Lista de Poemas
Bendita Sejas Mulher
BENDITA SEJAS
MULHER
Rogério
Martins Simões
Nos
caminhos que trilhamos renascidos,
Certamente,
já esquecemos a distância
Que
prolongam os caminhos percorridos;
Irás
encontrar na minha ânsia,
Estes
trilhos marginais, mas, tão sofridos
Não
me fico por silêncios.
Mas,
meu amor, eu te digo:
Bendita
sejas mulher!
A
eternidade é estar contigo!
Bendita
o sejas por ser,
A
razão do meu viver.
Os
ventos são adversos.
Maior
porta de abrigo, eu, não vi.
Terá
o céu no acaso
Tamanha
luz, no firmamento,
Sem
ti?
Repara
no sentido dos meus versos.
São
cartas de amor que não escrevi…
Palavras
adultas fora do prazo,
Construídas
no encantamento,
Sem
pressas, aqui!
Por
isso, de novo, te digo:
A
eternidade é estar contigo!
Bendita
o sejas por ser,
A
razão do meu viver.
Bendita
sejas mulher!
24-11-2005
alterado 2013
(Registado no Ministério da Cultura
- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.
–
MAR DE PRANTO (poema dedicado aos jovens que morreram no Meco)
MAR DE PRANTO
Rogério Martins Simões
Toda a noite este mar tanto bateu.
Toda a noite a falésia lá chorava.
Parecia que ali perto alguém rezava,
Ao destino que só a morte atendeu.
Rapina e tão cruel onda acometeu.
Feia noite que a falésia chocalhava.
E o mar que desde sempre salteava…
Voltou para levar quem escolheu.
Ah desprezível onda que assassina.
Ave agoirenta tu és, e na triste sina,
Pela manhã retine um cais de espanto…
Espalhas e recolhes tantas dores.
Flores! E tantas flores. Deitem flores:
Lágrimas e jasmins ao mar de pranto.
Meco, Praia das Bicas 15/12/2013 23:24:32
(Aos jovens que hoje morreram ou desapareceram na Praia do Meco)
SEA Pranto
Rogerio Martins Simões
Cada noche, este mar tanto golpeó.
Durante toda la noche el acantilado allí llorando.
Parecía que alguien estaba rezando cerca,
El destino que se ha reunido sólo la muerte.
Ola Presa y tan cruel abrochado.
Noche feo que hizo temblar el acantilado.
Y el mar que siempre ha salteava ...
Volvió a tomar el que escogió.
Ah ola insignificante que asesina.
Ominoso pájaro eres, y difícil situación,
Mañana sonido metálico de un muelle en el asombro ...
Espalhas y la recopilación de tanto dolor.
Flores! Tantas flores. Colóquelos flores:
Las lágrimas y el jazmín de la mar de lamentos.
Meco Beach Bicas 15/12/2013 23:24:32
(Para los jóvenes de hoy que han muerto o desaparecido en Praia do Meco) Me
encanto disculpe usted Maestro mi mama traduccion
POEMA, imagens e vídeo de Rogério Martins Simões
Parte deste soneto foi escrito na manhã da tragédia e na Praia das Bicas
As minhas sentidas condolências às famílias enlutadas.
A estrela mais bela que encontrei
A ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI!
(Rogério Martins Simões)
Sabes encontrar-me pela manhã,
No riacho cristalino do desapego,
Onde, renunciando, dores refego,
Para que a esperança não seja vã.
Livre da dor e tortura é este afã.
Cuido este corpo onde me apego.
Tarde libertar-me deste carrego,
Que extingue o carma de amanhã.
E se estiver na hora quero propor:
Irei de mãos dadas pelo caminho,
Perdido eu de amores, devagarinho,
Levarei comigo o meu lindo amor,
A estrela mais bela que encontrei.
Não quero perder quem tanto amei!
Lisboa, 27-03-2008 22:04:08
(Registado no Ministério da Cultura
Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.
http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt
VOLTEI
VOLTEI!
(
Venho dos limites do tempo
De uma galáxia qualquer
Já fui mar, já fui vento
Agora sou pensamento
Aparado em dado momento
No ventre de uma Mulher!
Meu corpo é magistral!
Brutal! Perfeito! Soberbo!
De início não era verbo
Agora sou o verbo ser
Tenho comigo segredos
Segredos do universo
Transporto no corpo recados
Escrevo em forma de verso.
Venho dos limites do tempo
Não sei o que fui e sou:
Deserto? Nascente?
Já fui Norte, já fui Sul
Pó astral, mar azul!
Luar, estrela cadente.
Eu me vou!
Partirei num cometa qualquer
E serei novamente
pôr-do-sol.
Cor-de-rosa, aloendro,
malmequer!
Voltei...Já cá estou…
Agora sou pensamento
Nascido em dado momento
Do ventre de uma Mulher!
23-09-2004 18:39
Aldeia do Meco
(Este poema foi gravado em
MP3 pelo Luís Gaspar nos Estúdios Raposo –“Lugar aos novos”
(Registado
no Ministério da Cultura
-
Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –
Voltei cantado por Rogério Oliveira dos Boémia
Zarpa que incomoda

ZARPA... QUE INCOMODA!
(Rogério Martins Simões)
O que pensas quando estás só?
Que notícias trazem de ti as horas?
Por que suspendes os minutos
e desprezas os segundos?
Secundaram a tua imagem
numa versão de cárcere...
Que sabem de ti os amigos?
Que dúvidas escorrem
nos confins da tua mente?
- Mentias se falasses!
Por isso nada dizes
e o silêncio incomoda.
Morrias se ouvisses um grito!
Chorarias
se escutasses uma criança!
Que criança tem o teu coração?
Ainda, assim, escutas
o teu próprio silêncio.
Resta-te um velho cão...
Continuas só
escutando nada!?
Lá fora uma multidão,
danada,
apedreja um ladrão...
À luz de uma velha cidade
florescem cimentos
e as gentes passam por edifícios
construídos nos penhascos dos lucros...
Parecem feras enjauladas
que se soltam
e percorrem, na rotina,
o caminho contrário.
Contrariamente à sorte
não se fala na mesma língua...
O regresso é o inverso e o verso
de uma partida desesperada...
A todo o tempo se remexe
em papéis,
em contas,
e se contam os tostões
para pagar as dívidas!
Que dívida tens para com a sorte
em teres nascido?
Zarpa que incomoda!
Resta-te um velho cão...
Andam aos tiros nas ruas.
Apontam as espingardas
às casas vazias.
Vivem agora nos fundos...
a fugir às bombas.
Não oiço nada cá em baixo!
Não oiço nada cá em cima!
O hospital tresanda
a fétida melena
de sangue cozido pelo sol.
O sol não nasceu para todos!
Estendem-se redes,
pelos telhados,
para aprisionar a luz.
Falta-me a lucidez!
Zarpa que incomoda!
Resta-me um velho cão...
O cão sacode a pulga.
E a pulga regressa ao homem
de onde nunca deveria ter saído.
Na barraca, de tabique,
há sempre correntes de ar
e cheiros pestilentos
das canseiras.
No bidão
improvisa-se um lavatório.
Emprenha-se um buraco...
que faz de latrina...
Ao lado, prego com prego,
cheira a catinga.
E uma velha mulher
canta
uma desconhecida
canção de embalar.
Todas as manhãs
são escurecidas
com excrementos escorridos....
Cheira a merda!
Zarpa que incomoda...
Resta-me um velho cão...
Hoje não penso
nas quatro paredes
que me cercam.
Corri meus olhos numa cotovia
Que voava apressada...
Bateram à porta.
Foi engano!
Lá fora, nas cartilagens da agonia,
há tanta luta!
Movimento as minhas mãos
E conforto o velho cão
Que não se mexe.
Sucumbia a uma lambidela...
Zarpa que incomoda...
Que sorte
ter um cão por amigo...
Lisboa, 31/08/2006
(Registado no Ministério da Cultura
Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.
Geada gelo chuva neve
GEADA GELO CHUVA NEVE
Rogério Martins Simões
A enxada cava fundo
Na mão do homem do campo!
Fundo entra!
Chega fundo
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
Na lareira, o pinho crepita,
A velha treme
E a criança grita
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
O Inverno é ruim
E a bucha é tão rara.
Viva a salgadeira
Do toucinho cru!
Meu filho
Não te metas ao caminho
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
Mãe minha, vou emigrar.
Que Deus a ajude
Que eu não posso!
E se Deus não quiser,
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
Não há Inverno somente
Valha-nos os bafos da cabra!
Cabra minha já foste à lenha?
Geada, Gelo, Chuva e Neve.
Ardem as torgas na lareira
Senhor Ministro,
Que bela a casa a sua!?
Não há frio que lhe chegue,
Nem Geada, Gelo, Chuva e Neve.
Em casa de pobre,
Ramos de horta…
Ninhos de águia no alpendre…
Lavrador não fique curvado
À geada, gelo, chuva e neve.
1974
(Poema dedicado às gentes da Póvoa – Pampilhosa da Serra e aos Beirões)
Em sonho me dependurei no luar
POEMAS DE AMOR E DOR
Óleo sobre tela
Elisabete Maria Sombreireiro Palma
EM SONHO ME DEPENDUREI NO LUAR
Rogério Martins Simões
Em sonho me dependurei no luar.
O luar quis acordar os nossos cios.
Ali estavas, desnudada no meu olhar,
Encandeando meus olhos luzidios.
Os sonhos soçobram ao acordar…
O luar distende o sonho em atavios.
Ai!, sereia espraiada no meu mar,
Esperando as águas dos meus rios…
Luar!, tapa-me os olhos e os dias:
Antes cego, que acordar e não ter,
Do que ver, e não ter o que vias….
Prendo, no sono, o sonho para te ver,
Fico cego se em mim não te sentir,
Fios de seda - não te deixem partir!
Lisboa, 05-01-2009 20:49:30
(Registado no Ministério da Cultura
- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –
Site
Gravação
Voltei!
VOLTEI!
(Rogério Martins Simões)
Venho dos limites do tempo
De uma galáxia qualquer
Já fui mar, já fui vento
Agora sou pensamento
Aparado em dado momento
No ventre de uma Mulher!
Meu corpo é magistral!
Brutal! Perfeito! Soberbo!
De início não era verbo
Agora sou o verbo ser
Tenho comigo segredos
Segredos do universo
Transporto no corpo recados
Escrevo em forma de verso.
Venho dos limites do tempo
Não sei o que fui e sou:
Deserto? Nascente?
Já fui Norte, já fui Sul
Pó astral, mar azul!
Luar, estrela cadente.
Eu me vou!
Partirei num cometa qualquer
E serei novamente pôr-do-sol.
Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!
Voltei...Já cá estou…
Agora sou pensamento
Nascido em dado momento
Do ventre de uma Mulher!
23-09-2004 18:39
Aldeia do Meco
(Registado no Ministério da Cultura
- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –
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Escreve poesia desde os 14 anos tendo adoptado o heterónimo ROMASI.
Praticou atletismo no seu Sporting Clube de Portugal onde foi campeão nacional por equipas.
Fez arqueologia desde os 14 anos na igreja de S. Vicente de Fora e até há poucos anos.
Licenciado em Gestão e bacharel em Contabilidade, foi funcionário da Federação das Caixas de Previdência, dos antigos postos da Caixa e dos Serviços Médico Sociais
Já com o Curso Superior de Contabilidade ingressa no sector privado onde exerceu cargos de Director financeiro em empresas de turismo e outras.
Continuou a estudar e concluiu a licenciatura em Gestão.
Regressou à F.P em 1986 tendo desempenhado funções de Técnico Superior em áreas do combate à fraude fiscal, na protecção e segurança de pessoas e bens e na investigação criminal.
Em 2004 criou um blog intitulado POEMAS DE AMOR E DOR para divulgar os poemas que rasgou, mas sabia de cor, e chegou a ter mais de 3000 visitas diárias. Em 2005, com mais de 1 milhão de acessos, doente, vendo que a Parkinson tomava conta da alma e do corpo, resolveu parar.
Voltou e foi graças ao blog que a sua poesia não foi totalmente destruída e, apesar de humilde, tem diariamente cerca de 1000 leitores amigos.
Participa em diversas páginas de poesia e se a doença de Parkinson não se agravar quer continuar a escrever e regressar à arqueologia tendo já recebido apoio e solidariedade do seu antigo grupo de arqueólogos.
É o amor da sua esposa e a poesia que o mantém vivo!
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