Escritas

Lista de Poemas

Tudo bem!

 

De repente, me deu preguiça de falar
daquele amor doente, inconseqüente...
Desânimo em falar das dores, do fim,
dele, dos nossos planos, de mim...

Do nada, veio o desejo de fazer a paz
tão desejada, mesmo desencantada...
Buscar na vida e em meus momentos
a calma do coração, o esquecimento...

Sem lamentos, chegou a hora de mudar
o rumo do tempo, seguir o vento...
A seu prazer e gosto, me deixar levar,
ser feliz de novo, nas asas de quem me amar...

Segura, escrever nova história inteira
e sem rasura, acordar desta noite escura...
Sugar sem pressa do céu a claridade
e apagar da lembrança o que restou de saudade.

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Como-ser

Uma certa grande melancolia...
um enorme pesar por não-ser,
não-poder, não-querer, não sei!..
Há, por vezes, um distanciamento incômodo
entre o coração e a razão:
um diz que sim, a outra, não!...
Um sentimento atordoado e oco
rasgando o peito, querendo se expor...
uma tomada de consciência
que impede o coração demonstrar amor...
um vento rasgado impregnando o coração,
criando intenções...
uma pedra de gelo envolvendo a razão,
obedecendo convenções...
o sim e o não, o belo e o feio,
a mão que auxilia,
o coração que aconchega...
o ser e o não-ser, fogo e aço,
apenas negações...
e o arrependimento doído
por não entregar-se a mão...
um angustiante aperto no peito
a alimentar lamentos,
obscurecendo a razão.
Ser ou como-ser - esta é a questão!
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A musa canta

Engano o meu coração com os teus versos.
Finjo que eles são meus, porque assim os sinto...
Faço de conta que sou a mulher que amas,
na esperança de fazer verdade o que pressinto.

Aceito os teus carinhos com prazer imenso,
viajo em tuas rimas, com a alma em festa...
Me visto da imagem que forjas da amada
e me entrego acariciada à pena que a modela.

Desejo ser o modelo vivo p'ra tua musa
e me pintar das tuas cores. Ah!, quem me dera
viver posando de amor p'ra tua tela...

e na tua batuta, a nota que compõe a música -
sacra e profana, lírica e sensual - doce cantata
que te ame e te acorde à noite em serenata...

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Aconchego

(O estranho casulo que me envolve
e me mantém resguardada,
quer hoje se quebrar)...
... ... ... ... ... ...
Mas a larva não quer ser borboleta.
Paradoxalmente, ganhar o mundo
significa ousar... experimentar...
estar suscetível ao entorno do casulo...
ao lá fora... às intempéries...
Por que quebrar o manto que protege
sem saber o que irá encontrar?
Por que romper com o doce envolvimento
sem conhecer o ambiente a conquistar?
Por que se expor a ares desconhecidos
se o aconchego aqui dentro é salutar?
O risco de ter asas e voar
compensa o risco de tentar?...
A metamorfose do feio ao belo
compensa o risco de se entregar?
A conquista da liberdade
compensa o risco de ousar?
... ... ... ... ... ... ...
(A borboleta, embora já tenha asas,
está morrendo de medo de voar)...
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Solidão a dois

Olhando você, assim,
- absorto e mudo -
revolvo lembranças que
nos ressuscitem ou
ressuscitem mosaicos da
nossa vida....
O nosso mundo, carícias,
planos de futuro, amor apaixonado.
A nossa casa, que já foi tão nossa,
tem hoje uma divisória (imperceptível aos olhos)
demarcando os territórios (e os mandatários)...
Não nos tocamos, nos perdemos,
nem sei se me lembro da sua voz,
(nem para acusar nos falamos mais)....
O seu mundo fechou-se para mim
e o meu não existe para você.
O seu silêncio é tão rude,
a sua indiferença tão fria,
que mesmo estando a um braço do teu corpo
não tenho coragem de estender a mão,
oferecer meu corpo e meu perdão
e dizer que (apesar das mágoas já vividas)
tudo o que eu mais queria desta vida
era você nos meus braços...
outra vez...
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Criação

Dá-me a tua mão e me leva a caminhar
nos sonhos, nas doces esperas,
nas insensatas quimeras
ou no rastro de luz de uma estrela que cai.

Não quisera conduzir-me ao meu sonho,
revela-me os sonhos teus...

E se não quiseres deixar-me ver
o que sonhas, apenas toma a
minha mão e me leva...
Onde vais?
Não me deixa saber, leva-me apenas
ao teu mundo... ao teu nicho... ao teu ninho...
Tira de mim essa forragem estranha e
desnuda da minha alma todo o sentimento.
Toma-me a mim inteira,
faz de mim o que puderes,
cria-me, de novo, como quiseres,
cinzela a minha dureza
e anuncia ao mundo a tua
mais nova criação:
Tua, porque me criaste e porque,
para sempre, quero ser TUA....
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ELEGIA PARA O TEU AMOR

Na madrugada das minhas eras sem tempo e sem data
em que sonhei com teu sorriso e fiz planos de futuro,
não estava patente e nem latente a verdade exata
das horas que hoje vivo - sem ti, sem mim, sem nada...

Foste um sonho cego e louco - que me fez aos poucos
me matar a cada dia, na ilusão de não morrer do teu amor...
Foste um futuro gorado, tão sem presente, sem passado,
sem história feliz p'ra contar - sonho acabado...

Nas luas e estrelas que passeiam no infinito,
resgato da lembrança os já passados anos idos
sem me dar conta de que tanto tempo já passou...

É que esqueci de caminhar na vida. Os pés fincados,
presos ao tempo em que o sonho era o único culpado
por eu crer que o mundo era meu, quando ao teu lado.
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Sombras

Uma triste melancolia
e a angústia de não-ser...
O verso perdeu a rima.
Sentimento... (sei não!),
desbrotou do areal.
O vermelho virou cinza
e o sol se apagou...
Ficaram sombras banidas
de uma saudade sentida
que nem o vento levou...
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O homem que eu amo

O homem que amo não tem rosto, cor ou tamanho.
Tem uma voz que sussurra em meus ouvidos
e sempre diz as coisas que quero escutar.
(Meu amado é luz em meu universo particular).  

Antes, ele é formatado por rostos aleatórios,
físicos escolhidos, temperamento invulgar.
É cria da minha imaginação, modelo ilusório
do meu coração sempre ávido por amar.  

O homem que eu amo, de mim é utopia.
Nobre príncipe devaneado em fantasias
que habita o castelo do meu âmago sonhador.  

A mim me basta que seja uma composição:
não há homem mais amado e mais amante
e sedimenta a essência da minha alma errante.

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Soberano

 Habitas e conduzes, soberano e envolvente,
os meus sonhos mais loucos e coloridos.
Aprendi a desenhar teu rosto na lembrança,
a resvalar minha face na tua,
olhar docemente nos teus olhos,
beijar com urgência a tua boca,
aninhar-me em teus braços
e a dançar contigo a insana dança dos sentidos.
Faço-te meu e me entrego sem recato...
Sou o que queres e quero o que tu és.
Quero o teu corpo e a tua alma...
Esta, para abrandar a minha
eterna procura da delicadeza.
Aquele, para me sufocar de paixão.

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