Lista de Poemas
O DIA É UMA NOITE QUE ACORDOU
Renato Ferraz
O dia de hoje é a noite de ontem
que dormiu e acordou cedo.
Enquanto ela não desperta,
Nós também dormimos
e às vezes sonhamos.
Dia e noite são metades
que compõem o dia inteiro.
No decorrer das horas
aparece a madrugada.
Ela chega silenciosa e
Traz consigo o vento frio
que sopra e espalha nossos sonhos.
O propósito do dia é a sobrevivência
O trabalhador sai de casa cedo
para ajudar o mundo a girar.
A carga maior com os impostos mais pesados,
o pobre já sabe que é ele que pagará.
Já se acostumou.
Quando amanhece,
com esforço e trabalho começa tudo outra vez.
Às vezes não dá para saber
se a noite dorme ou apenas cochila.
De tão rápido que o tempo age.
Pode-se perguntar se dia e noite,
algum é mais importante que o outro.
A resposta, felizmente é não!
Mas o dia já foi, por algum tempo.
Do princípio até os dias atuais
tem sido assim, um novo dia amanhece
uma nova noite acontece o acompanha
e tão rapidamente logo o último do ano.
Liga-se o cronômetro e começará tudo
Outra vez.
QUANDO AQUELE RIO MORREU
Renato Ferraz
Quando aquele rio secou,
enlutado eu chorei,
senti uma grande dor.
Se minhas lágrimas bastassem
para que suas águas não acabassem
eu choraria a vida inteira
se preciso fosse.
Eu vi a tristeza em sua face
da última vez que me despedi.
Saudoso tive que parar de navegar
Tentei, mas nada pude fazer para evitar.
A vida de quem ao redor se criou,
que do rio o alimento sempre tirou,
sofre a sua ausência e lamenta.
Sobrevive da saudade que só aumenta.
Hoje sentimos a seca em nosso peito
de um rio sem vida sem ter mais jeito.
A terra seca arde e reclama da sua dor
sofreram seu revés a vida e o amor.
MALQUISTA
Renato Ferraz
Sobre a morte, silêncio!
Ninguém gosta de falar.
Prefere-se que fique quieta.
Enquanto ela dorme,
a vida tira proveito.
A morte é uma intrusa
que persegue a vida,
desde que se nasce,
até um dia conseguir vencê-la.
Tenho dúvida se seria melhor
conhecê-la um pouco mais.
Quanto menos se pensar nela,
o presente será vivido melhor.
A morte e a vida, lado a lado,
uma é a sombra da outra e passará,
já a outra ficará.
Quando a morte sorrir,
A vida chorará.
A ONDA
Renato Ferraz
A onda.
A onda anda.
Onde anda a onda?
A onda anda na praia!
Eu ando onde anda a onda,
é na areia da praia que ela anda.
Ela molha os meus pés e se manda.
De onde será, então, que vem a onda?
A onda vem de onde a lua manda.
A lua manda e o mar movimenta a onda.
A areia da praia engole parte da onda.
Tanta onda me lembrou os olhos de Fernanda!
Faz tempo que não a vejo, deu saudade de Nanda!
Oh, Nanda, cadê você, por onde anda? Vem ver a onda!
O Vento
O Vento
Renato Ferraz
Eu vi o vento vindo,
ele vinha soprando e dançando.
Eu vi o vento sorrindo,
ele vinha dançando e cantando.
Eu vi o vento pulando,
ele vinha pulando e brincando
Eu vi o vento alisando.
ele vinha amando e correndo.
Vento que vem das ondas do mar,
vem até a praia, a gente alisar,
sopra e se espalha aonde precisar.
Vai até onde pode chegar.
Dança e canta e brinca e pula.
Corre e sopra e alisa e ama.
Vem, a vida aliviar.
A Noite
A Noite
Renato Ferraz
Na maioria das vezes solitária,
guiada pelo tempo,
a noite nos transporta até o dia.
Há, no meio, uma madrugada
vigiada por galos que acordam
para cantar.
As galinhas, não!
Sua travessia, a distância,
é acompanhada pelos olhares do Céu.
Cintilantes, as estrelas veem e
a acompanham, passo a passo.
Como uma sombra, o silêncio
a segue. So às vezes é interrompido.
O tempo, não!
A vida da gente é levada
com cuidado e conforto,
entre travesseiros e colchões.
É um voo seguro.
Nunca caiu.
Consegue-se dormir e descansar.
Todos, não!
Segue a noite, no piloto automático.
O tempo é a bússola,
muda a cada segundo.
Muda também o momento.
Acordamos e corremos atrás do tempo,
como uma criança atrás do seu brinquedo.
O dia clareou, não podemos nos atrasar...
A BUNDA
A BUNDA
Renato Ferraz
A bunda tem duas bandas
que formam uma bunda.
Uma é direita. A outra, não.
Ela sabe sorrir e passeia como ninguém.
A bunda veste-se de acordo com a ocasião.
Há bundas mais amostradas que outras.
Se ela sorrir ou retribuir o olhar
eis um bom começo de paquera.
Toda bunda sabe dançar e mexer como ninguém.
Ela é uma moça comportada.
Senta-se à mesa com formosura.
Há bundas tão exibidas e outras tão tímidas.
Há bundas tão tristinhas e outras tão festeiras.
A bunda sabe paquerar, sabe namorar
e também sabe amar.
Quando a bunda passa,
é um momento de reverências, há todo um ritual.
Se o olhar dirigido a ela,
Mesmo sendo dubiamente respeitoso,
for bem recebido, ela fica agradecida e faceira.
Porém se é olhada com desdém
ou lhe dirigem palavras chulas,
aí ela fica brava e vai-se embora para nunca mais voltar...
A bunda gosta de carinho.
Ela é tão boa que suas bandas jamais se separaram.
porque conseguem viver em harmonia.
É admirável essa união
A bunda gosta de se vestir bem e de ficar elegante.
Da mesma forma se sente bem, ficando à vontade
Outras vezes ela prefere ficar sem roupa.
De todo jeito ela é charmosa e querida.
Por isso viva a bunda!
11/03/2012
BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA
BOTECO, O BALCÃO DA ALEGRIA
Renato Ferraz
Há quem diga que o bom boteco
é o endereço da alegria.
Onde a descontração é a porta de entrada
e a satisfação é o cardápio do dia.
Lá se toma doses de diversão,
a espontaneidade não entra na conta
e o bate papo tem o sabor de petisco.
As agruras da vida somem.
A prioridade é se divertir.
O bom, no boteco, é que cada um
tem respeitada a sua preferência.
A dose e o tipo de bebida são escolhas íntimas.
Não precisa ser idoso para ter prioridade.
Alguns, mais falantes, arriscam a denominar,
quase em tom de discurso,
que o boteco é a tribuna da democracia,
da pluralidade e da verdadeira e real filosofia!
Naquele local servem um cardápio de emoções.
E a sensação que se tem do efeito da bebida
ajuda o compasso do coração,
que bate feliz.
A língua perde a timidez e fica mais solta.
Porque ali todos são iguais.
Os direitos e deveres estão postos
Sobre o balcão,
espalhados sobre as mesas.
Fala-se livremente sobre tudo.
Até de quem já morreu...
E principalmente dos assuntos do coração.
Se as verdades da vida vêm à mesa,
também é onde se mente
E se fantasia muito!
Afinal ali estão seres humanos, bebendo,
representando o planeta terra.
Ninguém dali conheceu o céu
nem foi para o boteco falar sobre a morte,
Porque se o céu é bom, está associado à morte
e no boteco a cotação do tempo
é o presente, é a emoção, é a vida real.
.
AQUELE POEMA
AQUELE POEMA
Renato Ferraz
Há um espelho em cada verso,
naquele poema.
Eu olho para cada um e me vejo
fazendo-o para ela.
Se eu conseguir, deslumbrado
porque também me vê,
fazê-la lembrar aquele pôr-do-sol,
considero ter valido a pena.
Ao ler-me, verá para quem é que eu olho.
Se o seu coração consentir o que vê,
direi que ele refletiu o que pensei
e logo o meu fará uma festa.
Os meus sentidos estão satisfeitos
e agradecem,
porque em cada verso que vê,
tem seu cheiro, tem seu olhar;
tem seu toque e tem sua voz.
Essa imagem reproduzida
que vem dar luz às estrofes,
fará o poema brilhar,
mesmo que não entendam assim.
A VIDA, UMA PARTE NÓS A DOMINAMOS...
A VIDA, UMA PARTE NÓS DOMINAMOS!...
Renato Ferraz
Sobre a vida, quão maravilhosa ela pode ser.
Portanto, o melhor mesmo é vivê-la.
O quer dizer que é preciso saber viver.
Ela é um simples gesto do Criador,
mas é complexa, ao ponto de não se ter a certeza
de como tudo aconteceu, nem como será quando acabar...
Todos vibramos em alguns momentos da vida.
Cada um tem uma opinião sobre ela.
Como um pêndulo, ora alegre para um lado,
ora triste para o outro.
Porém o que mais se deseja dela,
já que o sofrimento faz parte e a morte também,
é que ela não nos negue a felicidade.
A vida, uma parte sua é a nossa digital, você tem o controle;
a outra que a gente chama de sorte ou azar,
não nos cabe querer entender...
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