Maria de Lourdes Hortas
1930–2004
· viveu 74 anos
PT
Maria de Lourdes Hortas foi uma poeta portuguesa cuja obra se distingue pela profundidade lírica e pela exploração de temas existenciais e do quotidiano. Com uma linguagem cuidada e uma sensibilidade aguçada, a sua poesia reflete uma introspeção sobre a condição humana, o amor e a passagem do tempo.
n. 1930-01-18, Abrantes · m. 2004-07-10, Lisboa
9 221
Visualizações
Biografia
Identificação e contexto básico
Maria de Lourdes Hortas foi uma poeta portuguesa. O seu nome completo era Maria de Lourdes da Costa Hortas. Nasceu em Portugal e escreveu em língua portuguesa. Viveu num período marcado por significativas transformações sociais e culturais em Portugal.Infância e formação
A informação sobre a sua infância e formação é escassa nos registos disponíveis. Sabe-se que desenvolveu desde cedo um apreço pela literatura e pela poesia, o que a levou a dedicar-se à escrita.Percurso literário
O percurso literário de Maria de Lourdes Hortas centrou-se na produção poética. Embora os detalhes sobre o início da sua atividade literária e colaborações em publicações específicas sejam limitados, a sua obra revela uma maturidade estilística e temática consistente.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A obra de Maria de Lourdes Hortas caracteriza-se por um lirismo introspectivo e uma exploração profunda de temas como o amor, a saudade, a solidão, a passagem do tempo e a natureza. A sua linguagem poética é marcada pela delicadeza, pela musicalidade e por uma notável capacidade de evocar imagens sensoriais e emocionais. Utiliza frequentemente o verso livre, mas com uma forte atenção ao ritmo e à sonoridade, conferindo às suas composições uma expressividade singular. O tom da sua poesia é frequentemente melancólico, mas também permeado por uma busca de sentido e de beleza no quotidiano. Embora não associada diretamente a movimentos literários específicos de forma explícita, a sua obra dialoga com a tradição lírica portuguesa, apresentando uma sensibilidade contemporânea na abordagem dos seus temas.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Maria de Lourdes Hortas viveu num Portugal em transformação, onde as questões sociais e culturais ganhavam cada vez mais expressão. A sua poesia, embora predominantemente introspectiva, reflete, de forma subtil, a sensibilidade e as inquietações do seu tempo.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal Os detalhes sobre a vida pessoal de Maria de Lourdes Hortas são limitados. Sabe-se que a sua dedicação à poesia foi um aspeto central da sua vida, refletindo-se na profundidade e na autenticidade dos seus versos.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Maria de Lourdes Hortas tem vindo a crescer, especialmente entre os apreciadores de poesia lírica. Embora possa não ter alcançado uma notoriedade massiva durante a sua vida, a sua poesia tem sido valorizada pela sua qualidade estética e pela sua capacidade de tocar o leitor a um nível emocional profundo.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado A obra de Maria de Lourdes Hortas insere-se na rica tradição da poesia lírica em língua portuguesa. As suas influências podem ser encontradas em poetas que exploraram a profundidade do sentimento humano e a beleza da linguagem. O seu legado reside na sua capacidade de expressar, com sensibilidade e mestria, as complexidades da experiência humana, inspirando leitores e poetas com a sua voz lírica.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A poesia de Maria de Lourdes Hortas convida a uma reflexão sobre a condição humana, sobre a fragilidade das emoções e sobre a busca incessante por sentido. As suas composições podem ser interpretadas como um convite à contemplação, à valorização dos momentos simples da vida e à aceitação das suas inevitáveis dores e alegrias.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Maria de Lourdes Hortas são escassas, o que reforça a aura de discrição que envolve a sua figura.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória Não foram encontrados detalhes específicos sobre as circunstâncias da morte de Maria de Lourdes Hortas, nem sobre publicações póstumas.Poemas
7A Tua Mão
Quando a tua mão pousou
sobre a minha mão
nesse rastro de ave
nesse peso de folha
eternizou-se o instante.
sobre a minha mão
nesse rastro de ave
nesse peso de folha
eternizou-se o instante.
1 041
Fado Noturno
Cala-te porque não sabes
dos comboios que passaram
nos carris do mar sem naves
onde os sonhos se mataram.
Cala-te porque insone
nas noites adormecidas
tecelã teci teu nome
de estrelas destecidas.
Sobre o mar morto contemplo
minha vida em agonia
minha saudade é um templo
onde rezo cada dia.
dos comboios que passaram
nos carris do mar sem naves
onde os sonhos se mataram.
Cala-te porque insone
nas noites adormecidas
tecelã teci teu nome
de estrelas destecidas.
Sobre o mar morto contemplo
minha vida em agonia
minha saudade é um templo
onde rezo cada dia.
931
Recado
Mas quanto mais me alongo mais me achego
Camões/Sonetos
Nenhuma carta
porém ressoam versos:
sabor de mel lavando o sal do pranto
vale de léguas, fronteira inconsistente
pois tantas milhas de mim jamais se apartam.
Que longe ou perto refaço a mesma rota
ao cais seguro, definitivo porto
onde me espero
e sempre me encontro.
Camões/Sonetos
Nenhuma carta
porém ressoam versos:
sabor de mel lavando o sal do pranto
vale de léguas, fronteira inconsistente
pois tantas milhas de mim jamais se apartam.
Que longe ou perto refaço a mesma rota
ao cais seguro, definitivo porto
onde me espero
e sempre me encontro.
901
Estações
Poderia afogar-me
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
na silente cisterna de lágrimas
léguas de um longo tempo extraviado
quando o mar recua
para ermo horizonte
de incompletude e inesperança.
Todavia há marés que me resgatam
réstia de luz por instantes ferindo
a silente espessura da lembrança.
993
Ciranda
Segundos e milímetros
do tempo que nos resta
a festa que foi ontem
é hoje a mesma festa.
do tempo que nos resta
a festa que foi ontem
é hoje a mesma festa.
1 060
Página de Diário
Assim que, aportando, a primavera
trouxe o rastro de rosas e andorinhas
à janela do quarto onde habito
trouxe também a pomba que, noturna
vigilante velou do parapeito
minha saudade da janela antiga
de um quarto onde dormia, bem-amada
enquanto as pombas lá fora iam ruflando
as asas que abriam a madrugada.
trouxe o rastro de rosas e andorinhas
à janela do quarto onde habito
trouxe também a pomba que, noturna
vigilante velou do parapeito
minha saudade da janela antiga
de um quarto onde dormia, bem-amada
enquanto as pombas lá fora iam ruflando
as asas que abriam a madrugada.
1 003
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.