Lista de Poemas

Prosas Dissolutas (um desabafo instrumental-poético)

Esperam tanto dos poetas... De suas soluções alcasselcer de rimas
De suas visões arrebatadoras.
Ó leitores!... ficam mergulhados nas lãs das metáforas à cata dos significados raros e mágicos. Entretidos nessa caça, se esquecem de catar de si próprios algo.
Ó meros leitores de símbolos versificados, acordai-vos!
A marcha turca ressoa em qualquer pessoa: seja ela bororo, inglesa ou russa.

Ó leitores! Folheiam e folheiam livros de versos e belas prosas, mas e daí?
Fecham suas páginas e defloram de imediatos para suas vidas, vidas soltas de mínimo verso e para suas palavras velhacas de sentido.
Praquê, então, poesia? – perco tempo em escrevê-la?
Tenho um escrito em que coloco a curiosidade como o primeiro adjetivo de um poeta.
A curiosidade em esculpir todos os lados da verdade, a verdade que nos é ofertada, a verdade gorda e sem colesterol. A verdade do choro e do tesão. A verdade da verdade!
Praquê poesia, então! Praquê poesia se pecam pela não-besbilhotice?

Tá certo... Que alguns teóricos da rima versam pela qualidade da poesia ser um ser inútil, destituído de valor prático. Mas então, praquê poesia?
A surdez não está nas mãos do poeta, não! A poesia se desenvolve no silêncio dos ares.

É que nem o si bemol, tem que ter ouvido. Digerir letras e sílabas, sanduichando-as em palavras... E palavras saboreando-se em frases.
Pra que poesia, então?! Meu país não come, meu país não corre, meu país é mudo. Meu país é surdo, meu país não educa, meu país não surfa, Meu país não namora, meu país sofre. Meu país chora! Pra que poesia! Pra quê? Meu mundo explode, meu mundo se afoga, meu mundo afora, meu mundo feminino, meu mundo masculino, meu mundo de agora, meu mundo de tanques, meu mundo estanque. Pra que poesia!
Poesia é justamente o vocábulo que falta nos corações dicionários. É o adjetivo dos sentidos, o movimento e o estado. É o soldado que volta da guerra, o amante dos relances; O ator que retorna do palco e as crianças, do lanche. São fatos, adjetivos fartos: meu país come; meu país atleta olímpico corre; Meu país canta; meu país acontece e namora.
Pra que poesia, pra quê! A vida é simples, não carece de rimas. Rima é complicada, leva quase uma tarde. A vida não é uma tarde... é o sol que não brilha e o chuvisco que irrita. É a lua que clareia o sono...
Pra que poesia, pra quê! É pura política. É a frase dita, perfeitamente íntegra, Passível de erros, mas sinceramente dita. Meu país come mil pratos e cem estrofes. Meu país corre mil prados, meu país encanta. Meu país! Nosso, nuestro, our. É hora, isso! Poesia é o instante modificando o agora.
👁️ 98

A chuva e a arquitetura

Chuva. Água verticalmente ativa
Ativa ira personalizada in...
Na via expressa, onde sobem os monomotores,
Uma massa tímida de hagadoisó
Canta voraz.

Vorazmente seus gorjeios
São retratados pelo meio fio.
O eucalipto, antes nativo,
Agora pós-industrializado abrigo,
Fincado na pedra, acolhe
Os corações aflitos.

A chuva se dilui.
Respinga pelas valas do chapéu,
Aba de guarda-chuva a resguardar...
Partida em duas pontas,
O sentido se esvai na bifurcação.
Uma leva a um escopo,
A outra, à uma errônea fração.

A dúvida final estriptiza refletores
Que iluminam a piscina,
Cova derradeira da chuva.

A arquitetura apenas observa.
Observa com lentes de aumento.
A heroica arquitetura observa.

Arquitetura moderna, arquitetura não-volkswagem
Arquétipo de incongruências,
Cimento mal-rebocado
Desapego de secos ossos
Descalcificados, separados, divorciados.
Os faróis, rubi precioso: semáforo,
Apontam tilintando, alertando as  bocas-de-lobo.
Os olhos das luzes estigmatizam miopia.
Pare! Pare! Chamem as luzes óticas.
Que sejam sustentadas em haste de tartaruga bem grossa.
O importante é que a arquitetura sinta a chuva.

👁️ 70

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments