Lígia Diniz
n. 1951
BR
Lígia Diniz é uma poeta contemporânea portuguesa, cuja obra se distingue pela exploração de temas como a memória, a identidade e a efemeridade do tempo, numa linguagem que conjuga a sensibilidade lírica com uma acentuada reflexão existencial. A sua poesia, marcada por uma forte carga imagética e por uma musicalidade subtil, dialoga com a tradição literária, ao mesmo tempo que se afirma com uma voz singular na paisagem poética atual.
n. 1951-10-19, Rio de Janeiro
9 958
Visualizações
Biografia
Identificação e contexto básico
Lígia Diniz é uma poeta portuguesa contemporânea. A sua obra tem sido associada a uma poesia de reflexão e intimidade, que explora as complexidades da experiência humana. Nacionalidade e língua(s) de escrita: Portuguesa. Contexto histórico em que viveu: A sua obra insere-se no panorama literário português contemporâneo, marcado por diversas tendências e pela contínua reinterpretação da tradição.Infância e formação
A formação de Lígia Diniz, embora não amplamente documentada em detalhe público, terá sido marcada pelo contacto com a literatura e pelas vivências que moldaram a sua sensibilidade poética. Os seus poemas sugerem uma educação cuidada, possivelmente com forte inclinação para as artes e humanidades.Percurso literário
O percurso literário de Lígia Diniz tem vindo a consolidar-se através da publicação de várias obras poéticas, que têm sido acolhidas com interesse pela crítica e pelos leitores. A sua escrita evoluiu para uma maturidade expressiva, explorando com profundidade temas recorrentes e desenvolvendo um estilo pessoal.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias As obras de Lígia Diniz caracterizam-se por uma linguagem cuidada e uma forte carga imagética. Explora frequentemente temas como a memória, a passagem do tempo, a identidade pessoal, a natureza e as relações humanas. Utiliza maioritariamente o verso livre, mas com uma atenção particular ao ritmo e à sonoridade dos versos, conferindo-lhes uma musicalidade subtil. O tom poético é frequentemente reflexivo, por vezes melancólico, mas sempre com uma profunda humanidade. O seu estilo é marcado pela concisão e pela capacidade de evocar emoções e pensamentos através de imagens precisas e evocativas. A sua obra dialoga com a tradição poética, mas afirma-se com uma voz contemporânea e singular.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Inserida na contemporaneidade literária portuguesa, a obra de Lígia Diniz partilha com outros poetas a busca por novas formas de expressão e a reflexão sobre o mundo atual. A sua poesia reflete, de forma implícita, as preocupações e sensibilidades do tempo presente.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal Os detalhes da vida pessoal de Lígia Diniz não são extensivamente divulgados, o que contribui para a aura de introspeção e mistério que envolve a sua obra. A poesia sugere uma pessoa atenta às nuances da existência e sensível às suas experiências.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção A obra de Lígia Diniz tem vindo a obter um reconhecimento crescente no meio literário português, sendo apreciada pela sua qualidade estética e pela profundidade das suas reflexões. A receção crítica tem destacado a sua voz autêntica e a sua capacidade de tocar o leitor.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado Embora as influências específicas possam variar, o trabalho de Lígia Diniz demonstra uma familiaridade com a tradição poética em língua portuguesa. O seu legado reside na contribuição para a poesia contemporânea com uma obra reflexiva e esteticamente apurada.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A poesia de Lígia Diniz convida à introspeção, explorando as dimensões filosóficas da memória, da identidade e da existência. A sua obra permite leituras múltiplas, convidando o leitor a confrontar-se com as suas próprias vivências e questionamentos.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos A discrição de Lígia Diniz em relação à sua vida pessoal faz com que muitos aspetos da sua personalidade e dos seus hábitos de escrita permaneçam no domínio do privado, contribuindo para uma aura de contenção e profundidade.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória Como poeta viva e ativa, a questão da morte e memória ainda não se aplica à sua biografia.Poemas
10Livre
Fechei a porta
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
888
Por Isso
Por não me dares nada
Quando quero tudo
Por te dar tudo
Quando não pedes nada
Por isto
e por mil outras coisas
Mais ainda
por estas mil outras coisas
Pelos teus olhos de criança crescida
Teu jeito de adulto imaturo
Tua risada rascante
Tua maneira de te importar
não te importando
Por aquele sábado
E aqueles treze dias infinitos
E estes dias que não passam quando não estás perto
Pelos que quase não vejo, por estar ao teu lado
Pelos meus olhos que choram (às vezes)
como os de uma criança sozinha
Pelos meus olhos que sorriem quando te vêem
Pelas nossas bocas
E mais, por esta saudade infinita
das coisas que ainda estão por vir
E pelo medo de que elas não venham
Porque eu te amo tanto que meu peito dói
E a alma inteira estremece
Por ser completamente tua,
Só te peço uma coisa: seja verdadeiramente meu.
Quando quero tudo
Por te dar tudo
Quando não pedes nada
Por isto
e por mil outras coisas
Mais ainda
por estas mil outras coisas
Pelos teus olhos de criança crescida
Teu jeito de adulto imaturo
Tua risada rascante
Tua maneira de te importar
não te importando
Por aquele sábado
E aqueles treze dias infinitos
E estes dias que não passam quando não estás perto
Pelos que quase não vejo, por estar ao teu lado
Pelos meus olhos que choram (às vezes)
como os de uma criança sozinha
Pelos meus olhos que sorriem quando te vêem
Pelas nossas bocas
E mais, por esta saudade infinita
das coisas que ainda estão por vir
E pelo medo de que elas não venham
Porque eu te amo tanto que meu peito dói
E a alma inteira estremece
Por ser completamente tua,
Só te peço uma coisa: seja verdadeiramente meu.
860
Por Você
Mas o que sinto acima de tudo é medo
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
Eu, o girassol mais antigo
A catedral mais imponente
A torre mais forte
desmoronou por você
As dunas mais firmes
desmancharam no vento (você)
O mar mais bravio
se acalmou (por você)
A floresta mais viva
queimou (com você)
O sussurro mais suave
virou um grito (em você)
A mulher mais madura
A criança mais leve e alegre
A mais fiel amiga
A mais corajosa e perseverante,
Eu
Caí por você.
812
Querer
Há certas coisas que não cabem em uma linha
Não cabem em uma estrofe
Não cabem em um poema,
em mil poemas.
Não cabem em uma idéia
Não cabem em uma alma,
em um corpo, em mil corpos
Há certas coisas que se chamam,
sem se chamar - não cabem em um nome -
Se chamam fogo.
Não cabem em uma estrofe
Não cabem em um poema,
em mil poemas.
Não cabem em uma idéia
Não cabem em uma alma,
em um corpo, em mil corpos
Há certas coisas que se chamam,
sem se chamar - não cabem em um nome -
Se chamam fogo.
1 032
Depois (de pensar em mim)
De tudo não fica nada
Nem sei se estou em mim
Me dou sem me ter, me entrego
Não sobra, não basta.
De tudo, o que era para ficar não fica
Me tiram de mim porque consinto
Também dos outros tiro
Me troco, nos trocamos.
E o que me resta sou eu,
um salão vazio tão cheio
sozinha em uma multidão.
E assim me vou, me deixando por aí
A cada dia menor e maior
A cada dia menos e mais eu.
Nem sei se estou em mim
Me dou sem me ter, me entrego
Não sobra, não basta.
De tudo, o que era para ficar não fica
Me tiram de mim porque consinto
Também dos outros tiro
Me troco, nos trocamos.
E o que me resta sou eu,
um salão vazio tão cheio
sozinha em uma multidão.
E assim me vou, me deixando por aí
A cada dia menor e maior
A cada dia menos e mais eu.
688
Eu Sei
Qual é o teu nome?
O nome de verdade
não esse que ouço te chamarem
Qual a palavra que posso dizer
E te ver te virar para me responder?
Aquela palavra que nunca ouviste
E quando disser
Tu já tenhas ouvido mil vezes?
Qual é o teu nome?
Quais as letras, os sons?
Quais as palavras?
Por que não respondes?
Eu sei: tu nem sabes
Não é estranho entender
Que um dia eu vou saber
(sem que tu saibas)
qual é o teu nome?
Eu sei.
O nome de verdade
não esse que ouço te chamarem
Qual a palavra que posso dizer
E te ver te virar para me responder?
Aquela palavra que nunca ouviste
E quando disser
Tu já tenhas ouvido mil vezes?
Qual é o teu nome?
Quais as letras, os sons?
Quais as palavras?
Por que não respondes?
Eu sei: tu nem sabes
Não é estranho entender
Que um dia eu vou saber
(sem que tu saibas)
qual é o teu nome?
Eu sei.
917
Depois (de pensar em você)
Sempre, de tudo, fica um pouco
Te roubo de ti sem perceberes
Te roubo de mim sem perceber
Urges, dirias.
Mas eu, também eu, te necessito.
Fica um pouco de tudo sempre
Das tuas palavras
E do teu silêncio.
Da tua fala morna
Do teu silêncio de cristal
(porque, soprando, quebra-se).
Um pouco de tudo sempre fica
Não importa a que conclusão chegamos
E nem que chegamos, se chegamos.
Sempre fica o caminho.
O caminho eu guardo sem notar
Te roubo o caminho?
De tudo sempre de pouco fazemos muito
Dos teus beijos, das tuas mãos
Das minhas mãos e das palavras
Sempre das palavras, nosso engano
E correção.
Te roubo de ti sem perceberes
Te roubo de mim sem perceber
Urges, dirias.
Mas eu, também eu, te necessito.
Fica um pouco de tudo sempre
Das tuas palavras
E do teu silêncio.
Da tua fala morna
Do teu silêncio de cristal
(porque, soprando, quebra-se).
Um pouco de tudo sempre fica
Não importa a que conclusão chegamos
E nem que chegamos, se chegamos.
Sempre fica o caminho.
O caminho eu guardo sem notar
Te roubo o caminho?
De tudo sempre de pouco fazemos muito
Dos teus beijos, das tuas mãos
Das minhas mãos e das palavras
Sempre das palavras, nosso engano
E correção.
804
Enquanto
Por me dares sempre teu riso
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
Por me dares sempre teus olhos
Por me dares sempre tua boca,
E tomares a minha, sempre.
Por me embebedares com palavras
E por deixar-me te dopar com as minhas
Por beberes minhas frases,
Minha falas, meus sons.
Por me sentir em teus braços
Por me sentires em teus braços
Por meus braços te sentirem
Por ser em ti sem mim
Por não seres meu, por não ser tua,
Quero sempre ser pois tenho medo.
819
Meus Filhos
Fechei a porta
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
Finalmente o vento parou de bater
O monstro alado parou de lutar
Fechei a porta no último minuto
Nem precisei usar força
Talvez nem mesmo a tenha fechado
Ela se fechou sozinha
Como quando o vento muda de direção.
Saí para ver o céu
Finalmente a chuva parou de cair
As gotas grossas pararam de me machucar
Saí para ver o céu no último dia
Nem precisei esperar
Talvez nem mesmo tenha saído
O céu entrou em mim
Como quando fechamos os olhos e ainda vemos a luz.
943
O que foi amor (não é mais)
Hoje preciso me lembrar de mim para penar em ti
E nunca me lembro de mim
Me esqueço de ti
Estás sempre lá e não.
Não te vejo, não te procuro
Só te encontro quando me abro pela porta do jardim
Mas me abro sempre pela porta da sala.
Eu não te encontro mas estás lá.
E quando te vejo não sorris
Quando te encontro foges de mim
Me perdoe por pensar em ti
E me perdoe por não pensar em mim
Prefiro continuar assim, forte
Quero passear no jardim. E voltar.
E nunca me lembro de mim
Me esqueço de ti
Estás sempre lá e não.
Não te vejo, não te procuro
Só te encontro quando me abro pela porta do jardim
Mas me abro sempre pela porta da sala.
Eu não te encontro mas estás lá.
E quando te vejo não sorris
Quando te encontro foges de mim
Me perdoe por pensar em ti
E me perdoe por não pensar em mim
Prefiro continuar assim, forte
Quero passear no jardim. E voltar.
1 028
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.