Lista de Poemas

QUARTA ÀS VINTE

A cada quinze dias
nas quartas
às vinte
eu me sinto bem,
tenho horário marcado
com os ocultos
desse vai e vem.

As dores de um moribundo
que não cabem nesse mundo
se dispersam num feitiço
escondido nesse assunto,
ontem calado,
hoje profundo.

À doce confidente que me escuta
e sabe bem como chegar,
como eu queria devolver
os abraços que me dá.


Petrópolis, agosto de 2021.
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CASA VINA

Bela vida
vida eterna
sou um pouco do seu caos
és minha harmonia discreta
pincelada numa taça
in vino veritas
de uva branca esverdeada
cores intensas
dessa linda aquarela
um cenário, mil paletas
e eu quero todas elas.

Salvador, dezembro de 2021.
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FORÇA GRAVITACIONAL

Alma leve
pluma do querer
aonde vai você?

No apogeu da paixão
levas tudo que era meu
transborda de emoção
derrama um pouco Eu

E o vento que uiva as novas
muito choro e pouca goza
sou peão desse xadrez

Vento agora é sopro fraco
desmunido de prazer
flutuando sem destino
vai a pluma do querer

Viçosa, dezembro de 2021.
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ÁGAPE

A campainha toca
Ela abre a porta

Suas íris esverdeadas penetram meu olhar
Sinto seu cheiro entre amassos
tão íntimos e carinhosos que não ouso separar.

Nem percebo
sinto um beijo
recheado de desejo

e encontro a beleza em tudo que vejo.

O mundo para por um momento
Não tenho o que falar
Esqueço os problemas, jogo fora os esquemas
Só penso em sentir o seu corpo e ver o tempo passar.

Fico reparando
Enquanto ela vai
Pequena
olhar brilhante
Morena
sorriso cativante
basta ficar por um instante
e me conquiste
me encante.

 


Belo Horizonte, 2015.
👁️ 228

CORDAS E BAMBAS

Torna-se um assassino quem busca estatísticas antes de apostar;
quem busca dinheiro antes de trabalhar;
quem diz que ama sem se expressar;
quem transa com a mesma mulher sem se animar.
Porém o mais cruel também é ignorante
e sobrevive sem se arriscar.

Tropeças quando soma números
se sonhas letras,
pois vive na ilusão do exato.

Esqueceu-se dos sonhos nesse encontro desmarcado,
são dez pras quatro e meia,
compre meia passagem pro trem das memórias,
e o infinito num instante,
em retratos na estante.


Cachoeiras de Macacu, fevereiro de 2021.
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OS OLHOS DA ALMA

Verde janela
de várias imagens
diverge na alma
o voar de bons ares.

Me olha de fora
e com muito talento
tira toda agonia
que havia aqui dentro.

Quem me dera ser um pássaro
pra entrar em seus jardins
ser formiga em passo a passo
ser todas as árvores
ou apenas um cupim,
mas pra mim basta enfim,
respirar o seu afago.


Petrópolis. agosto de 2021.
👁️ 258

UNTITLED, UNMASTERED.

Melodias progressivas 
tocam sem soar
Ouvidos que entonavam
 já não querem escutar
A curiosidade do infinito 
tangencia o horizonte
através de olhares
 que enxergavam atrás de montes
A arte vagabunda é o meu chão,
a música boêmia é o meu teto
Mas sem afeto
nada existe 

se não aquilo que é concreto.


Governador Valadares, 2013.
👁️ 242

FORMIGA-DE-EMBAÚBA

Para o piloto,
Correr
Para o mercante,
Vender
Para o estudante,
Aprender
Para o fantasioso,
Pretender
Para a terra,
Chover
Para o sol,
Nascer
Para mim,
Você.

Governador Valadares, 2017.
👁️ 221

CONFUSO CONFÚCIO

Tão efêmero quanto o mero fiasco da lâmina que encosta no esmero,
sai a faísca que brilha num escuro tão enfermo.

O sangue fino escorre pelas alterosas de meu peito,
tão sentido de intensos suspiros desmentidos eu suspeito
se a novidade desse sujeito não é mais do outro mesmo.

Inseguro só desejo
Que esse mimo e quente beijo
Se acerte a termo
a priori ou a esmo
E nas páginas de minha história
realce tudo que vejo.


Petrópolis, setembro de 2021.
👁️ 255

NO CLARÃO DO CANDEEIRO

Ninguém dança quadrado
No jogo de roda
A cadência do samba
Faz desembolar.

Se o caminho é breu
Agradeço a mãe lua
E de olhos fechados
Hei de enxergar.


Governador Valadares, abril de 2020.
👁️ 241

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