Lista de Poemas

Espinhos

Minhas condolências por mim mesmo
Que viajando e buscando a esmo
O fim da poesia
A meada da nostalgia

Retraço a trilha aporosa
Reunindo estilhaços de rosa
Tal qual Drummond Mestre previa

Amante, odiante, diferente e indiferente
Fez-me um dia o(s) dilema(s), amorosa
De senhor e escravo de poemas

E ainda assim, eu amo rosas

Paulo Sarius - 31/07/2011
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Desertório

Preso na tela
O Sono protela
Ileso esfarela
Deserto em remela

Ponteiros em sol
Apertam um nó
Retesa-me só
Faz o livre em pó

Assim, dez caminham
Passos repassados num chão
De poucas polegadas, se vão
Um, cem, dez caminhos
Qual língua pisoteada
Diz muito sem falar nada

Um nobre descoroado
Em móvel trono jaz
Sem súditos, sem paz
Em távola aprisionado
Onde corre, fiel, um rato
Rato preto, não teme gato

Sofrida travessia
Ida sem noite ou dia
Sol de calor que esfria
Em solitária companhia

Findam-se as areias
Decerto, o oásis amado!
Ante lesadas veias
Deserto teu grão suado!

Paulo Sarius
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Lemniscata

Penso, tenso e intenso
Qual o próximo passo
Traçar ou não o que faço
Meu sonho era ter a cordis de aço
Fria, reluzente, à prova dos estilhaços
Dos meus anseios, caprichos insatisfeitos
Promessas e feitos não feitos
Influências em meus defeitos perfeitos
Oriundas da voz dos tempos e de Dias
Uma esperança, hoje morta e tardia...

Na ânsia de encontrar em mim um caminho
Que não leve, me leve ao caótico eu, perdido e sozinho
Não me conheço, não me dou preço e sinto sem ver
A treva da escolha que me arranca o sono e precede o abandono

Começar, rumar, acabar
Eis o destino, o fim absoluto
Que és de toda paixão vil fruto
Por força da vida ou sorte da morte

Eterna afronta de mim versus mim
Incerteza venenosa, circular, sem início e fim
Só há a garantia do ser
Se ela é, eu sou: somos!
A contradição encarnada de sentimentos extremos
Vã vítima perpétua dos meus próprios venenos


Paulo Sarius- 02/03/2011
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