LASANA LUKATA LUKATA

LASANA LUKATA LUKATA

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às mulheres sofridas desse mundo


 

 

solitária garça, 

a mulher descasca batatas na varanda:

batatas domesticadas,

batatas arrancadas do quintal,

batatas escondidas na terra,

sob a pele o encapotado coração.

como domesticar o coração?

espremidos entre a lógica e a razão,

coração e batata pedem espaço para crescer,

mas é outono, e em trajes de Eva

a mulher descasca batatas na varanda,

estrelas desencapotadas de seus brilhos são pedras,

pedras encapotadas em seus musgos, duras esperanças.

à mesa um lápis de chumbo fardado de ovelha

para transferir furores à pedra, ponta metálica.

detumescência,

a noite levemente iluminada,

em busca do coágulo,

a vertiginosa sutileza enfia a mão no peito

e coloca na vasilha com água,

entre os cardumes de batatas,

o coração que se desfolha.
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Biografia

Lasana Lukata é um poeta com uma carreira destacada, especialmente no cenário literário do Rio de Janeiro. Ele participou de várias oficinas literárias, incluindo uma ministrada por Ferreira Gullar na UERJ, que resultou na Antologia Poética 'Próximas Palavras'. Lukata também foi premiado diversas vezes em concursos literários, como o Prêmio Brito Broca de Literatura e o Prêmio Cataratas de Contos e Poesias. Além dessas conquistas, ele foi frequentemente premiado no Festival de Poesias do SESC São João de Meriti e no Concurso Literário da Biblioteca Pública Ferreira Gullar, em Duque de Caxias. Participou de antologias, como '8 Poetas', e publicou o poema 'Separação de Sílabas', que foi bem recebido pela crítica no Concurso Literário Pão & Poesia. Lukata é do estado do Rio de Janeiro e tem contribuído significativamente para a literatura brasileira com suas obras poéticas.

Poemas

6

Garça descontrolada

 

diante do mar,

o homem de terno e gravata

põe a pata leonina no cais.

 

sílabas tangidas, constrangidas

pelo aguilhão da sua caneta,

assim a marcha da linguagem,

ninguém dirige minhas palavras.

 

seguranças à volta,

persuarde-o o azul, 

mira indistinguíveis andorinhas

e abona a violência da gaivota 

que explode no ar.

 

excitam-no as fragatas, 

aves-de-guerra, piratas-do-mar,

garças do governo,

com a estrutura cristalina

do hábito de roubar, assediar 

até à rendição e as aves perseguidas

regurgitem o peixe.

 

faz apologia do sangue

no bico do polvo, 

no bico das aves de rapina.

 

diante da fêmea,

plumas da fama,

esplêndidas cores, 

altivamente exibidas,

subcorrem horrores

das subcorrentes,

delitescências,

por baixo de outras,

opostas ao povo.

 

um país em contato

com águas turvas

deliquesce.

 

diante do mar,

o homem sem paletó e gravata

encolhe a pata como uma garça,

se inspira nas proas cortando a água,

abissais inspirações, faz-se de surdo

para o Poema dos Lázaros

que só ganham retalhos para cobrir as feridas,

feridas corcundas.

                        

olhos de águia-marinha 

para além da ponte e horizonte,

no bolso, em prontidão, 

a caneta oportunista, generalista,

caçadora, predadora,

capaz de capturar outras canetas-

roubar suas presas-,

uma caneta com bico ensanguentado.

 

                                                      LASANA LUKATA 

 

 

 

91

hai kai

Garça  solitária-
Apenas o movimento
do ramo sem ninho.

 

338

Periferia



 

o vento de outono soprou

e fui colhendo folhas...

em cada uma havia um verso

e todas juntas um poema,

que agora averbo em teus ouvidos

e na margem deste mundo.

o meu poema te rodeia,

espaço branco producente,

de umidade e razão.

garça, alba plumagem 

onde escrevo teu nome.
246

às mulheres sofridas desse mundo


 

 

solitária garça, 

a mulher descasca batatas na varanda:

batatas domesticadas,

batatas arrancadas do quintal,

batatas escondidas na terra,

sob a pele o encapotado coração.

como domesticar o coração?

espremidos entre a lógica e a razão,

coração e batata pedem espaço para crescer,

mas é outono, e em trajes de Eva

a mulher descasca batatas na varanda,

estrelas desencapotadas de seus brilhos são pedras,

pedras encapotadas em seus musgos, duras esperanças.

à mesa um lápis de chumbo fardado de ovelha

para transferir furores à pedra, ponta metálica.

detumescência,

a noite levemente iluminada,

em busca do coágulo,

a vertiginosa sutileza enfia a mão no peito

e coloca na vasilha com água,

entre os cardumes de batatas,

o coração que se desfolha.
263

Escrevo

Escrevo para me comunicar com as almas,
porque sou poema,
para não ser devorado pela omissão.
Garça branca, noite escura,
mais noturna a solidão,
tudo foi literatura.

69

Depressão

Uns se jogam embaixo do trem.
Outros saltam de cima da ponte.
Minha professora, depressiva-,
se jogava embaixo do marido da vizinha.

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Lasana Lukata é um poeta e escritor brasileiro, nascido em São João de Meriti, Rio de Janeiro. Ele é conhecido por suas poesias que abordam temas sociais, experiências pessoais e reflexões profundas sobre a vida. Lasana começou sua carreira literária ainda jovem e participou de várias oficinas literárias, incluindo uma ministrada por Ferreira Gullar na UERJ. Ele também foi premiado em diversos concursos literários ao longo dos anos. Além de sua produção poética, Lasana tem uma trajetória marcada por prêmios importantes, como o Prêmio Brito Broca de Literatura e o Prêmio Cataratas de Contos e Poesias. Sua obra inclui vários livros de poesia e prosa, sendo reconhecido pela crítica por sua habilidade em capturar a essência das experiências humanas em suas palavras. Determinar o "melhor" poema de Lasana Lukata é subjetivo, pois depende das preferências pessoais de quem lê. No entanto, um dos seus poemas mais conhecidos e apreciados é "Polifemo". Esse poema destaca-se por sua rica linguagem e profundidade emocional, frequentemente mencionados em análises literárias e antologias de poesia. Aqui está um trecho de "Polifemo": "vieste pelos sete mares mirando o horizonte e as estrelas, guardaste teus vestidos roçagantes, sobre tua nudez desceu a farda mitológica." Este poema captura a sensação de jornada e transformação, um tema recorrente na obra de Lukata.