Escritas

Lista de Poemas

Bendita Sejas Mulher

BENDITA SEJAS MULHER

Rogério Martins Simões

Nos caminhos que trilhamos renascidos,

Certamente, já esquecemos a distância

Que prolongam os caminhos percorridos;

Irás encontrar na minha ânsia,

Estes trilhos marginais, mas, tão sofridos

Não me fico por silêncios.

Mas, meu amor, eu te digo:

Bendita sejas mulher!

A eternidade é estar contigo!

Bendita o sejas por ser,

A razão do meu viver.

Os ventos são adversos.

Maior porta de abrigo, eu, não vi.

Terá o céu no acaso

Tamanha luz, no firmamento,

Sem ti?

Repara no sentido dos meus versos.

São cartas de amor que não escrevi…

Palavras adultas fora do prazo,

Construídas no encantamento,

Sem pressas, aqui!

Por isso, de novo, te digo:

A eternidade é estar contigo!

Bendita o sejas por ser,

A razão do meu viver.

Bendita sejas mulher!

24-11-2005 alterado 2013

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

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MAR DE PRANTO (poema dedicado aos jovens que morreram no Meco)

vídeo aqui:
http://tempuri.org/tempuri.html

MAR DE PRANTO

Rogério Martins Simões

Toda a noite este mar tanto bateu.

Toda a noite a falésia lá chorava.

Parecia que ali perto alguém rezava,

Ao destino que só a morte atendeu.

Rapina e tão cruel onda acometeu.

Feia noite que a falésia chocalhava.

E o mar que desde sempre salteava…

Voltou para levar quem escolheu.

Ah desprezível onda que assassina.

Ave agoirenta tu és, e na triste sina,

Pela manhã retine um cais de espanto…

Espalhas e recolhes tantas dores.

Flores! E tantas flores. Deitem flores:

Lágrimas e jasmins ao mar de pranto.

Meco, Praia das Bicas 15/12/2013 23:24:32

(Aos jovens que hoje morreram ou desapareceram na Praia do Meco)

SEA Pranto
Rogerio Martins Simões

Cada noche, este mar tanto golpeó.
Durante toda la noche el acantilado allí llorando.
Parecía que alguien estaba rezando cerca,
El destino que se ha reunido sólo la muerte.

Ola Presa y tan cruel abrochado.
Noche feo que hizo temblar el acantilado.
Y el mar que siempre ha salteava ...
Volvió a tomar el que escogió.

Ah ola insignificante que asesina.
Ominoso pájaro eres, y difícil situación,
Mañana sonido metálico de un muelle en el asombro ...

Espalhas y la recopilación de tanto dolor.
Flores! Tantas flores. Colóquelos flores:
Las lágrimas y el jazmín de la mar de lamentos.

Meco Beach Bicas 15/12/2013 23:24:32
(Para los jóvenes de hoy que han muerto o desaparecido en Praia do Meco) Me encanto disculpe usted Maestro mi mama traduccion

POEMA, imagens e vídeo de Rogério Martins Simões

Parte deste soneto foi escrito na manhã da tragédia e na Praia das Bicas

As minhas sentidas condolências às famílias enlutadas.

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A estrela mais bela que encontrei

 

 

A ESTRELA MAIS BELA QUE ENCONTREI!

(Rogério Martins Simões)

 

 

Sabes encontrar-me pela manhã,

No riacho cristalino do desapego,

Onde, renunciando, dores refego,

Para que a esperança não seja vã.

 

Livre da dor e tortura é este afã.

Cuido este corpo onde me apego.

Tarde libertar-me deste carrego,

Que extingue o carma de amanhã.

 

E se estiver na hora quero propor:

Irei de mãos dadas pelo caminho,

Perdido eu de amores, devagarinho,

 

Levarei comigo o meu lindo amor,

A estrela mais bela que encontrei.

Não quero perder quem tanto amei!

 

Lisboa, 27-03-2008 22:04:08

(Registado no Ministério da Cultura

Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.

Processo n.º 2079/09)

 

http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt

 

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VOLTEI

http://tempuri.org/tempuri.html

VOLTEI!

(Rogério Martins Simões)

Venho dos limites do tempo

De uma galáxia qualquer

Já fui mar, já fui vento

Agora sou pensamento

Aparado em dado momento

No ventre de uma Mulher!

Meu corpo é magistral!

Brutal! Perfeito! Soberbo!

De início não era verbo

Agora sou o verbo ser

Tenho comigo segredos

Segredos do universo

Transporto no corpo recados

Escrevo em forma de verso.

Venho dos limites do tempo

Não sei o que fui e sou:

Deserto? Nascente?

Já fui Norte, já fui Sul

Pó astral, mar azul!

Luar, estrela cadente.

Eu me vou!

Partirei num cometa qualquer

E serei novamente pôr-do-sol.

Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!

Voltei...Já cá estou…

Agora sou pensamento

Nascido em dado momento

Do ventre de uma Mulher!

23-09-2004 18:39

Aldeia do Meco

(Este poema foi gravado em MP3 pelo Luís Gaspar nos Estúdios Raposo –“Lugar aos novos”

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

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Voltei cantado por Rogério Oliveira dos Boémia

http://tempuri.org/tempuri.html
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Zarpa que incomoda

ZARPA... QUE INCOMODA!

(Rogério Martins Simões)

O que pensas quando estás só?

Que notícias trazem de ti as horas?

Por que suspendes os minutos

e desprezas os segundos?

Secundaram a tua imagem

numa versão de cárcere...

Que sabem de ti os amigos?

Que dúvidas escorrem

nos confins da tua mente?

- Mentias se falasses!

Por isso nada dizes

e o silêncio incomoda.

Morrias se ouvisses um grito!

Chorarias

se escutasses uma criança!

Que criança tem o teu coração?

Ainda, assim, escutas

o teu próprio silêncio.

Resta-te um velho cão...

Continuas só

escutando nada!?

Lá fora uma multidão,

danada,

apedreja um ladrão...

À luz de uma velha cidade

florescem cimentos

e as gentes passam por edifícios

construídos nos penhascos dos lucros...

Parecem feras enjauladas

que se soltam

e percorrem, na rotina,

o caminho contrário.

Contrariamente à sorte

não se fala na mesma língua...

O regresso é o inverso e o verso

de uma partida desesperada...

A todo o tempo se remexe

em papéis,

em contas,

e se contam os tostões

para pagar as dívidas!

Que dívida tens para com a sorte

em teres nascido?

Zarpa que incomoda!

Resta-te um velho cão...

Andam aos tiros nas ruas.

Apontam as espingardas

às casas vazias.

Vivem agora nos fundos...

a fugir às bombas.

Não oiço nada cá em baixo!

Não oiço nada cá em cima!

O hospital tresanda

a fétida melena

de sangue cozido pelo sol.

O sol não nasceu para todos!

Estendem-se redes,

pelos telhados,

para aprisionar a luz.

Falta-me a lucidez!

Zarpa que incomoda!

Resta-me um velho cão...

O cão sacode a pulga.

E a pulga regressa ao homem

de onde nunca deveria ter saído.

Na barraca, de tabique,

há sempre correntes de ar

e cheiros pestilentos

das canseiras.

No bidão

improvisa-se um lavatório.

Emprenha-se um buraco...

que faz de latrina...

Ao lado, prego com prego,

cheira a catinga.

E uma velha mulher

canta

uma desconhecida

canção de embalar.

Todas as manhãs

são escurecidas

com excrementos escorridos....

Cheira a merda!

Zarpa que incomoda...

Resta-me um velho cão...

Hoje não penso

nas quatro paredes

que me cercam.

Corri meus olhos numa cotovia

Que voava apressada...

Bateram à porta.

Foi engano!

Lá fora, nas cartilagens da agonia,

há tanta luta!

Movimento as minhas mãos

E conforto o velho cão

Que não se mexe.

Sucumbia a uma lambidela...

Zarpa que incomoda...

Que sorte

ter um cão por amigo...

Lisboa, 31/08/2006

(Registado no Ministério da Cultura

Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C.

Processo n.º 2079/09)

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Geada gelo chuva neve

 

GEADA GELO CHUVA NEVE

Rogério Martins Simões

 

A enxada cava fundo

Na mão do homem do campo!

Fundo entra!

Chega fundo

Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

Na lareira, o pinho crepita,

A velha treme

E a criança grita

Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

O Inverno é ruim

E a bucha é tão rara.

Viva a salgadeira

Do toucinho cru!

Meu filho

Não te metas ao caminho

Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

Mãe minha, vou emigrar.

Que Deus a ajude

Que eu não posso!

E se Deus não quiser,

Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

Não há Inverno somente

Valha-nos os bafos da cabra!

Cabra minha já foste à lenha?

Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

Ardem as torgas na lareira

Senhor Ministro,

Que bela a casa a sua!?

Não há frio que lhe chegue,

Nem Geada, Gelo, Chuva e Neve.

 

Em casa de pobre,

Ramos de horta…

Ninhos de águia no alpendre…

Lavrador não fique curvado

À geada, gelo, chuva e neve.

 

1974

(Poema dedicado às gentes da Póvoa – Pampilhosa da Serra e aos Beirões)

http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt

 

 

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Em sonho me dependurei no luar

POEMAS DE AMOR E DOR

Óleo sobre tela

Elisabete Maria Sombreireiro Palma

 

 

EM SONHO ME DEPENDUREI NO LUAR

Rogério Martins Simões

 

 

Em sonho me dependurei no luar.

O luar quis acordar os nossos cios.

Ali estavas, desnudada no meu olhar,

Encandeando meus olhos luzidios.

 

Os sonhos soçobram ao acordar…

O luar distende o sonho em atavios.

Ai!, sereia espraiada no meu mar,

Esperando as águas dos meus rios…

 

Luar!,  tapa-me os olhos e os dias:

Antes cego, que acordar e não ter,

Do que ver, e não ter o que vias….

 

Prendo, no sono, o sonho para te ver,

Fico cego se em mim não te sentir,

Fios de seda - não te deixem partir!

 

Lisboa, 05-01-2009 20:49:30

 

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

Site http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt

Gravação

http://www.estudioraposa.com/armazem/poemas/rogerio_martins_simoes_sonho.mp3

 

 

 

 

 

 

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Voltei!

 

VOLTEI!

 

(Rogério Martins Simões)

 

Venho dos limites do tempo

De uma galáxia qualquer

Já fui mar, já fui vento

Agora sou pensamento

Aparado em dado momento

No ventre de uma Mulher!

 

Meu corpo é magistral!

Brutal! Perfeito! Soberbo!

De início não era verbo

Agora sou o verbo ser

 

Tenho comigo segredos

Segredos do universo

Transporto no corpo recados

Escrevo em forma de verso.

Venho dos limites do tempo

Não sei o que fui e sou:

Deserto? Nascente?

Já fui Norte, já fui Sul

Pó astral, mar azul!

Luar, estrela cadente.

 

Eu me vou!

Partirei num cometa qualquer

E serei novamente pôr-do-sol.

Cor-de-rosa, aloendro, malmequer!

 

Voltei...Já cá estou…

Agora sou pensamento

Nascido em dado momento

Do ventre de uma Mulher!

 

23-09-2004 18:39

Aldeia do Meco

 

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)

 

 

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