Lista de Poemas
Insosso
A carne seca
A carne morta
A carne preta
Como o chão
Na estiagem
De agosto
No nordestino sertão
Quarenta graus
À margem
Dum rio coagulado
Desgosto
Na boca, amargo
Ferrugem
Quarenta degraus
De cabeças humanas
A carne resseca
Unhas e membranas
Espalhadas entre
Abutres e moscas inquietas
Bem-vindos ao ventre
Da minha dor cotidiana
A carne morta
A carne preta
Como o chão
Na estiagem
De agosto
No nordestino sertão
Quarenta graus
À margem
Dum rio coagulado
Desgosto
Na boca, amargo
Ferrugem
Quarenta degraus
De cabeças humanas
A carne resseca
Unhas e membranas
Espalhadas entre
Abutres e moscas inquietas
Bem-vindos ao ventre
Da minha dor cotidiana
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Epifania
Descobri
Sou poeta
Sou sim
Pessoas normais
Não fazem assim
A sobriedade
Não pertence a mim
A poesia
Me inebria
A cada segundo
A cada dia
Minha caneta
Em agonia
Minha embriaguez
Em rebelia
Aos sóbrios
Que não bebem
A si próprios
Sou poeta
Sou sim
Pessoas normais
Não fazem assim
A sobriedade
Não pertence a mim
A poesia
Me inebria
A cada segundo
A cada dia
Minha caneta
Em agonia
Minha embriaguez
Em rebelia
Aos sóbrios
Que não bebem
A si próprios
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Substantivo Feminino
O que é a poesia
Senão o sonho
Que sonhamos acordados
E que no fundo trazemos
Guardado de noites passadas
O que é a poesia
Senão flores colhidas
E por nós despedaçadas
O que é a poesia
Senão teus olhos
O que é a poesia
Senão o sol em nossas peles
O que é a poesia
Senão o alimento dos homens
E das mulheres
O que é a poesia
Senão saudade
Senão a linha tênue
Entre o que somos
O que queremos
E a verdade
Senão o sonho
Que sonhamos acordados
E que no fundo trazemos
Guardado de noites passadas
O que é a poesia
Senão flores colhidas
E por nós despedaçadas
O que é a poesia
Senão teus olhos
O que é a poesia
Senão o sol em nossas peles
O que é a poesia
Senão o alimento dos homens
E das mulheres
O que é a poesia
Senão saudade
Senão a linha tênue
Entre o que somos
O que queremos
E a verdade
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Oração
Ôh, rio
Tu que já viveu demais
Secou e reaguou
Tu que molda as pedra
Constrói abismos na terra
Tu que alimenta tudo que tem fome
Mata sede de bicho, planta e homem
Ôh, rio
Tu que já me viu viver demais
Aguôua minh'alma
Molha e acalenta
O que tiver em falta
Leva o que não mais me representa
Trás à tona minha raiz
Que com tua força rebenta
Solos desconhecidos
Ôh, rio
Vim lhe agradecer
E orar
A filha que tu fez crescer
Voltou hoje pra lhe visita
Tu que já viveu demais
Secou e reaguou
Tu que molda as pedra
Constrói abismos na terra
Tu que alimenta tudo que tem fome
Mata sede de bicho, planta e homem
Ôh, rio
Tu que já me viu viver demais
Aguôua minh'alma
Molha e acalenta
O que tiver em falta
Leva o que não mais me representa
Trás à tona minha raiz
Que com tua força rebenta
Solos desconhecidos
Ôh, rio
Vim lhe agradecer
E orar
A filha que tu fez crescer
Voltou hoje pra lhe visita
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Estre(l)ar
A luz que me ilumina
Brilha à noite
Durante o dia
Quando não há sol
Compartilho
Com as pessoas
Meu brilho
Quando estou só
Ilumino meu papel
Poesia são palavras de além-céu
Brilha à noite
Durante o dia
Quando não há sol
Compartilho
Com as pessoas
Meu brilho
Quando estou só
Ilumino meu papel
Poesia são palavras de além-céu
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Conto de Areia
São em noites de Lua amarela
Em que suspira saudosa a donzela,
Que se passa essa minha história.
São tempos de pouca glória
Vivos através da memória
De um velho amigo meu.
Quando o silêncio para o tempo
Ouve-se o sussurro do vento
Um choro distante trazendo.
E eis que o cochicho das árvores
Funde-se com o assovio de milhares
Micropartículas de poeira.
Quando a Lua lambe a terra prateada
A filha pelos deuses rejeitada
Levanta-se do leito na capoeira.
Só, ela anda a soprar o beijo
Que um dia guardara em seu peito.
Dó é o que sentiam a seu respeito.
Quando ela chega na beira do rio,
A Lua desenha uma passarela
Sobre o líquido sombrio
E eis que Menina então
Desfila
Sobre a água seu corpo
Fibrila
O luar na areia.
É ela a filha da Lua Cheia.
É bela e terrível sereia.
Em que suspira saudosa a donzela,
Que se passa essa minha história.
São tempos de pouca glória
Vivos através da memória
De um velho amigo meu.
Quando o silêncio para o tempo
Ouve-se o sussurro do vento
Um choro distante trazendo.
E eis que o cochicho das árvores
Funde-se com o assovio de milhares
Micropartículas de poeira.
Quando a Lua lambe a terra prateada
A filha pelos deuses rejeitada
Levanta-se do leito na capoeira.
Só, ela anda a soprar o beijo
Que um dia guardara em seu peito.
Dó é o que sentiam a seu respeito.
Quando ela chega na beira do rio,
A Lua desenha uma passarela
Sobre o líquido sombrio
E eis que Menina então
Desfila
Sobre a água seu corpo
Fibrila
O luar na areia.
É ela a filha da Lua Cheia.
É bela e terrível sereia.
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