que a mão de Deus colocou
Essa bênção silenciosa
E primitiva
Na união dos corpos, das mentes,
Das almas humanas.
Quando profano o teu corpo,
Pois unido a ti sinto-me um.
Sinto-me abençoado
Pelo amor e pelo prazer
Que emanam do teu ser.
Algo de sagrado há
E sei que a mão de Deus colocou
Essa bênção silenciosa
E primitiva
Na união dos corpos, das mentes,
Das almas humanas.
👁️ 117
Indígna Casa
Queria poder juntar os cacos do corpo frágil e humano
que somos todos nós.
Queria poder alinhavar tecidos partidos, frágeis órgãos,
frágeis corpos de pais, irmãos, avós,
que vão se dissolvendo
enquanto a vida vai passando indiferente.
Queria colar os cacos, fundir partículas,
construir um corpo perfeito,
um supercorpo capaz de resistir à vida,
de resistir à morte
que teima em se instalar em nós a cada respirar,
como uma bomba a nos dizer
que pode ser agora ou amanhã,
Na próxima curva, na próxima queda,
Em meio ao próximo riso ou da maior tristeza.
E ela vai nos roubando de nós, amaciando as resistências
desse frágil corpo que somos.
Mina nossos ossos, faz falhar o coração,
murcha a flor da nossa pele,
tira a cor dos cabelos, torna opaca a nossa visão.
Frágil corpo, para almas tão sedentas de vida...
E o corpo (mesmo que ainda são) vai se partindo,
se rasgando, se dilacerando,
Ao ver cair, sem piedade,
Um a um,
Os corpos de nossos pais, irmãos, avós,
Amigos, filhos, amantes...
Pobre corpo humano!
Casa indigna dessa alma sedenta que Deus nos deu.
Corpo dilacerado na dor de não poder juntar, alinhavar,
fundir, reviver, enfim,
Os corpos que de tão frágeis não comportam
a alma daqueles que amamos.
que somos todos nós.
Queria poder alinhavar tecidos partidos, frágeis órgãos,
frágeis corpos de pais, irmãos, avós,
que vão se dissolvendo
enquanto a vida vai passando indiferente.
Queria colar os cacos, fundir partículas,
construir um corpo perfeito,
um supercorpo capaz de resistir à vida,
de resistir à morte
que teima em se instalar em nós a cada respirar,
como uma bomba a nos dizer
que pode ser agora ou amanhã,
Na próxima curva, na próxima queda,
Em meio ao próximo riso ou da maior tristeza.
E ela vai nos roubando de nós, amaciando as resistências
desse frágil corpo que somos.
Mina nossos ossos, faz falhar o coração,
murcha a flor da nossa pele,
tira a cor dos cabelos, torna opaca a nossa visão.
Frágil corpo, para almas tão sedentas de vida...
E o corpo (mesmo que ainda são) vai se partindo,
se rasgando, se dilacerando,
Ao ver cair, sem piedade,
Um a um,
Os corpos de nossos pais, irmãos, avós,
Amigos, filhos, amantes...
Pobre corpo humano!
Casa indigna dessa alma sedenta que Deus nos deu.
Corpo dilacerado na dor de não poder juntar, alinhavar,
fundir, reviver, enfim,
Os corpos que de tão frágeis não comportam
a alma daqueles que amamos.
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Comentários (1)
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fernandoarroz
2020-05-18
amém
Sílvio Vinhal tem 56 anos, natural de Ituiutaba – MG. Arquiteto e urbanista, foi professor substituto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / Universidade Federal de Uberlândia e professor de Semiótica aplicada à Publicidade e Propaganda na Faculdade Politécnica de Uberlândia. Reside em Brasília desde 2007, onde é servidor público federal. Poesia, composição musical, design e jornalismo são outros fazeres seus. Ou vice-versa.
Colaborou com o jornal “Cidade de Ituiutaba”, onde publicava a página “Intelectomania” e com o Jornal “O Triângulo” (Uberlândia), onde editava o caderno de veículos e uma página de cultura.
Registra premiações em festivais musicais e lançou dois álbuns, “GEOgrafia”(1998) e “Cenário” (2001) além de participar dos CDs “Música do Cerrado II” e “Acervo Caiubi” (2009).
Na internet, desde 2006, mantém o blog “Fogo de Gelatina em Pó” e, em 2012, lançou o projeto “Músicas do Mundo”.
Livros Publicados:
O Tempo e o Jardim, Brasília, 2013 – Poesia - Artcontato Editora
AmaroAmor, Brasília, 2019 – Poesia - Artcontato Editora
Participação em Antologias:
Antologia Submundo, Uberlândia – MG - poesia, 2019 – Editora Submundo;
O Dia que o Samba Parou, Belo Horizonte – MG – Antologia de contos 2020 – Liga de Autores Mineiros.
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