Lista de Poemas
Mó
Quando eu morrer empenhe meus papéis a peso de pó,
mó de ser terra,
estenda ao ar meus versos,
pobres,
que nem a ti servem,
faça deles gaze,
coze na pele o ar,
na manhã por onde fui,
meu suor,
minha sina,
meus poemas.
mó de ser terra,
estenda ao ar meus versos,
pobres,
que nem a ti servem,
faça deles gaze,
coze na pele o ar,
na manhã por onde fui,
meu suor,
minha sina,
meus poemas.
👁️ 363
Pele
Pele pergaminho
de impressões a mutilar
tempo sólido
a detalhar escaras
no estupor do poros
a evolar
víboras
palavra
palavrão
palavreado de poesia
escarro
na memória da coisas.
de impressões a mutilar
tempo sólido
a detalhar escaras
no estupor do poros
a evolar
víboras
palavra
palavrão
palavreado de poesia
escarro
na memória da coisas.
👁️ 325
Para Nejar
Circunspecto,
recolho o óbulo,
aceito a senda,
ensaio atalhos,
acero o passo,
muar agalopado
sagitado,
interpelo,
estanco,
atiço
desvanesço,
brinco-brindo,
peripleromas
e finjo / fico
dos caroços
as palavras a chupar.
recolho o óbulo,
aceito a senda,
ensaio atalhos,
acero o passo,
muar agalopado
sagitado,
interpelo,
estanco,
atiço
desvanesço,
brinco-brindo,
peripleromas
e finjo / fico
dos caroços
as palavras a chupar.
👁️ 301
Cozendo
O aço / o ócio
o estilo do tato
no cravo sulco dos dedos
composição de tecido
de ter-sido
o que houve de ser
resto / resgate
na prateleira do peito
mais uma
coleção de fracassos.
o estilo do tato
no cravo sulco dos dedos
composição de tecido
de ter-sido
o que houve de ser
resto / resgate
na prateleira do peito
mais uma
coleção de fracassos.
👁️ 333
Por ai
Estou por ai,
estampido das horas,
mordaça
lata de goiabada,
cheque pré-datado
bulas,
bichas,
bocetas,
panelas,
preservativos,
saídas,
enterros,
raios - x,
Deuteronômio,
dúvidas,
caixas,
coitos,
refregas,
ruínas,
restos,
rimas.
estampido das horas,
mordaça
lata de goiabada,
cheque pré-datado
bulas,
bichas,
bocetas,
panelas,
preservativos,
saídas,
enterros,
raios - x,
Deuteronômio,
dúvidas,
caixas,
coitos,
refregas,
ruínas,
restos,
rimas.
👁️ 320
Diário
Rá, rá, rátimbum,
agenda de poeta é meio assim tiro na testa,
um chiste, uma fresta, por onde escoamos todas,
palavras que de posse-ação representam,
o eco do som sobre a rocha,
carne, pedaços, pombas mutiladas a espalhar dúvidas,
dívidas, promessas,
e voou no sentido do caos,
estendendo as asas negras que me pendem do parto sobre as coisas,
de meu levo um gole de ar, mãos abertas e bolsos vazios,
a sensação de ter por entre as linhas parido uma jaca,
e nessa coleção de reminiscências
arrasto o pó das solas e me perco entre essa e outras linhas.
agenda de poeta é meio assim tiro na testa,
um chiste, uma fresta, por onde escoamos todas,
palavras que de posse-ação representam,
o eco do som sobre a rocha,
carne, pedaços, pombas mutiladas a espalhar dúvidas,
dívidas, promessas,
e voou no sentido do caos,
estendendo as asas negras que me pendem do parto sobre as coisas,
de meu levo um gole de ar, mãos abertas e bolsos vazios,
a sensação de ter por entre as linhas parido uma jaca,
e nessa coleção de reminiscências
arrasto o pó das solas e me perco entre essa e outras linhas.
👁️ 390
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Português
English
Español