Escritas

Lista de Poemas

A Rua


A Rua


Naquela rua de pedras e espinhos,
rua larga de casas simples
risos soltos de crianças;
vida alegre todo dia.

Sempre havia movimento e alegria.
E as tardes eram agradáveis,
e as noites caiam suaves,
naquela rua de pedras e espinhos.

Postes magros e compridos
seguravam estrelas distantes.
Árvores altas em mata fechada
escondiam o correr dos gritos.

Hoje, só nas lembranças,
aquela mesma rua que hoje
um hoje já antigo e de tantas mudanças
naquela rua sem pedras e sem espinhos.

Aquela mesma rua larga e suas casas vazias
tão diferente, não guarda lembranças.
Com suas pedras arrancadas
e por pasta preta revestida.

As noites agora caem abruptas,
quase sem dias.
As pedras são outras e os espinhos,venenosos.
Uma rua vazia, de casas envelhecidas.

Casas sérias com olhos e bocas fechados.
Se há alegria, essa é contida.
Naquela rua antiga de pedras e espinhos
mora a solidariedade nas despedidas.














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Cordel do dia a dia



Cordel do dia a dia



Como se faz um cordel?
Junte palavras com mel
Ponha um pouco de verdade
E conquiste a cidade
Fale um pouco de maldade
Bem perto do coronel.

Fale bem ou fale mal
Do padre ou do prefeito
Deixe sempre seu sinal
E conquiste o respeito
De quem gosta de malfeito
Incendiando o arraial.

Gente sem urbanidade
A cidade está cheia
Há sempre um bom motivo
Pra não fazer cara feia
Sendo gentil e simpático
Conquista graça alheia.

De precisar de doutor
Todo mundo tem pavor
Tenha ele anel no dedo
Seja ele operador.
Com dinheiro ou com vida
Tudo é muito assustador.

Numa roda de amigos
Sempre tem um animado.
Boquirroto, fala muito.
Tem segredos revelados.
Causa risos escondidos,
Olhos brilhantes, malvados.

Lá em casa tem um cão
Peludo e avermelhado.
Já beirando quinze anos
Só late desafinado
Tá surdo, cego e sem dentes
Mas é amigo bem chegado.

Agora vou terminando
Esses versos mal juntados
Estava experimentando
Esse jeito ritmado
De falar do dia a dia
Como uma poesia.

Dou bom dia ou boa noite
E até breve talvez.
Se aparecer novidade
Começo tudo outra vez
Passando mel nas palavras
Todas em bom português.








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Motivos


Motivos


Da sacada de seus olhos,
Assiste ao tempo se perder.
Acompanha o próprio fim, bem sabe.
Um calor sem ânimo esboça luta;
Raras imagens justificam viver.


Ao lado, iludidos eufóricos acenam correntes,
Sobrevivem de alegrias e hinos pagos.
Há muita urgência em todos:
Pastas com números e ordens,
Olhos fechados para si mesmos.


Flutuam, todos, inocentes ocupados.
Cumprem datas, se multiplicam
No rio que segue muitas dimensões ,
Indiferente, deságua no esquecimento.
Sentimentos vividos, esvaziados.
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Resende Costa



Resende Costa

Não sou O poeta mas berço tive.
Não era de ferro mas duro igual, de pedra.
Em Resende Costa nasci e
vivi o suficiente para marcar
o que ainda hoje meu coração sente.


Enxergo longe sem maldades,
impregnado pela limpidez do horizonte
cheio de morros verdes e pedras,
desvendados de cima.

Seu horizonte, metade do mundo.
Noventa por cento pedra
O restante coração.
Ambição contida, sólida.

De lá, nota distante, trago memórias:
um sino lamentoso mesmo em festas,
uma senhora greco-gordona mística,
um cheiro de mofo em festa, perfume de pizza.

Os santos pecadores esculpidos
aguardam dos humanos o perdão;
vasculham seus vazios em êxtase
envergonhados por despropósito vão.

As ruas mal calçadas,
de iluminação medrosa.
Suas casas pobres e tristes,
retas e econômicas.

Resende Costa, luz distante,
no álbum de meu big bang
amigos e família agora estranhos.
Não tenho parede com fotos.

Em minha memória orgânica,
não sendo um dia corrompida,
saberei do bom lugar que não existe,
Resende Costa, de onde vim.

Uma grande pedra, longe de ser dilema,
o começo de meu caminho.












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Reminiscências


Reminiscências


Para que tantos olhares

se tudo é aparência ou ilusão.

Para que tantos corações

se é única a solidão.


Sou apenas um copista

transtornado.

Sabendo ser eu tão fraco

por que, meu pai, fizeste em mim

tua realização de fracasso?


Deus é bom, dizem os resignados.

Seu amor quente é vulcão

derramado, devora e congela

sentimentos puros da infância.


Nesse imenso mundo que acredito existir,

poucos são os que confio humanos.

O resto, a grande imensa parte

confesso, existe por eu ouvir dizer.


Num dia esquecido e distante

uma noite aconteceu mais cedo.

A ociosidade gerou um terço

e eu surgi no vazio restante.


Mais tarde, já deixando de ser criança

meu pai admirava seu pouco gado

que vigiava distante.

Um boi preto marcava suas fumaças brancas.




Eu, que ficava ao lado, era marcado

pela brasa de seu silêncio.
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Semente


Semente




Quando Clarice abriu o portão de casa, tinha os olhos vermelhos e uma aparência enjoada. Largou sobre o sofá a pequena bolsa e mal cumprimentou o pai, que se encontrava na sala descansando. Já no quarto, andava de um lado para o outro com expressão indefinida. Sobre uma cadeira, dois vestidos novos de debutante e caixinhas com brincos, anéis e maquiagem jaziam sem emoções. Com cuidado, abriu de leve a porta e manteve os ouvidos atentos na sala; o rosto contraiu-se ao perceber a ausência de um envelope no bolso da calça. Tirou-a e revirou cada um deles até o fundo. Passou a rodar pelo quarto em desespero e movia os lábios num monólogo ininterrupto. Em frente ao espelho do guarda-roupa deslizou, sem tocar, a mão sobre a barriga lisa e logo correu para o banheiro, cerrando a boca; bateu a porta com força inesperada e lá ficou por mais de meia hora.
Na sala, o pai voltou ao trabalho após os minutos de folga e marcou com giz azul o tecido macio que cortaria. Estava rodeado por pilhas de moldes que roubavam sua atenção e para cada pedido havia pequenos papéis cheios de números e desenhos. Na gaveta parcialmente aberta, junto a agulhas e tesouras, contas; muitas delas.
Estavam os dois, apenas; ele parecia não esperar pela chegada de mais ninguém, nem clientes. Ela, sim; mas não sabia quem. Ele traçava riscos retos e azuis; ela, contida, vomitava sem parar. O giz, pequeno, escapou e caiu sob a cadeira. Com cuidado, o alfaiate apoiou-se na beirada do sofá para pegá-lo, quando percebeu, na bolsa largada pela filha, uma folha amassada com um timbre conhecido. Puxou devagar, devagar.
Clarice lavou o rosto abundantemente e respirou fundo, três vezes; a última, mais demorada, ao colocar a mão na maçaneta da porta do banheiro e escancará-la com determinação. Seguiu a passos largos para o pai, mas, estacou ao vê-lo segurando o papel perdido com aquele número inesperado e, lentamente, se voltava para ela. Ficaram lá, parados, no meio da sala, com lágrimas que corriam soltas e não se misturavam. O pai curvou os ombros e parecia pender a cabeça de modo a perdê-la a qualquer momento. Sentou-se com dificuldade amassando ainda mais o papel.
Clarice, olhos fixos no chão, aproximou-se do sofá pelo lado oposto ao pai. Sozinhos ficaram cada um em seu canto, imóveis, sem voz, sem mediação. A noite ia longe, escura, fechada. Clarice, entre soluços, vomitava; o pai perdera a linha e a paz; falou com aparente apreensão por minutos. Um e, logo após, o outro, seguiu para o seu quarto e fecharam as portas com cuidado. O papel amassado e malfadado voltou ao chão e sob a cadeira escondeu, esquecido.
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Despedida

Despedida

E, no entanto, eu estava ali
Convidado do destino
Premiado para o encontro
Na partida esperada; não agora.

O quarto era o mesmo
A cama era a mesma
As mãos zelosas, também.
Rezas alheias vinham de longe.

Borbulhas engoliam os pensamentos e
O olhar cinza que nada via
Lucidez restante angustiada
De um corpo que se extinguia.

A cabeça se volta resignada
Esforço último pela vida
Dominado por gemido incontido
Antevê paraíso desejado.

Mãos amigas acariciam
Em paz doída surpreendente
Consolo da liberdade alcançada
Carinho derradeiro de despedida.

Com cuidado, levo lembranças.
Acomodo seu desenho ao traço final.
Rosto sério, cabelos brancos repartidos.
Muitas histórias vividas, agora esquecidas.
Apenas por nós queridas e guardadas.





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o Trem



O Trem


Longo rumor inquietante,
fim do mundo prenuncia.
Mistura sono e torpor,
sonho, tristeza e agonia.


Lá vem o trem!
Treme tudo, treme tanto!
Vibra as casas e seus corpos,
revira os vivos e os mortos.

Desorado trem,
faz caminho ao inferno... em nossas portas!
Vai soprando engasgado,
carrega-nos, seus reféns.

O trem trem trem
Chia chia chia
Na madrugada apita forte
Três vezes todo dia todo dia!

Vai pesado em paralelas,
traz consigo pesadelos.
Os distribui à revelia,
corrompendo a alegria.

Faz dos cérebros, dormentes!
Escravos de cancelas sombrias.
Esconde entre giros, dementes!
Seu sino, seu grito, nossa ira!
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Hamilton


Hamilton



Hamilton gostava de ver a luz do sol passar pelas frestas da janela e fazer desenhos sem tela. Logo estaria acompanhando os colegas de escola que seguiam por sua rua e ouviria os comentários, quase sempre sobre futebol, assunto que ele não entendia e se admirava que alguém de sua idade entendesse. Os colegas iam com o pai ou a mãe, mas, Hamilton ia sozinho. A escola era próxima à sua casa.


Naquela manhã, um embolado de alunos se formou no pátio da escola, fugindo à rotina das filas. Parecia festa tamanha a algazarra, e ninguém sabia explicar o que acontecia. Hamilton evitou um grupo de meninas que conversava um pouco à frente e lançava olhares divertidos para ele. Sabia bem o significado: ainda ontem, durante o recreio, foi surpreendido por risinhos vindos delas até apontarem para sua calça exibindo uma abertura suficiente para deixar à mostra seu pintinho bem filhote. Envergonhado, nem contou o acontecido para a... mãe (não se habituara totalmente ao novo significado da palavra) para não escutar as advertências diárias por se recusar a usar cueca.


O diretor da escola, acompanhado dos professores, apareceu com uma expressão mais séria que o habitual. Após trocarem comentários, ele ergueu a mão e com pedidos insistentes conseguiu atrair a atenção de todos. Foi breve: naquele dia não haveria aula devido a morte de uma antiga professora que marcou a história da escola e a formação de várias gerações. Aos alunos, recomendou uma homenagem àquela senhora e bom comportamento.


Hamilton seguiu para casa feliz e, sem remorso por isso, tinha o dia todo para aproveitar. Era certo um sentimento seu de resistência aos mortos; por causa deles, não comemorava direito seu aniversário. Tinha nascido, veja só, no dia da partida de outros, motivo para falas baixas e visitas a cemitérios com flores. Para completar sua relutância, tinha um medo religioso da morte desde o dia em que presenciou algumas pessoas, juntamente com o pai, confusos e perplexos e, agora, misturados a imagens fugazes guardadas de sua mãe.


Em casa, de pés no chão, correu logo para o quintal onde tinha seu caminhão vermelho. Sempre com trabalho a fazer em uma estrada cheia de curvas onde somente um motorista habilidoso como ele poderia guiar. Eram assim os seus dias. Seu pai brincava quando tinha folga ou não estava recolhido no quarto tomado por dor de cabeça. Algumas vezes, Hamilton abria a porta do quarto do pai cheio de intensa alegria e se deparava com um lusco-fusco cobrindo um corpo longo, silencioso e velho.


A manhã estava calma até Tonhão Bigode, o primo quatro anos mais velho, rebelde e criado nas ruas, chegar falando alto. Antônio era maior que os meninos de sua idade e tinhas braços longos e esquisitos; para completar, uma mancha fazia sombra sob o nariz causando a impressão de bigode formado.

__ Vai lá ver a morta?__ perguntou Tonhão.


__Não sei. __respondeu com os olhos concentrados na manobra que fazia. Chegou a se deitar todo, deixando o rosto marcado por pedrinhas e pó. Mudou, rispidamente, a marcha do caminhão com um raspado forte na garganta.


__Eu, não. Nem ligo. Nunca vi e nem é parente. Você não vai, eu sei. Tem medo. Medroso e bobão!
__ abriu uma risada indecente.


Hamilton continuou calado aguardando o que o primo faria a seguir. Uma chuva de pingos grossos, como previra, começou pela estrada fazendo letras gregas, lavou o caminhão para, em seguida, acertar sua cabeça. Tonhão Bigode fazia agora o que mais agradava: marcava seu território com um mijo grosso e cheiro forte atingindo quem estivesse próximo. Enquanto isso ria seu riso debochado, mais ainda ao colocar o primo para correr e pedir ajuda ao escuro de debaixo da cama do pai onde ficava até quase dormir. Na sala, o cuco avisava a proximidade do almoço.


Aquela conversa fez voltar aos pensamentos de Hamilton a recomendação do diretor e deu-se conta do sentimento estranho que o incomodava naquela manhã. Imagens vagas causavam uma mistura de dor e medo. Sentia saudades. Esse mal estar passageiro e impreciso roubava sua paz e o levava a se lembrar da morta; da morta, não, por não conhecê-la, mas, do encontro com ela cuja aparência imaginava ser assustadora e, ao mesmo tempo, conhecida. Sentia, no entanto, um desejo cada vez mais forte de enfrentar esse medo. Seu primo chamando-o de bobo, a ausência de seu pai, sempre ocupado para socorrê-lo, os cuidados quase exclusivos da...mãe, com Clara,sua meia-irmã, e o risinho doce e amargo das meninas, cozinhavam uma raiva de intensidade crescente e resultado imprevisível.


Pela hora do almoço, receberam a visita de um tio materno que poucas vezes viam e estava ali por causa da professora. Logo na entrada, colocou uma nota de cinco entre os dedos de Hamilton. Era seu padrinho por algum motivo e se sentia na obrigação desse carinho.


Seguiam todos em direção à cozinha quando Tonhão, que vira tudo pela janela da sala, puxou pela camisa e exigiu de Hamilton a entrega do presente. _ "Vai passando o que tá na mão" _ foram as palavras rudes ditas enquanto prensava o corpo miúdo e sujo de terra. Hamilton ficou surpreso ao descobrir a presença do primo e, sem saber o que fazer colocou os braços nas costas dizendo não ter nada nelas.


_Eu vi seu bobão; acha que me engana ou sou bobo como você? __Tonhão Bigode prensou mais um pouco.


Hamilton estava prestes a desabar em choro, mas, os sentimentos de infelicidade percebidos o encheram de coragem. Passou a mão fechada sobre os olhos e disse, limpando o suor, para Tonhão agachar, fechar os olhos e abrir bem a boca. ­__ "É coisa de comer", __ falou, seguro. Tonhão, desconfiado, resmungou não precisar daquilo e era só entregar. Mas, não houve recuo. Hamilton só entregaria nessa condição ou nada feito, disse surpreso com tamanha ousadia. Foi ameaçado de receber uns tapas se fugisse sem entregar enquanto se acomodava sobre os calcanhares, olhos fechados, boca escancarada, aguardando o sabor desconhecido.


Paralisado pela cena, Hamilton quase perdeu o tempo certo da execução de sua inesperada vingança. Virou-se de costas e aproximou-se o suficiente do rosto do primo soltando uma curta saraivada de peidinhos. Afastou-se sem correr certo de receber o castigo prometido. Tonhão Bigode ficou menor, sem graça, com o rosto muito vermelho mal conseguiu gaguejar qualquer palavra. Saiu apressado olhando para o chão. Recebeu também de Hamilton seu quinhão diário.


O cuco cantou algumas horas sem que Hamilton desse atenção, e todo aquele sentimento de desconforto pela morte da professora reapareceu torcendo seu estômago; mas não durou muito; com naturalidade, seguiu rumo ao velório . Distraiu-se pelo caminho, chegando a esquecer o motivo de sua caminhada. Virou à esquerda e entrou pela rua que descia em curva, calçamento ruim e casas com recuos diversos. Do lado de fora havia muitas pessoas e observou, sem entender, que conversavam e riam apesar do motivo de estarem lá.


A casa era pequena, com uma porta simples pintada de um azul vencido e ladeada por duas janelas ao rés do chão, exibindo as rugas do tempo. A parede era branca nos locais onde ainda havia reboco. Várias áreas desnudas mostravam tijolos de diferentes amarelos, formando um triste mosaico. Hamilton observava tudo e não hesitou em entrar. Desviou-se por entre as pernas até conseguir chegar próximo à sala onde a professora estava. O interior não era muito diferente da fachada, com paredes cheias mofo em seus cantos e quadros de santas severas. Um homem de sorriso incompreensível, preso entre elas, acenava com a mão. Velas soltavam fumaças escuras e cheiros fortes e misturavam flores e pessoas. O ambiente era triste e foi reconhecido.


Perdido em suas observações ouvindo rezas e lamentos sussurrados em vozes distintas, sentiu súbito suas pernas tremerem e pesarem sob um medo percorrendo o corpo. Teve vontade de fugir, mas, dominado acalmou-se ao ver muitas pessoas ao seu lado.


O grito desafinado, como de animal agredido, arregalou-lhe os sentidos. O viúvo surgiu amparado, passos lentos e pesados e, entre silêncio e choro, soltava sua dor, indiferente a tantos olhares. Passou por Hamilton já quase chegando junto ao corpo da mulher onde gritou arrebatado: __ Estou sozinho! Tudo acabou!__Hamilton, desconcertado com as calças molhadas, passou rapidamente as mãos pelas suas.



Fora da casa e respirando ar fresco, longe do peso dos lamentos e das rezas, ficou satisfeito por ter se comportado bem e já não tinha medo. Era surpreendente a leveza sentida, com céu azul claro e um sol que começava a abrir mão de todo o seu fulgor proporcionando prazer egoísta de estar vivo. A cena vista foi marcante e libertadora para ele. Mas, muito melhor, lembrou-se, entre risos, é que ficara livre do Tonhão Bigode (Só anos mais tarde entenderia o primo Tonhão). Voltou para casa confiante e feliz; semana que chega vai ter festa; aniversário com os amigos.
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