Lista de Poemas
Total de poemas: 3
•
Página 1 de 1
Se você me odeia, faço-o aos berros.
Nada de silêncios!
Enfrente-me!
Não se esconda!
Perturbe a natureza,
Perturbe a mim!
Não poupe excessos!
Sim! É isso... Tem de ser num rompante...
Pois a morte é voraz,
E seu ódio há de ser injusto e pleno.
Inspirado em Bilhete de Mário Quintana
<>
👁️ 19
NOSSA AMANTE
Não me causou grande estranhamento um laço preto no portão de sua casa. Teria sido a avó, sem dúvida. Os pais estavam saudáveis, Melinda havia, inclusive, comentado sobre o roteiro de uma viagem que fariam em breve para a Europa. A igreja financiaria todos os gastos, pois, segundo eles, não se tratava de um passeio, mas de um aprimoramento religioso, seria uma excursão em nome da fé, não da vaidade.
A vizinha da 235 estava ansiosa para falar, surgiu com sua vassoura simulando varrer a calçada rua, embora ela estivesse impecável. Queria comentar a morte, e eu estava um pouco curioso. Sim, eu queria saber como nossa mais ilustre amiga havia partido.
- Bom dia, Dona Zilda. Onde posso encontrá-los?
- Não sei por onde o Senhor andava, mas todos se esforçaram para informá-lo sobre a tragédia. Aliás, por diversas vezes, inclusive, enviaram algumas mensagens. Não viu seu aparelho?
- Não, não foi possível, meu celular estava, e ainda está, sem carga. Eu deixei o carregador em casa e só percebi quando cheguei ao hotel, por isso estiva incomunicável. E, não sei se ajudaria muito, o local era afastado e não havia torre nas proximidades.
- Pois bem, todos estranharam seu sumiço repentino. Sabe, o fato de você não está por aqui num momento tão desesperador.
Mas, enfim, caso não saiba, a desgraça aconteceu por volta das 20 horas de ontem. O corpo chegou há umas duas horas para o velório na igreja onde a família congrega. Uma tristeza! Uma tristeza! Estamos devastados.
- Sim. Ela era maravilhosa, incomparável, bondosa, justa, inesquecível... Foi em casa?
- Para mim, foi, mas a quem diga que estava viva quando os socorristas chegaram, e morreu a caminho do hospital. Mais de trinta facadas. Quem resistiria? Pobre mulher! Vitima de algo nunca visto por aqui. Estamos todos muito tristes, assustados e desconfiados. Poderia ir logo para lá. A polícia está investigando, fomos todos aconselhados a não tecer comentários, murmurar suposições. Certamente seus amigos terão muito a dizer, mas eu prefiro me calar e esperar por aquele lá de cima, comentou a fofoqueira apontando o indicador em direção ao céu e se benzendo em seguida.
- Sim, faz bem. Eu estou indo para lá. Até mais! Obrigada, Senhora Zilda.
"Facadas? Quem seria capaz de ferir a velhota rica e mãe do pastor da Sede? Em todo caso, é muita perversidade. Pobre Dona Otília!".
Não pretendia comparecer, se a morte ocorresse em circunstâncias naturais. Idosos morrem todos os dias, e velórios são abomináveis. Poderia dar uma desculpa. Ora, um sonífero após chegar de viagem com enxaqueca, algumas horas de sono, e o corpo seria enterrado sem minha presença. No entanto, um assassinato na família Vitorino... E, era a avó de Melinda...
Sim, eu precisava comparecer, sobretudo porque estava curioso. Teriam levado as famosas joias da esganada? Entrei no carro e dirigi sem pressa. Aquela situação me parecia intrigante. Teria sido assalto? Havia os boatos de que Dona Otília mantinha em seu quarto um cofre com riquezas suficientes para melhorar a vida de muitas ovelhas miseráveis. Mas sempre há quem goste de tecer comentários sobre fortunas, desgraças, maldições... E onde há fofocas... Enfim, a matriarca teve o privilégio de um fim trágico numa cidade onde nada de surpreendente acontecia. Com o passar dos anos se tornaria uma lenda urbana. Histórias seriam contadas sobre sua vida e morte, relatos repletos de inverdades, fantasias, devaneios provincianos. Poderia ser só uma fotografia deslocada na parede de uma sala funesta, ou um túmulo ostensivo, laureado por um versículo irônico em seu epitáfio... No entanto, será o mais florido e visitado do Almas Celestiais. O maior cemitério evangélico da região, onde jazia o corpo de seu finado, o safado do velho Orácio, aquele punheteiro de merda!
Em poucos minutos estava na Rua Enfermeira Marta Shuller, muito próxima da residência da corja enlutada, cinco quadras. Tive dificuldade para conseguir uma vaga nos estacionamentos. O que me intrigou ainda mais. Embora brutal, sempre era a morte de uma velha: "Por que tantos jovens?" Talvez com a esperança de conceder uma entrevista para o canal local, ou sondar um possível suspeito... Vai saber!...
Ao me aproximar, porém, logo atentei para a indignação nos olhos dos parentes. Paula correu até mim e me abraçou aos prantos. Era a melhor amiga de Melinda, estava sempre na casa da família, sem dúvida a violência do caso a afetara profundamente.
- Eu sinto muito, meu amigo. Venha! Vamos vê-la. Ignore os inquisidores, os intrusos, os maldosos... Ela está linda. Nem parece ter sido vítima de uma morte tão violenta. A polícia está presente, mas fique calmo, tudo será esclarecido. Claro que foi ação de um estuprador pervertido!
"Eu sinto muito!". Por que sentia muito? Calafrios percorreram o meu corpo. Eu tinha uma pergunta a fazer, uma única pergunta! No entanto, apenas apertei a mão de minha colega de trabalho e seguimos em direção à capela. O caminho se abria para passarmos. As pessoas se afastavam, nem todas por gentileza, mas por curiosidade, contrariedade, orgulho, e até por uma aparente repugnância. Às vezes é possível analisar melhor as feições apenas recuando alguns passos, algo mutuo naquele momento.
O Senhor Rubens, pai de Melinda, filho da defunta, tentou impedir minha entrada:
- Desgraçado! Maldito! Assassino! Filho de Satanás!
Uma cuspida em minha face esquerda, perplexidade, incompreensão, medo... O corpo de Melinda. Alguém o afastou com uma passividade escandalosa: "Essa alma maligna haverá de arder nas tormentas infernais. EM NO ME DE JEE SUS!.
Divina Melinda, meu amado João Batista Vitorino.
Seu rosto pálido, seus cabelos castanhos, ondulados e longos, nenhuma ruga, nenhuma mancha em sua pele, apenas um pequeno corte no lábio inferior. Haveria de ter sentido muita dor. Suas mãos apresentavam ferimentos aparentes de defesa. Por que me espreitavam com expressões tão diversas? Alguns sussurravam deduções, comentários, aparentemente, maliciosos, ao pé de ouvidos ávidos por novidades que justificassem ou aumentassem os mistérios sobre o caso; Dona Otília acariciava suas mãos. Aquela rigidez, aquela aparência de gesso, o rigor mortis; a Senhora Olga orando baixinho, de olhos fechados, abraçada a uma Bíblia, embalando seu corpo para a esquerda e para a direita, lívida, indiferente a tudo ao seu redor.
Uma mão delicada tocou meu ombro:
- Senhor Furlan?
Virei-me. Eu estava atordoado, mal conseguia lembrar dos fatos da noite anterior. Os conflitos emocionais, os pensamentos invasivos, uma voz me ordenando: "Vá! Beije seus lábios mortos! Ou quer ser o próximo?" Atrás de mim, uma jovem policial, e uma abordagem inesperada. Os gritos do Senhor Rubens... Eu queria entender. Era ela, a minha linda, linda, linda Melinda!
- Precisamos que nos acompanhe até a delegacia. Curvei-me subitamente e beijei seus lábios insensíveis.
Não retornei ao velório, não acompanhei o enterro, não respondi aos questionamentos dos investigadores.
Paula apareceu por volta das 18 horas em meu apartamento, tinha os cabelos enfeitados por flores retiradas de algumas das coroas fúnebres, as quais foram despetaladas sobre meu corpo nu e excitado, o qual despiu rangendo os dentes feroz como uma predadora selvagem.
- O cheiro da morte estava em Paula: em sua pele, em seu riso, em sua voz, em suas carícias, em sua língua, em seus orgasmos.
- Na manhã do dia seguinte, minha colega de trabalho teve uma crise nervosa, depois mais uma, e outra, e outras... Os pais decidiram acompanhá-la durante um tratamento noutro estado. Fora diagnosticada com estresse pós-traumático.
Eu a vi na televisão, dois anos depois, durante a apresentação sensacionalista do assassinato de uma jovem de 23 anos, vitima de um ataque brutal no estacionamento de um shopping: 52 facadas. No vídeo, ela aparecia de pé ao lado do caixão, consolando o noivo da vítima, pareciam ser grandes amigos. Ela, Paula, estava muito diferente: as roupas, a cor e o corte do cabelo, os óculos... E chegou a falar com os repórteres manifestando sua revolta: "Há um assassino em série agindo no país, a polícia precisa se importar mais com essas barbáries e punir esse monstro pervertido".
O apresentador se esforçava para relacionar o crime a outros sete não solucionados cujas vítimas viviam em estados distantes uns dos outros. Ele finalizou a matéria dizendo: "É isso aí, Pietra! Mais agilidade, Senhores investigadores!"
15 compartilhamentos
Curtir
Comentar
Compartilhar
A vizinha da 235 estava ansiosa para falar, surgiu com sua vassoura simulando varrer a calçada rua, embora ela estivesse impecável. Queria comentar a morte, e eu estava um pouco curioso. Sim, eu queria saber como nossa mais ilustre amiga havia partido.
- Bom dia, Dona Zilda. Onde posso encontrá-los?
- Não sei por onde o Senhor andava, mas todos se esforçaram para informá-lo sobre a tragédia. Aliás, por diversas vezes, inclusive, enviaram algumas mensagens. Não viu seu aparelho?
- Não, não foi possível, meu celular estava, e ainda está, sem carga. Eu deixei o carregador em casa e só percebi quando cheguei ao hotel, por isso estiva incomunicável. E, não sei se ajudaria muito, o local era afastado e não havia torre nas proximidades.
- Pois bem, todos estranharam seu sumiço repentino. Sabe, o fato de você não está por aqui num momento tão desesperador.
Mas, enfim, caso não saiba, a desgraça aconteceu por volta das 20 horas de ontem. O corpo chegou há umas duas horas para o velório na igreja onde a família congrega. Uma tristeza! Uma tristeza! Estamos devastados.
- Sim. Ela era maravilhosa, incomparável, bondosa, justa, inesquecível... Foi em casa?
- Para mim, foi, mas a quem diga que estava viva quando os socorristas chegaram, e morreu a caminho do hospital. Mais de trinta facadas. Quem resistiria? Pobre mulher! Vitima de algo nunca visto por aqui. Estamos todos muito tristes, assustados e desconfiados. Poderia ir logo para lá. A polícia está investigando, fomos todos aconselhados a não tecer comentários, murmurar suposições. Certamente seus amigos terão muito a dizer, mas eu prefiro me calar e esperar por aquele lá de cima, comentou a fofoqueira apontando o indicador em direção ao céu e se benzendo em seguida.
- Sim, faz bem. Eu estou indo para lá. Até mais! Obrigada, Senhora Zilda.
"Facadas? Quem seria capaz de ferir a velhota rica e mãe do pastor da Sede? Em todo caso, é muita perversidade. Pobre Dona Otília!".
Não pretendia comparecer, se a morte ocorresse em circunstâncias naturais. Idosos morrem todos os dias, e velórios são abomináveis. Poderia dar uma desculpa. Ora, um sonífero após chegar de viagem com enxaqueca, algumas horas de sono, e o corpo seria enterrado sem minha presença. No entanto, um assassinato na família Vitorino... E, era a avó de Melinda...
Sim, eu precisava comparecer, sobretudo porque estava curioso. Teriam levado as famosas joias da esganada? Entrei no carro e dirigi sem pressa. Aquela situação me parecia intrigante. Teria sido assalto? Havia os boatos de que Dona Otília mantinha em seu quarto um cofre com riquezas suficientes para melhorar a vida de muitas ovelhas miseráveis. Mas sempre há quem goste de tecer comentários sobre fortunas, desgraças, maldições... E onde há fofocas... Enfim, a matriarca teve o privilégio de um fim trágico numa cidade onde nada de surpreendente acontecia. Com o passar dos anos se tornaria uma lenda urbana. Histórias seriam contadas sobre sua vida e morte, relatos repletos de inverdades, fantasias, devaneios provincianos. Poderia ser só uma fotografia deslocada na parede de uma sala funesta, ou um túmulo ostensivo, laureado por um versículo irônico em seu epitáfio... No entanto, será o mais florido e visitado do Almas Celestiais. O maior cemitério evangélico da região, onde jazia o corpo de seu finado, o safado do velho Orácio, aquele punheteiro de merda!
Em poucos minutos estava na Rua Enfermeira Marta Shuller, muito próxima da residência da corja enlutada, cinco quadras. Tive dificuldade para conseguir uma vaga nos estacionamentos. O que me intrigou ainda mais. Embora brutal, sempre era a morte de uma velha: "Por que tantos jovens?" Talvez com a esperança de conceder uma entrevista para o canal local, ou sondar um possível suspeito... Vai saber!...
Ao me aproximar, porém, logo atentei para a indignação nos olhos dos parentes. Paula correu até mim e me abraçou aos prantos. Era a melhor amiga de Melinda, estava sempre na casa da família, sem dúvida a violência do caso a afetara profundamente.
- Eu sinto muito, meu amigo. Venha! Vamos vê-la. Ignore os inquisidores, os intrusos, os maldosos... Ela está linda. Nem parece ter sido vítima de uma morte tão violenta. A polícia está presente, mas fique calmo, tudo será esclarecido. Claro que foi ação de um estuprador pervertido!
"Eu sinto muito!". Por que sentia muito? Calafrios percorreram o meu corpo. Eu tinha uma pergunta a fazer, uma única pergunta! No entanto, apenas apertei a mão de minha colega de trabalho e seguimos em direção à capela. O caminho se abria para passarmos. As pessoas se afastavam, nem todas por gentileza, mas por curiosidade, contrariedade, orgulho, e até por uma aparente repugnância. Às vezes é possível analisar melhor as feições apenas recuando alguns passos, algo mutuo naquele momento.
O Senhor Rubens, pai de Melinda, filho da defunta, tentou impedir minha entrada:
- Desgraçado! Maldito! Assassino! Filho de Satanás!
Uma cuspida em minha face esquerda, perplexidade, incompreensão, medo... O corpo de Melinda. Alguém o afastou com uma passividade escandalosa: "Essa alma maligna haverá de arder nas tormentas infernais. EM NO ME DE JEE SUS!.
Divina Melinda, meu amado João Batista Vitorino.
Seu rosto pálido, seus cabelos castanhos, ondulados e longos, nenhuma ruga, nenhuma mancha em sua pele, apenas um pequeno corte no lábio inferior. Haveria de ter sentido muita dor. Suas mãos apresentavam ferimentos aparentes de defesa. Por que me espreitavam com expressões tão diversas? Alguns sussurravam deduções, comentários, aparentemente, maliciosos, ao pé de ouvidos ávidos por novidades que justificassem ou aumentassem os mistérios sobre o caso; Dona Otília acariciava suas mãos. Aquela rigidez, aquela aparência de gesso, o rigor mortis; a Senhora Olga orando baixinho, de olhos fechados, abraçada a uma Bíblia, embalando seu corpo para a esquerda e para a direita, lívida, indiferente a tudo ao seu redor.
Uma mão delicada tocou meu ombro:
- Senhor Furlan?
Virei-me. Eu estava atordoado, mal conseguia lembrar dos fatos da noite anterior. Os conflitos emocionais, os pensamentos invasivos, uma voz me ordenando: "Vá! Beije seus lábios mortos! Ou quer ser o próximo?" Atrás de mim, uma jovem policial, e uma abordagem inesperada. Os gritos do Senhor Rubens... Eu queria entender. Era ela, a minha linda, linda, linda Melinda!
- Precisamos que nos acompanhe até a delegacia. Curvei-me subitamente e beijei seus lábios insensíveis.
Não retornei ao velório, não acompanhei o enterro, não respondi aos questionamentos dos investigadores.
Paula apareceu por volta das 18 horas em meu apartamento, tinha os cabelos enfeitados por flores retiradas de algumas das coroas fúnebres, as quais foram despetaladas sobre meu corpo nu e excitado, o qual despiu rangendo os dentes feroz como uma predadora selvagem.
- O cheiro da morte estava em Paula: em sua pele, em seu riso, em sua voz, em suas carícias, em sua língua, em seus orgasmos.
- Na manhã do dia seguinte, minha colega de trabalho teve uma crise nervosa, depois mais uma, e outra, e outras... Os pais decidiram acompanhá-la durante um tratamento noutro estado. Fora diagnosticada com estresse pós-traumático.
Eu a vi na televisão, dois anos depois, durante a apresentação sensacionalista do assassinato de uma jovem de 23 anos, vitima de um ataque brutal no estacionamento de um shopping: 52 facadas. No vídeo, ela aparecia de pé ao lado do caixão, consolando o noivo da vítima, pareciam ser grandes amigos. Ela, Paula, estava muito diferente: as roupas, a cor e o corte do cabelo, os óculos... E chegou a falar com os repórteres manifestando sua revolta: "Há um assassino em série agindo no país, a polícia precisa se importar mais com essas barbáries e punir esse monstro pervertido".
O apresentador se esforçava para relacionar o crime a outros sete não solucionados cujas vítimas viviam em estados distantes uns dos outros. Ele finalizou a matéria dizendo: "É isso aí, Pietra! Mais agilidade, Senhores investigadores!"
15 compartilhamentos
Curtir
Comentar
Compartilhar
👁️ 22
Seus Sentidos
Ignore o homem vivo
Ignore a arrogância do homem vivo
ignore sua prepotência
Mas não ignore a ignorância do homem vivo
Do homem-mentira
Do homem-dia
Fuja desse perigoso homem vivo,
Evite ouvir sua voz,
Caso o encontre, desça o véu sobre seu rosto e oculte seu corpo sob suas vestes lutuosas
E, se ele bater palmas em seu portão, limite-se a espreitá-lo através da cortina
Mantenha as luzes apagadas, as janelas e portas fechadas.
Espere-o partir,
Espere-o desaparecer
Espere-o morrer
Certifique-se de que foi encerrado em uma cova profunda,
Ou ele sangrará suas páginas espectrais
Silenciará suas elegias fúnebres
Não tema o eco das trovas abissais do homem morto.
O homem vivo é um devorador de demônios e agoniza por sua incapacidade de domá-los.
Mas o homem morto foi por eles vencido e dele nenhum mal advirá.
Ignore a arrogância do homem vivo
ignore sua prepotência
Mas não ignore a ignorância do homem vivo
Do homem-mentira
Do homem-dia
Fuja desse perigoso homem vivo,
Evite ouvir sua voz,
Caso o encontre, desça o véu sobre seu rosto e oculte seu corpo sob suas vestes lutuosas
E, se ele bater palmas em seu portão, limite-se a espreitá-lo através da cortina
Mantenha as luzes apagadas, as janelas e portas fechadas.
Espere-o partir,
Espere-o desaparecer
Espere-o morrer
Certifique-se de que foi encerrado em uma cova profunda,
Ou ele sangrará suas páginas espectrais
Silenciará suas elegias fúnebres
Não tema o eco das trovas abissais do homem morto.
O homem vivo é um devorador de demônios e agoniza por sua incapacidade de domá-los.
Mas o homem morto foi por eles vencido e dele nenhum mal advirá.
👁️ 20
Português
English
Español