Roy Campbell
1901–1957
· viveu 55 anos
ZA
Roy Campbell foi um poeta sul-africano conhecido pela sua poesia vigorosa, imagética e frequentemente controversa. A sua obra reflete a sua vida aventureira, o seu envolvimento em conflitos e as suas fortes convicções políticas. Explora temas como a paisagem, o mar, a guerra, a fé e a identidade cultural, com um estilo que combina lirismo intenso com uma linguagem direta e poderosa. Campbell é considerado uma das vozes poéticas mais distintas da África do Sul do século XX.
n. 1901-10-02, Durban · m. 1957-04-23, Setúbal
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Biografia
Identificação e contexto básico
Roy Campbell foi um poeta, tradutor e crítico sul-africano, nascido em Durban, em 1901. Foi uma figura proeminente na literatura sul-africana do século XX, conhecido pela sua poesia inflamada e pelas suas convicções políticas. A sua língua materna foi o inglês, mas também escreveu em africâner.Infância e formação
Filho de pais escoceses, Campbell cresceu numa família de origem humilde, mas com uma forte ligação à terra. Desde cedo demonstrou um espírito independente e aventureiro. Teve uma educação formal limitada, mas foi autodidata em muitas áreas, incluindo línguas e literatura. Foi fortemente influenciado pela paisagem e pela natureza da África do Sul.Percurso literário
Campbell começou a escrever poesia na juventude. A sua primeira coleção, "The Flaming Terrapin" (1924), foi aclamada pela crítica e estabeleceu-o como uma nova voz poética. Nos anos 1930, mudou-se para a Europa, onde se envolveu em círculos literários e políticos. A sua participação na Guerra Civil Espanhola ao lado dos nacionalistas marcou profundamente a sua obra e as suas posições.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A obra de Roy Campbell é marcada por um lirismo poderoso, imagética vívida e um forte senso de ritmo e musicalidade. Os temas recorrentes incluem a natureza selvagem da África, o mar, a guerra, a religião (conversão ao catolicismo), a política e a identidade. O seu estilo é frequentemente direto, vigoroso e desafiador, por vezes controverso. É conhecido pelas suas sátiras e pela sua capacidade de capturar a energia crua da vida. "The Flaming Terrapin" e "Adamastor" são algumas das suas coleções mais importantes. Campbell também se destacou como tradutor, nomeadamente de obras em português e francês.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Campbell viveu numa época de grandes transformações sociais e políticas. A sua poesia reflete as tensões raciais e políticas da África do Sul, bem como os conflitos europeus do século XX, como a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. A sua conversão ao catolicismo e o seu alinhamento político com a direita tornaram-no uma figura polarizadora.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal Roy Campbell teve uma vida intensa e cheia de peripécias. Foi um homem de ação, envolvido em caça, boxe e até mesmo em combate. O seu casamento com a escritora Mary Bridson e as suas relações com outros artistas e intelectuais foram marcantes. A sua forte personalidade e as suas convicções intransigentes levaram a conflitos e a uma vida muitas vezes turbulenta.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção Campbell foi amplamente reconhecido como um dos poetas mais talentosos da sua geração, embora a sua receção crítica tenha sido muitas vezes dividida devido às suas posições políticas. Recebeu vários prémios e distinções ao longo da sua carreira. A sua poesia continua a ser estudada e admirada pela sua força e originalidade.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado Campbell foi influenciado por poetas como D. H. Lawrence e T. S. Eliot, mas desenvolveu um estilo muito próprio. A sua obra influenciou poetas sul-africanos posteriores, especialmente aqueles que procuraram explorar a identidade e a paisagem africana. É considerado um dos poetas mais importantes de língua inglesa da África do Sul.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A obra de Campbell tem sido objeto de diversas interpretações, abordando desde a sua habilidade lírica e imagética até às suas posições políticas e religiosas. A relação entre a sua vida aventureira e a sua poesia é um tema central de análise crítica.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos Campbell era conhecido pela sua coragem física e pela sua personalidade desafiadora. A sua habilidade como tradutor, especialmente de poesia em línguas estrangeiras, é um aspeto por vezes menos divulgado, mas de grande relevância.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória Roy Campbell faleceu em 1957, devido a um acidente de carro, quando regressava de uma conferência. A sua memória perdura através da sua poesia, que continua a ser lida e estudada, celebrando a sua voz poética única e a sua ligação à África do Sul.Poemas
3O DOBRAR DO CABO
Rasante o sol, e pálido de chuva;
As longas vagas pardas vão lá onde
Adamastor, de seus marmóreos paços,
Ameaça os lusitanos como outrora.
Confusa no claror, eis a audaz forma,
Sombra de abismo à qual como que vamos,
Por sobre este convés, de acima da tormenta,
Abrindo em promontórios a bocarra.
Incautos, abatemos por trás dela
Florestas; sangue derramámos ímpios.
Ainda o trovão nos diz as profecias
Cumpridas em silêncio pelos séculos.
Adeus, sombra medonha! Livre sigo
Mas tu das trevas és Senhor ainda:
Vejo o fantasma mergulhar no mar
De tudo o que adorei ou detestei.
A proa sulca suave os mares submissos,
Mas onde o cabo extremo desce ao fundo,
A terra jaz escura à luz da lua,
E a Noite, a Negra, em sono murmura.
As longas vagas pardas vão lá onde
Adamastor, de seus marmóreos paços,
Ameaça os lusitanos como outrora.
Confusa no claror, eis a audaz forma,
Sombra de abismo à qual como que vamos,
Por sobre este convés, de acima da tormenta,
Abrindo em promontórios a bocarra.
Incautos, abatemos por trás dela
Florestas; sangue derramámos ímpios.
Ainda o trovão nos diz as profecias
Cumpridas em silêncio pelos séculos.
Adeus, sombra medonha! Livre sigo
Mas tu das trevas és Senhor ainda:
Vejo o fantasma mergulhar no mar
De tudo o que adorei ou detestei.
A proa sulca suave os mares submissos,
Mas onde o cabo extremo desce ao fundo,
A terra jaz escura à luz da lua,
E a Noite, a Negra, em sono murmura.
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LUÍS DE CAMÕES
Camões é quem de toda a raça lírica,
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
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CRIAÇÃO DO POETA
Há nas manadas um novilho torto
Que cobre as vacas e os tropéis conduz,
Até que os velhos touros ciumentos
Correm com ele dos pastos em que vivem.
E à noite, ouvindo a rumorosa selva,
Desesperado por poder ter medo,
Os magros flancos vai chicoteando
A golpes duros da pesada cauda.
Longe dos cornos que em falange guardam
As manadas dormindo, lobos vence;
A noite cai, os leopardos seguem-no,
E todo o dia as moscas o aguilhoam.
Que cobre as vacas e os tropéis conduz,
Até que os velhos touros ciumentos
Correm com ele dos pastos em que vivem.
E à noite, ouvindo a rumorosa selva,
Desesperado por poder ter medo,
Os magros flancos vai chicoteando
A golpes duros da pesada cauda.
Longe dos cornos que em falange guardam
As manadas dormindo, lobos vence;
A noite cai, os leopardos seguem-no,
E todo o dia as moscas o aguilhoam.
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