Lista de Poemas

Corpos Amantes

Kassel, 06.03.00

Ecoam no silêncio da noite invernal

Gemidos e sussurros de corpos amantes,

Entrelaçados na dança dionisíaca da eterna procura mútua.

II

Olhos flamejantes que se encontram em cantos diversos

Na dimensão finita do quarto escuro,

O tocar delicado de mãos suaves a deslizarem sobre a carne nua,

A fragância inebriante que se emana des longos cabelos dourados,

Campos de trigo a desafiarem a aspereza implacável do Inverno,

Pelos epidérmicos a brotarem da pele macia,

Prenúncio da Primavera próxima.

III

Ecoam no silêncio da noite invernal

Gemidos e sussuros de corpos amantes,

Corpos ardentes transmudados em piras vulcânicas,

União simbiótica de amor transcendente, iluminando

a penumbra da noite fria,

Um dar-se e entregar-se incessante na vã tentativa

De eternecer o momento indescritível e fugaz.

IV

Ecoam no silêncio da noite invernal

Gemidos e sussuros de corpos amantes,

Confluência ritímico-simbiótica de gozo infinito-inefável,

Corpos em convulsões espamódicas,

Gritos arrebatantes de amor em êxtase,

Eufonia a soar pela noite adentro.

V

Ecoam no silêncio da noite invernal

Gemidos e sussuros de corpos amantes.

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A Dança da Chuva

A Dança da Chuva

Viagem de Teresina a Picos, 13.04.99

Em mirabolantes ziguezagues trafega o auto-carro

pela estrada esburacada, como errante nau

de um sertão-mar infinito com destino incerto

e amedrontador.

Casmurros, rostos impassíveis ocultam sonhos

e anseios de vida plena alhures, oprimidos

entre a inevitabilidade da partida e a dor do adeus.

A fantasmagórica dança das águas embranquece

o horizonte distante. Incessantes pingos de chuva

caem sobre o chão duro, umidecendo a superfície

tórrida, sémen de vida a fecundar o âmago da terra,

o desabrochar da Esperança!

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Vozes na Penumbra

01.03.07, viagem de comboio entre Kassel e Bremen.

No silêncio da noite as palavras ecoam em meus tímpanos

Como se fossem o murmúrio duma fonte distante.

Mesclando-se ao aroma de teu corpo,

A fragrância primaveril arde em minhas narículas.

Levanto-me, pelos arrepiados pela brisa matinal.

Fecho a janela. Retorno à cama.

Sonho e realidade mateiralizam-se

na limpidez dos raios de sol através da persiana entreaberta.


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Impressões

Francisco Santos (PI), 23.04.99

Veloz e certeiro o automóvel corta o chão sem fim,

deixando um rastro difuso de poeira nordestina,

avermelhada pelo sol causticante de todos os dias.

A estrada é uma linha reta que parece levar a lugar nenhum,

repleta de crateras à espera da chuva que sempre tarda,

alameda geométrica cuja beleza ímpar traduz-se na delicadeza

contrastante do lilás da jitirana.

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