Lista de Poemas

o devir

Tempo estranho este
que põe a nu o lado obscuro da vida
Pendurados por um fio de teia de aranha
Onde a única coisa que sabes ao certo
É que nasceste
Passem os anos depressa
não tenho medo de envelhecer
Antes anos vividos alegremente
que estar morto sem morrer
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PARA QUÊ,? MULHER

Para quê? mulher
Uma vida inteira a trabalhar
E dos outros sempre a tratar
Para quê? mulher
A capacidade enorme, de poucos,
de todos os dias,  e dia a dia,
conseguir coordenar e organizar 
para que nada pudesse falhar
Para quê? mulher
Anos passados a trabalhar
E, em casa, a perfeita fada do lar
Do marido e filhos sempre a cuidar
Para quê? mulher
Para ao fim de tantos anos te cansares?
de tanto, sozinha, teres que lutar
e a tua cabeça conseguires arruinar
Para quê? mulher
Para ficares sujeita e esperar
pelo que te querem e/ou podem dar?
Para quê? mulher
levar anos de luta para se cansar
enquanto os outros estão a gozar
e quem durante anos e anos cuidaste
em pouco tempo se sente a desgastar
e outros ainda, no meio do "mar" te deixam naufragar
sabendo de antemão que tu, mulher
nunca na vida aprendeste a nadar
Para quê? MULHER, para quê?

 
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cansei de burrice


Esqueci e fiquei vulnerável aqueles
para quem a dignidade está no seu estatuto social,
na sua conta bancária, nas suas relações sociais,
na sua futilidade,
na sua prisão de ventre mental
e não na verdade e no conhecimento,
tornando-se deste modo, um medíocre
um desgraçado zé ninguém preso na sua solidão,
fechado, agarrado ao estirador,
preso num colete de forças,
aquele que, sempre bom na acumulação e no dispêndio,
só sabe sorver e apanhar,
mas incapaz de criar, de progredir
ou gerar algo de novo, de dar,
servindo-se sempre do bom
que os outros lhe oferecem numa bandeja de prata,
porque a atitude básica do seu corpo é a da retenção e despeito,
entrando em pânico cada vez que sente
os impulsos primordiais do amor e da dádiva;
aquele que vive na sua prisão de ventre mental,
onde a sua própria obscenidade o assusta,
tendo sempre de ver a verdade
num espelho onde não possa chegar;
aquele que tem medo do amor genuíno,
da responsabilidade, do conhecimento,
explorando o amor, o trabalho,
o conhecimento do outro,
aquele que é incapaz de encarar
quando acusa de imoral,
porque sabe qual deles é o imoral,
o obsceno, o pornográfico,
aquele que “incapaz” de dizer uma asneira,
não entende o outro
quando este afirma que não gosta
de anedotas nem de linguagem pornográfica
ou obscena sobre amor ou sexo,
aquele que não sabe o que é o verdadeiro amor,
o verdadeiro sexo, o bom sexo,
onde a vertente carnal
é sempre acompanhada da vertente espiritual
e da SUPERIORIDADE INTLECTUAL
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Esquecimento fatal

ESQUECIMENTO FATAL

ESQUECI O ZÉ NINGUÉM E SUA PRISÃO DE VENTRE MENTAL.
Desacreditada, tinha deixado de confiar,
distraí-me e voltei a acreditar,
ou talvez por necessidade disso mesmo.
ACREDITAR…
e esqueci....
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A HORA DO DIABO

»Não se assuste,porém,
porque eu sou realmente o diabo,
e por isso não faço mal.
Certos imitadores meus,
na terra...são perigosos...
porque não conhecem a minha maneira de ser"
Fernando Pessoa in "A Hora do Diabo"
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HORA DO DIABO

"O PRINCÍPIO DA CIÊNCIA
É SABERMOS QUE IGNORAMOS
O MUNDO, QUE É ONDE ESTAMOS
A CARNE QUE É O QUE SOMOS
O DIABO QUE É O QUE DESEJAMOS
ESSES TRÊS, NA HORA ALTA
NOS MATARAM O MESTRE
QUE ESTIVEMOS PARA SER"

Fernando Pessoa - "A hora do diabo"
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INSEGURANÇOCRACIA

Que mundo é este
Onde deixaram de existir  ideologias
e proliferam as hipocrisias
pejado de instituições de faz de conta
sendo as que efectivamente contam
inacessíveis e incompetentes
ou simplesmente negligentes
Em prol de um mundo digital
que fazendo o bem,  mal
vai funcionando ao serviço do capital
e da insegurança institucional
e, nós, 
meros seres humanos
impotentes e acomodados,
MAS NÃO DEVÍAMOS



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É natal

É natal, é natal
Vamos todos festejar
Pensar nas crianças que morrem à  fome
E deixar de desperdiçar 
É natal, é natal 
Vamos todos festejar
Lembrar dos que correndo riscos, num bote se fazem ao mar
Para da guerra se afastar
É natal, é natal 
Vamos todos festejar 
Não esquecer os desfavorecidos,
Os desprotegidos, os desabrigados
E de todos os pobres, que estão a aumentar
É natal, é natal
Vamos todos festejar
Neste mundo tecnodigital
Onde a miséria humana aumenta
E a ganância dos poderosos
 Só pensa em sua riqueza aumentar
À custa do sofrimento e morte
Dos que nada têm para dar.
É natal, é natal!


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IMPREVISTO

Não, nada estava previsto
Ela apenas pretendia informações
Mas quiz o destino metediço
Que ela fosse apanhada pelo feitiço

Cabelos longos e olhos doces
Um olhar de inocente malandrice
Ela não mais resistiu
À sua tão doce molanguice















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APARÊNCIAS, GOSTO....MUITO

APARÊNCIAS, GOSTO...MUITO

Gosto muito dos ímpios, dos imaculados, dos incólumes

Dos salgados e salgadinhos e até dos doces e docinhos.

Gosto muito desta aparência que esconde a morbidade

Dos vendedores da cobra, dos corruptos, dos pedófilos

Dos “honestos” até à medula e até dos praticam incesto

Gosto muito mesmo, ao ponto de se tornar indigesto.
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Comentários (1)

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Olá...me sinto maravilhado com sua vida-vivida.<br />abraços.