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Lua e a Goiabeira

Quando Lua nasceu quem escolheu o seu nome fora seu pai. E não foi por acaso, pois o pai era um poeta, desses fazedores de versos entusiastas. Ele adorava recitar poesias para a filha. A mãe de Lua então, essa nem se fala! De tanto ouvir poemas românticos, se apaixonou e se casou com o pai de Lua.
Pouco tempo depois que Lua nasceu seu pai comprou um lindo sítio. Havia passado anos juntando suas economias para realizar este sonho tão acalentado. E finalmente conseguiu.
Por ter muitas árvores e flores, o sítio do pai de Lua era muito frequentado por pássaros de várias espécies, e pequenos animais silvestres.
Dizem que os passarinhos transportam sementes de frutos de um lugar para o outro. E é por isso que as vezes nascem árvores frutíferas em lugares que ninguém plantou nunca plantou nada. Isso acontece principalmente com frutos de sementinhas pequenas.
O certo é que próximo à casa de Lua nasceu um pé de goiaba. E o pai de Lua em uma das costumeiras limpezas nas redondezas da casa, percebeu aquela pequena plantinha. Tinha o aspecto já de uma arvorezinha, com aspecto muito saudável, verde e plena de vida. Lua era ainda um bebezinho quando seu pai descobriu aquela plantinha.
A mãe de Lua ia sempre com ela ver aquela goiabeira que crescia dia após dia, bela e saudável. Assim a menina passou a amar aquela árvore. Parecia até que a árvore era gente! Lua sempre conversava com ela e a abraçava carinhosamente. Tanto a goiabeira quanto Lua foram crescendo juntas.
Quando a goiabeira começou a dar frutos, Lua já era uma linda menininha, e em toda temporada de frutos, colhia goiabas daquela árvore.
Certa vez o pai de Lua quis cortar a Goiabeira, mas a filha lhe pediu carinhosamente para não a cortar:
- Papai, por favor! Não corte a minha goiabeira! Eu gosto muito dela. Ela é minha amiga. O senhor não vê que eu sempre brinco debaixo dela? Lá eu faço as minhas casinhas de bonecas. Em suas sombras eu também faço minhas tarefas da escola. – disse Lua, esperando que o pai, depois de todos os seus argumentos mudasse de ideia e desistisse de cortar a goiabeira.
O pai comentou:
- Nossa, como a senhora Goiabeira é importante para você filha! E o que mais a goiabeira significa para você? - questionou o pai.
- Eu adoro as suas goiabas papai! O senhor não gosta de goiabas? – perguntou, com um lindo sorriso no rosto.
- Gosto sim! Eu sou quase um bicho de goiabas! – disse o pai de Lua sorrindo.
- Então papai, somos dois bichos de goiabas! Porque eu também gosto muito de comer goiabas. Eu até sonho com elas! – Lua falava a verdade. Ela sonhava mesmo colhendo frutos nas goiabeiras. Talvez porque ela gostava muito mesmo de goiabas.
- Está bem, não vou cortar a sua goiabeira. A nossa goiabeira! E enquanto nós vivermos aqui neste sítio ela também viverá. Nós cuidaremos dela. Você e eu. Ah! E a mamãe também nos ajudará a cuidar! Combinado mamãe? – a mãe de Lua estava observando a conversa dos dois, e sorriu.
- Obrigada papai!
- Obrigado, pelo quê?
- Por não cortar a nossa goiabeira!!
***
Aquela linda goiabeira não era importante somente para Lua e a sua família, ela também era o lar de muitos passarinhos. Os seus frutos os alimentavam. A goiabeira vivia cheia deles. Eles iam e vinham em bandos, cantarolando, para comerem seus doces e saborosos frutos.
As árvores frutíferas são de extrema importância na natureza, porque são elas que alimentam uma infinidade de aves e animais silvestres. Não se deve corta-las.
 
Rozilda Euzebio Costa
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A Vida é uma Jornada

A vida é uma jornada desafiadora,
onde o tempo em seu início
vale mais que o peso do ouro,
e tem uma força avassaladora.
Depois que se passa de sua metade,
tem uma preciosidade de diamante,
e torna-se cada vez mais motivadora. 
Ela luta, rebate, levanta e vai,
caminha muitas vezes com pés feridos,
e voa de vez em quando com asas quebradas.
A vida é uma jornada que nunca se distrai.
ela é desbravadora e não se permite desistir.
Luta até o último suspiro que tem,
e nunca deixa de persistir.
Às vezes ela tropeça e cai,
mas se levanta e balança a poeira em si,
olha para a frente e pensa:
 – Que legal, tem outro caminho ali!
Sem se preocupar com o pensamento alheio,
ou se alguém olha para o seu estado, e dela ri,
a vida se agarra ao fio da esperança,
e tece lindas colchas de suas experiências,
corre no campo da vida como se fosse uma criança.
Porque a vida, é uma jornada incrível!
ela brinca com seus desafios e se permite fluir,
se transforma de outono a outono,
e tenta alegremente, seus sonhos construir.


Rozilda Euzebio Costa
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Cenários Sociais (Desigualdade Social)

Diante do vão da desigualdade e da indiferença social,
Existem comunidades inteiras de egos elevados,
Representando modéstias falsas, e orgulhos exacerbados.
Num cenário absurdo, frio de sentimento, e brutal.

Existem dois mundos desiguais que se cruzam sem comunhão,
Neles, multidões nunca se acenam, e quase nunca se tocam,
Estão todos dentro de um panorama de vida real,
Vivendo uma existência sem amor, e sem emoção.

Diante de uma grande aglomeração de vidas humanas, 
Existem numerosos contrastes bastante explícitos,
De um lado, a abundância, o desperdício, e a esperteza desonesta,
E do outro, a doença, a fome, a nudez, e vidas insanas.

Nas personagens reais que atuam nas entrelinhas da vida,
Existe uma fome que grita eloquente nos pobres desvalidos,
Mas ninguém ouve esse grito! Estão todos surdos!
Estão todos mergulhados em seus propósitos, em sua própria lida.

Existem aqueles que não sabem mais o que é o viver,
Eles vegetam no campo árido de seu próprio existir,
Sem nenhuma consciência real, sem nada mais desejar para si,
Da vida que levam, do ar que respiram, vivem sem nada compreender.

Existe ainda uma grande multidão que quer fazer o bem,
Plena de conhecimento, sabe que, um abraço aquece e conforta,
Mas sua resistência ainda é muito maior do que o seu amor,
E o medo de ser afetada pelos sofrimentos do outro, a detém.

Existem tantas sociedades no consumismo inconsciente,
Quanto existe em seu meio aqueles que nada possuem. 
Estão todos juntos, em um mesmo barco, em um mesmo caminho, 
Vivendo de uma mesma vida de altos e baixos, inconsistente.

Diante do espelho exposto na face do irmão,
Ninguém consegue ver a si mesmo, nem se reconhecer como família, 
E todos vivem numa crença preenchida por delírios, 
Numa existência cega, sem sentimentos, sem o calor do coração.

Rozilda Euzebio Costa
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