Lista de Poemas
vênus
a estrela mais reluzente
a olho nu
nem de verdade é.
dito de outro modo:
qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
a olho nu
nem de verdade é.
dito de outro modo:
qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
👁️ 289
netuno
uma sereia que tenta
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
👁️ 270
saturno
uma cobrança pode levar
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
👁️ 261
mercúrio
quando o carteiro chegou
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
👁️ 256
marte
quanta alma
dessa jarra
você despeja
nas palavras
nas vontades
e nas feridas
ao redor?
dessa jarra
você despeja
nas palavras
nas vontades
e nas feridas
ao redor?
👁️ 250
plutão
lapida o subterrâneo
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
👁️ 285
júpiter
um mantra se infiltra
por dentro dos olhos
e me incentiva.
abro os braços
as pontas dos dedos
esbarrando em satélites.
como nunca vi tantas luas
dançando ao meu redor?
devo atraí-las com
essas palavras turvas
dentre as quais cintila
o que há de melhor.
de lua em lua, um arremate:
de braços abertos
somos sempre maiores.
por dentro dos olhos
e me incentiva.
abro os braços
as pontas dos dedos
esbarrando em satélites.
como nunca vi tantas luas
dançando ao meu redor?
devo atraí-las com
essas palavras turvas
dentre as quais cintila
o que há de melhor.
de lua em lua, um arremate:
de braços abertos
somos sempre maiores.
👁️ 278
o sol
ludibriemos o sol
ou ele nos oprime
sejamos como prisma
estático e translúcido
filtrando radiação
em cores distintas
aplaudamos o astro
no raiar e no crepúsculo
para então servi-lo banquete ao jardim.
dancemos em torno do sol
como predador
a cortejar um antílope
quanto mais ele nos vê
menos caça se torna
quanto mais o vemos
menos enxergamos o campo
todo dia, o mesmo rito:
o sol nutre e incendeia nosso ego.
ou ele nos oprime
sejamos como prisma
estático e translúcido
filtrando radiação
em cores distintas
aplaudamos o astro
no raiar e no crepúsculo
para então servi-lo banquete ao jardim.
dancemos em torno do sol
como predador
a cortejar um antílope
quanto mais ele nos vê
menos caça se torna
quanto mais o vemos
menos enxergamos o campo
todo dia, o mesmo rito:
o sol nutre e incendeia nosso ego.
👁️ 214
a lua
decifre a lua
ou ela nos devora
seu nome desliza
para além da curvilínea
eis a hora perfeita do rapto
guarda-a em seu bolso
e recorda o enigma dissoluto:
o jogo de luz e sombras
a lua é cheia no céu
e também lâmina rasa
em ascensão.
ou ela nos devora
seu nome desliza
para além da curvilínea
eis a hora perfeita do rapto
guarda-a em seu bolso
e recorda o enigma dissoluto:
o jogo de luz e sombras
a lua é cheia no céu
e também lâmina rasa
em ascensão.
👁️ 206
alhures
alhures é um nome bonito
para atribuir a uma estrela morta
cujo fantasma ainda vibra
soa como o barulho do mar
que está por toda parte
mas não exatamente aqui
talvez a um passo ou
a muitas milhas de mim
quando se vai além
tem-se a dúvida como guia
e o espanto como desfecho
para que o transe do conforto
quando se pode arrastar raízes
em outras estâncias?
sabendo que de onde vim
nunca a mim será estranho
o mundo se abre a cada paragem
e se amplia o terreiro chamado aqui.
para atribuir a uma estrela morta
cujo fantasma ainda vibra
soa como o barulho do mar
que está por toda parte
mas não exatamente aqui
talvez a um passo ou
a muitas milhas de mim
quando se vai além
tem-se a dúvida como guia
e o espanto como desfecho
para que o transe do conforto
quando se pode arrastar raízes
em outras estâncias?
sabendo que de onde vim
nunca a mim será estranho
o mundo se abre a cada paragem
e se amplia o terreiro chamado aqui.
👁️ 226
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Bruno Macedo
2019-09-28
Olá boa noite! Seus poemas são encantadores e fortes, parabéns. Como faço para me cadastrar no Escritas.org e publicar meus poemas? No momento do cadastro pede um código, mas não sei onde encontrar.
Português
English
Español