Lista de Poemas

Desconcerto

como ela me desconcerta
eu hercúleo experimentador
do inesperado dela espero

me rendo ao seu canto
desafinado concerto
orquestrando o meu querer e mais

alumbramento do sentido
o seu encanto de estrela – sol
ao tempo que ilumina revela

dá vida
e prende ao seu redor
os cometas do desejo
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Novas descobertas do sentido

O vento frio que vem lá do alto
bate leve na minha pele descoberta.

Novas descobertas do sentido
se abrem como as asas dos pássaros
em revoada revoltosa.

Misteriosas ondas do perigo
me fazem olhar fundo pro abismo
e flutuar.
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Eu vejo tantos fidalgos

eu vejo tantos fidalgos
em seus carros rebaixados
em suas caminhonetes do ano
e com seus paredões estourados
implorando por atenção
humilham os seus irmãos
destroem o que não construíram
com a cara toda fechada
não falam com seu ninguém
sim, eu sei
é tudo fachada
eles não têm nem um vintém
quando têm é de papai
quando não tiram do pão
nos bancos suas contas crescem
reluzem suas peles brancas
alguns mais escurinhos
fazem lamentavelmente o seu burburinho
esperando em vão a ascensão
outros em suas motos empinando
zuada do cão que vem cortando
a atmosfera desigual desta cidade
andar a pé é um pecado
melhor a morte do que assim sair na vida
mas já pensasse quais as feridas
que esse nosso povo carrega?
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Omm

te encontrarei
noite encarniçada 
de Paêbirús roncando
um mundo de prazeres mil
miraculosamente canábico
cura do tesão de eras
ferida que arde infinitamente
em pedaços de lembranças
lambuzadas de sentir
visões de tempos eternos
me chamas
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Braba

eu fiquei secando ela 
durante aquele tempo todo
minha intenção era 
pelo menos um sorrisinho
pra eu poder me chegar
e trocar aquela ideia marota
eu tava longe
sozinho
e ela rodeada de amizade
fiquei só no pensamento
o coração fervendo
tudo queimando feito brasa
acendi foi um cigarro esperto
pra afastar aquele bel-tesão
soprei a fumaça na direção dela
despreocupadamente
foi quando ela olhou
e sorriu
acho que foi o cheiro do mato
que fez ela viajar o olhar no meu olhar
braba!
vi logo naquele olho de fogo
ardendo junto aos meus
fui lá
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Bandeira

bandeira 
balança ao vento
lamento do que sentes
sem perceber
o amargo em tua boca
ardor pimenta
esquenta teu sexo
o teu viver
louco louco louco
nunca duvidei 
da tua incapacidade
distantes vaidades
são as ilhas do prazer
teu ser
o meu 
rio que passa
tão escorregadio 
é o amor
o eu o eu o eu 
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Sentido de ser

quando olho pra abóbada celeste
eu vejo pinturas rupestres 
rememoro a sina humana 
de ser e procurar o que emana
sentido assim pra si no ar
ontem eu vi estrelas e planetas
no breu sem fim da madrugada
pensei nas tantas vydas espalhadas
e na luz até chegar aqui
senti as voltas cósmicas dadas
por esse nosso carrossel de massas
sonorizei em silêncio ondas
redondas dentro de mim
sim, eu quero ir, sim, eu quero ir
pro além do que se tem no céu
pra me lambuzar todo com o mel
da doçura amarga do existir 
sim, sim, sim
eu quero sorrir, sorrir e chorar
com o muito que se tem no pouco
ser louco pra conhecer e amar
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Espacitempo

feito depois da leitura do livro "Um universo que veio do nada" de Lawrence Krauss

o nada

vazio cheio de coisa
(invisível aos olhos
e ainda à mente)
dá vida ao que se vê
e se forma
neste espacitempo
de se tomar chá e divagar por aí
em que cogumelos pululam nos campos
feito partículas e antipartículas
na sopa quântica do se fazer-ser

essa carreira lenta do expandir
sinfonia épica da explosão
faz do universo palco
de infinidades de aleatoriedades
e nos coloca a pensar e perguntar
de onde tudo veio
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