Lista de Poemas

ÁGUA


Cai a água muito aguada; 

Desaguada em aguaceiro.

Rega os campos primeiro

E refresca a madrugada.

Seja bem vinda no calor

E no fogo cruel do amor.

Caia em forte enxurrada,

Para apagar a nossa dor.

Hoje te procuro ó água;

Ávido, seco e sedento... 

Ouve bem esse lamento;

Afoga já a minha mágoa.



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MERGULHEI EM VOCÊ


Mergulhei em você...

Assim, porque não?

Quis sentir o seu chão;

Olhar o que não se vê.

Só assim poderei saber,

O que brota do meu ser

E juntá-lo ao que é seu.

Sentir uma doce afinidade,

Verdadeira, só; sem idade.

Quero repartir o que é meu,

Para além de uma miragem.

O que quero dessa viagem,

É apenas a nossa chegada;

Ilesa, franca e consagrada...



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O RISO DAS CONCHAS


Textos que habitam as ondas

E sabem ao sal das maresias,

Provocam o riso das conchas;

Dos cardumes, são doce empatia.

No passar pelo frio das águas,

Depuram-se tristezas e mágoas.

Guardam-se segredos e enredos.

As letras nadam na corrente 

E a espuma lambe as pedras;

Húmidas e escassas que beijam,

Em ensejos de graça e quimeras. 

Não fosse o som de uma gaivota,

Tudo pareceria um mar das frases,

Capazes, perdidas e sem rota...


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SOU O PIRATA DA PERNA DE PAU


Hoje descanso à deriva;

Náufrago, em escuna altiva.

Amanhã serei mais um pirata,

Em busca do ouro e da prata;

Quero saquear muitas ilhotas

E encher de moedas as botas.

O meu lema é o meu tesouro 

E a morte, já não me assusta.

Sou ágil e forte; águia e touro.

Ao vento, confio o meu leme.

Roubo aquilo que você teme...

"Sou o pirata da perna de pau;

Olho de vidro e cara de mau". 




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ENTRE QUATRO PAREDES


Estou entre as quatro paredes...

Não ouso esconder o meu pranto.

Quero prolongar a minha sede;

Não bebo, não falo, não canto...

Sou o mentor do meu profano;

Não vejo, não rio; sou espanto...

Acabo de possuir o teu encanto;

Sagrado, leviano, aceso; humano.

Nas paredes brancas me afoito,

Embriagado e enrolado num oito.

Sou a imaculada prisão do branco; 

Leve, informal e inimiga do mal...

Entre o chão e o teto, me revejo;

Nesse cubo branco e oco; perfeito.

O alimento entre as quatro paredes,

São palavras que escapam das redes

E ampliam o bater do meu peito...



    



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COLECTÂNEA LITERÁRIA DE POESIA - O Amor é a essência da Vida


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A CARNE


A carne é saborosa,

Podre e indecorosa...

Não se compara a uma rosa,

Quando exala o seu perfume.

É boa para estrume;

Fraca, trémula e maldosa.

Na flor, reside o Amor.

Na outra, o vil estertor...

O mundo venera a carne,

Do carnaval e do efémero;

Sem sangue, não te graça...

Apunhalem a vossa carcaça

E bebam o líquido vermelho.

Quando olharem no espelho,

Vejam a carne a apodrecer...

Não se esqueçam de chorar;

A carne tem de morrer... 






 

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PERMANECE ENTRE NÓS

                                         
Respira leve e profundamente

E recria livre a tua mente...

Exerce o teu total domínio;

Procura achar na natureza,

O iluminado e transcendente

Consertador da paz e da pureza.

Abandona a morte e o extermínio.

Sacia ainda hoje a tua fome...

Faz o bem e a glória, em teu nome.

Espreguiça devagar a tua mente,

Nas águas de uma nascente...

Abre os olhos, sorri e acorda;

Estás muito mais novo, agora.

O teu corpo parece um poema,

Que declama alto o teu tema

E não quer deixar-te ir embora...





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SENTINELA ALERTA


Sentinela alerta!

Alerta está!

Soldados, de pé...

A guerra começou.

É preciso salvar a fé;

O ódio se entregou.

Corram sem as armas

E construam os karmas.

Troquem as pistolas,

Por pão e por esmolas.

Usem a razão e a união.

Ergam templos de oração.

Fechem a porta da guerra.

Construam casas na terra

E exércitos de salvação... 






 
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USINA POÉTICA


Escrevo e me atrevo,

A mostrar-te o que devo.

Sou um mentor sem torpor.

Atinjo o calor do meu ser,

Às vezes, para me entreter.

Mas sempre ligado à verdade.

Não quero parecer um covarde.

Sou um confessor do meu amor,

Mesmo que te provoque a dor.

Às palavras, destino um desfecho.

Quero que fiquem exaustas, soltas

E se entrelacem, em orgias gozadas.

Disfrutem no aconchego do poema

E permaneçam vazias e estilizadas,

Num fino lapso atemporal de fonema.

Pareçam belas, sem tu teres pena;

Apelo urgente, reservado e informal.

Ensejo premente; prazer sem igual. 


 
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