Lista de Poemas
BÉLICA
1
há uma mina que explode
sob o asfalto da tarde gris
sem que ninguém a toque
rarefaz-se em cabelos etéreos
sustém-se em sapatos de giz
2
há uma textura de pedra
(nessa que explode)
há centenas de ardis
há um silêncio molhado
há um perigo que medra
há bombardeios sutis
3
em meio ao festim dessas balas
essa que explode
(sem que ninguém a toque)
oculta bombas-crisálidas
esconde borboletas-flor-de-lis
4
por trás do ar de donzela
posso adivinhá-la
felina branca num jardim de opalas
seda clara sobre o chão de pedras
5
eis que ela (de tão rara)
engendra transfinita uma canção que me abala
&
num bailado que me desespera
abre a blusa feminil & dispara
química
metálica
biológica
mortífera
ferina pantera
exata como um míssil
inverossímil de tão bela
Marcello Chalvinski
há uma mina que explode
sob o asfalto da tarde gris
sem que ninguém a toque
rarefaz-se em cabelos etéreos
sustém-se em sapatos de giz
2
há uma textura de pedra
(nessa que explode)
há centenas de ardis
há um silêncio molhado
há um perigo que medra
há bombardeios sutis
3
em meio ao festim dessas balas
essa que explode
(sem que ninguém a toque)
oculta bombas-crisálidas
esconde borboletas-flor-de-lis
4
por trás do ar de donzela
posso adivinhá-la
felina branca num jardim de opalas
seda clara sobre o chão de pedras
5
eis que ela (de tão rara)
engendra transfinita uma canção que me abala
&
num bailado que me desespera
abre a blusa feminil & dispara
química
metálica
biológica
mortífera
ferina pantera
exata como um míssil
inverossímil de tão bela
Marcello Chalvinski
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Oceanus Procellarum
1
a tempestade
chegou vestida
de negro
na exatidão
mais que
cruel
de seus cabelos
trouxe consigo
o vento
& agitou inteiro
um mar
de desmantelos
na vaga
que contra outra
vaga se
chocava
compunha-se destruidora
a cadência
com que
andava
deusa vestal
atenta a deuses ilusórios
a tempestade
exibia
nos olhos
o lampejo
abissal
de seus raios
2
a tempestade
se foi
vestida de negro
alçou a noite
insana
& eu
em desespero
a verbo
a fogo
a blues
a nu
gritava
sob a lua:
baby junk
where are you?
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SEDUÇÃO
dos amores
ainda uma vez o pensamento
de amor à
vista
viés de olhos molhados
sobre a vida em revista
é sábado
& a chuva
(imprevista)
veste-se de amores
fantasias líquidas
urdidas
com os fios dos temporais
que me consomem
é sábado
ainda
como se ainda
a alma
fosse límpida
não há nada a esperar
vem
vamos passear
no jardim
das delícias
vem breve
& vem sem medo
de nós nada restará
a não ser a verdade do poema
(TEMPORAL - 2005)
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Comentários (4)
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Graca
2022-03-31
I can't keep a secret??
euskadia
2020-08-06
H. H.
Julia
2020-03-12
Gostei muito , mas a escrita não e grande coisa , mas gostei +- . É razoável . 12/10
A Pikena dele
2020-03-12
Casava
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