Lista de Poemas
Sem Abrigo
Sem Abrigo
(Estações Partidas)
Ah! Como queria
Sumir contigo
Um oceano deserto, só maresia
Sem abrigo
Quem sabe uma montanha
Com muito ar fresco
E uma paz tamanha
Em uma choupana com um arabesco
Talvez à beira de uma lagoa
Onde o som das águas
Com o vento à toa
Sufoque nossas mágoas
Ou então um barco num rio
Nos leve a uma ilha
Onde eu e tu maltrapilha
Sintamos o prazer do frio
Ah! Como queria
Sumir contigo
Pra um lugar qualquer
Sem abrigo
Sentir teu corpo nu
Deixar-me ser tocado por ti
E pelo vento, e pelo canto do anu
E pelo cheiro da flor de sapoti
Sentir o gosto da grama
Tocando minha língua exposta
Ao prazer, indizível de ter
Você, junto a mim, posta!
Beijos Comprimidos
Beijos Comprimidos
(Cacos Inconexos)
No
vagar da tarde
sonho
com
teus beijos compressores
No
vagar da tarde
pede-me
ficante
faz-me
pecante
traça-me
picante
E
deixa o Sol rastrear nosso odor
e
deixa a dor rastejar solo ardente
e
rilha, rilha, rilha
cada
dente siso
cada
cadeira básica
cada
porta tesa
E
eu te aguardo
para
beijos comprimidos
beijos
compressores
no
vagar da tarde
Quase Só
Quase Só
(Estações Partidas)
Estou quase só
Quase, porque você não sai da minha mente
Só, porque estou sem você
Cardiolatifúndio
Cardiolatifúndio
(Cacos Inconexos)
Ele
era tão ateu
que
não conseguia dizer
adeus
Tentava
aprender a fazer reforma agrária
em
um cardiolatifúndio
Dialógica
Dialógica
(Cacos Inconexos)
Eu
quero uma buceta cabeluda
ou
raspada
A
boemia para mim é um acidente
Eu
quero estar em casa
filosofando
cada pentelho
iluminado
pelos raios que transpassam
aquela
cortina encardida
Eu
quero esse cheiro impregnado
o
espaço impreenchível
de
um coração implexo
Para
fora com suas vaginas monologais
Eu
quero uma buceta que dialogue
Numa Lua Pousada
Numa Lua Pousada
(Estações Partidas)
Ousar
Ter prazer
Pousar
Com você
Sem marra
Na Barra
Com céu sem estrela
Só quero
Tê-la
Nua
Molhada
Numa Lua Pousada
Não Sei o Quanto de Mim Sou Mulher
Não Sei o Quanto de Mim Sou Mulher
(Cacos Inconexos)
Não sei o quanto de mim sou mulher
Se
na lágrima que deita calada
numa
manhã cinzenta
Se
na inconstância do desejo
que
nuveia a tristeza
Não
sei o quanto de mim sou mulher
Se
no querer- me livre
assim
como os outros
Se
no querer-me onipresente
assim
como Ele
Não
sei...
Sei
que de tanto gostar
carregá-lá
em mim
faz-me
feliz
Sonho
Sonho
(Estações Partidas)
Sonhar
Por uma diva
Sumida
Esquiva
Sofrida
Fodida
Que vida!
Luz e Poesia
Luz e Poesia
(Cacos Inconexos)
A
luz está para a arquitetura
assim
como a poesia
está
para a literatura
ambas
carecem de corpos sensíveis
para
serem vistas.
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