Escritas

Biografia

Sustentada por bons livros, filmes e músicas.

Lista de Poemas

Total de poemas: 6 Página 1 de 1

Um amor de alma

Creio que sempre te conheci.

Além do que se diz ser, 

Além do que meus olhos são capazes de ver, 

E meu coração de sentir.

 

Sei disso pois minha mente te traduz.

Vejo além da mera junção de átomos. 

Além da armadura que aprisiona sua alma que luta serenamente. 

Ela almeja transcender, e vejo que já escapa pelos teus olhos

que brilham de maneira divina.

E ao encontrarem os meus, tenho um breve vislumbre do paraíso.

 

Tudo em ti me invade, arruma e desarruma,

quebra e reconstroi.

Me tira do chão e me faz flutuar por cima de toda dor que existia antes de você chegar.

 

Que bom que veio.

Tardou mas chegou.

O medo que tive um dia de me perder cessou,

contanto que esteja me perdendo em você. 

E mesmo que perdida, sinto que estou exatamente onde deveria estar. 

 

Te vejo com olhos de criança cheia de esperança.

Careço-me de entrelaçar meus braços em volta de seu pescoço e dizer 

“Que bom que está aqui.” 

Vaguei por vinte anos com grande angústia, a procurar incansavelmente por algo que não pude saber o que era antes de te conhecer.

 

Meus pés doeram,

 E ao invés de lágrimas, os meus olhos jorravam sangue.

 Derramei-me em outros corpos. 

Te trouxe dores que nem eram minhas.

Cicatrizes que a jornada me causou.

Me entreguei a ti já quase sem alma.

E finalmente pude derreter em teus braços. 

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Insônia

Revirei-me na cama me obrigando a pegar no sono, inutilmente. Então, numa tentativa, quem sabe, mais promissora, coloco-me a escrever isso que me aflige. 

A felicidade me é por pouquíssimo tempo, sinto que tens ido embora tímida, sem a intenção de causar estrago. 

Tristeza, minha amiga. Minha velha amiga.Ponha-me em seu colo e induza-me a pensar. Diga à felicidade que vá procurar outro canto, pois com ela me sinto incapaz de me fazer pensante. 

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Sabe bem que seguir-me é ato impossível e dolorosamente penoso.
Não me digas depois que ocultei de ti minha obscuridade, e que não tinha 
consciência do risco iminente de amar-me. 
Oh, querido! Rouca me fiz para que escutasse este silêncio cortante que me preenche.
Vomitei sangue em seu tapete persa, para que compreendesse que manter-me aqui, seria 
custoso demais. 
Peço-te que desista dessa ingênua tentativa de arrancar-me desta escuridão, pois é parte mim. E se por acaso ouse tirar-me daqui, verás que deixo de existir! 
Insisto que vá, dê-me a bênção de minha solidão.
Salve-se! Antes que meus braços te enlace e te traga para dentro deste vazio e sejas tarde demais para ir. 
Oh, querido! Ser comigo, te é impossível! Não se mostre tão sensível, pois sou capaz de alimentar-me de seu coração para provar-te e provar para ti, que não sei amar bem.

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Despedida

É tarde demais para ti,

Vejo que a vida já escapa pelos teus olhos. 

Oh, não desista, quem sabe ainda há tempo. 

 

Abraça-me.

 

Dê-me sua dor que és minha também.

 

Abraça-me. 

 

Me sinto de novo criança. 

Em teu colo sempre foi o meu lugar, 

mas agora é tão tarde.

Oh céus como é tarde! 

 

Abraça-me.

 

Queria eu tanto que houvesse tempo para nós. 

Mas o sol não brilha mais tão forte para ti. 

 

A angústia da morte te corroi, 

sinto eu aqui todo esse assombro em teu peito. 

Este abismo que tu criaste agora é tão nosso. 

 

Abraça-me.

 

Teus olhos cruzam com os meus e neste momento 

somos tu e eu crianças.

Desculpe-me mas não pude evitar que lágrimas caíssem,

apesar das semelhanças sempre se saira melhor em esconder toda esta dor. 

 

Oh, abraça-me! 

 

Eu lhe perdoo, mas não posso entregar-te uma palavra de perdão sequer. 

E sinto muito, mas compreendes que me era impossível te salvar a tempo?

 

Te amar dói, pois lutei tanto para odiar-te. 

Antes que teus olhos virem escuridão, permita-me olhá-los. 

Deixe que eu capte tua alma, que confesso fazer parte da minha. 

 

Essa vida nos destruiu, 

mataram nosso amor tão cruelmente, 

e agora já é tarde.

 

Só lhe peço que, 

antes que a eternidade te chame como voz rouca

 

Abraça-me. 

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Ser eu

Existe em minha complexidade grande grau de vulgaridade. 

Sou banal e me inclino a tudo aquilo que é julgado supérfluo com mais facilidade do que à formalidades. 

Sou fragmentos de estrelas. Inclusive sou você. E você sou eu. E somos nós, um. 

Às vezes sinto que sou também tudo o que não digo ser. Sinto ser mais que isso, sinto ser espírito. Minha alma é sua alma? Alma se divide também? 

 

Quando me canso de ser nada, sou tudo. Mas ser tudo é difícil, por isso estou quase sempre sendo nada.

Sou barroca e sou dia 30 de Janeiro. 

Não possuo vida, eu sou vida. 

Sou nuvem que precipita. 

 

Cansei do eu. Digo tudo isso e nem sei se creio. 

Digo tudo isso por estar exausta de viajar em mim tentando me conhecer. 

Minto para mim mais do que deveria, no fim a verdade se encontra no mesmo lugar que a mentira,
 e de nada me adianta o desejo de enganar-me minimamente e ser feliz.

 No fim, é sempre o fim. 

E sempre que digo, não digo nada. Se escrevo, não uso palavras. Se lê, não lê com os olhos.

 E se acaso sinta, sinto muitíssimo. 

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Acordar

Na boca um amargo,

no peito um vazio 

que nem mesmo às peças de Chopin

são capazes de preencher. 

 

“Nocturne Op.9 No. 2”

 

De peças e músicas não entendo muito,

sei mesmo é de sentimentos. 

Transbordar é algo tão natural a mim, 

que às vezes tenho a sensação de que é coisa de gente. 

 

Gente sente demais 

que transborda.

Escorre pelo chão assim com se fosse água,

água não,

escorre assim como se fosse sangue 

ou vinho, parecidos demais para saber.

 

Meu corpo parece que quer morrer

mas minha alma tá viva como nunca. 

 

Até corrigiria o “tá”

Assim como fiz no “para” em vez de “pra” 

mas essas coisas, essas palavras que vêm do coração a gente 

tem é que manter assim como elas te aparecem. 

 

“que raso” eu penso.

mas logo despenso também. 

Que me importa o que essa gente pensa. 

Não gosto de gente que pensa, gosto mesmo é de quem sente. 

 

“Tô escrevendo uma coisa” 

“É prosa ou poema?” 

Não sei, acho que deve ser sentimento demais reprimido. 

 

O mal de gente triste é esse, 

sente demais as coisas. 

Pior é quando esses decidem que vão escrever. 

Sente mais que escreve. 

 

Nos últimos dias tenho lido livros demais,

só livro triste.

triste não, coisa de coração mesmo,

com coração quero dizer coisa de sentimento,

coisa de alma. 

 

 

Tô precisando mesmo é de coisa fútil, 

essas coisas que não demanda muito do que é 

de mais íntimo nosso. 

Drogas, sexo, bebidas (essas coisas)

Mas ano passado depois de uma overdose 

prometi para minha mãe que pararia. 

E parei mesmo. 

Aí fica difícil demais suportar o fardo da vida. 

Pessoa, Clarice, Vinicius não ajuda,

eles dão é combustível pra essa angústia.

Mas eu gosto de não me sentir sozinha nesse mundo

 de eternos confusos desesperados.  

 

Ano passado meu corpo parou. 

Senti algo esquisito.

O mais próximo do Nada que já pude 

compreender nesses 26 anos de vida. 

Ou era o Nada ou era o tal Deus que minha mãe 

vive dizendo que um dia me salva. 

 

 Será que salva? 

Acho mesmo é que qualquer hora dessas ele me mata. 

Pelo menos minha mãe ficaria tranquila 

achando que eu estaria descansando nos braços dEle. 

 

Prometi que iria à igreja com ela qualquer dia,

ela me disse que preciso aceitar a tal salvação.

E eu vou

só assim ela me deixa em paz. 

 

Não acho ruim ela querer me salvar, 

mas até hoje não sei do que ela tanto me salva.

Mas ela sempre me diz que tá me salvando de mim mesma. 

E um dia eu respondi a ela “então eu morro e tudo se resolve” 

chorou a noite toda 

de soluçar,

aí desisti de cortar meus pulsos. 

 

Mas acho que foi mais por mim do que por ela. 

Não mereço nem morrer. 

é pouco demais, é fácil, é rápido,

 é agradável. 

Penso mesmo é que tenho que sofrer. 

 

No fim parece que eu penso demais, 

e se eu não pensar em nada?

( já estou pensando em não pensar)

 

Preciso de um banho e um café

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