Escritas

Biografia

20 outonos, terminando o ensino médio (meio atrasado mas firme). Canceriano, e 100% hipster pseudosocial. ♋

Lista de Poemas

Total de poemas: 6 Página 1 de 1

Simplicidades





Vou caminhar até ruas de barro da cidade, ao invés de esperar que o pôr do sol seja visível das avenidas fechadas do meu bairro.
E então aproveitar a brecha para respirar umas tomadas de ares puros, que acompanham a brisa incessante das pastagens ao horizonte, ao invés de esperar que tragam-me purificadores de ar...
Olharei as planícies e planaltos, viajando com a alma em cada uma das erosões que os cercam...
Vou fugir dessa vida mecânica, e ressentir na pele fina e mal acostumada, a poeira das poucas simplicidades.
Vou arrumar meu próprio jardim ao invés de esperar que me tragam flores.




Autor: Julio Anderson
👁️ 203

🕐 Choro escrito de um detento



Esse é um daqueles típicos textos de madrugadas comuns, que o fazem pensar no por que recebe-lo tal hora da noite, ou melhor... por qual razão alguém perderia seu tempo escrevendo-o. Sensato ou não, talvez seja um tempo que valha a pena perder...


Já reparou como admiramos canarinhos cantarem lá fora, quando nossa única maneira de enxerga-los é espreitando a falsa melodia de uma tão virtuosa alforria.

E o quão intenso o anil do céu cega os olhos, quando nas mais largas presunções, o mais próximo que estaremos dele, será quando seu choro igualar-se aos nossos.

Além das calêndulas aos campos vizinhos que estarão sempre adentro de nossos quartos mofados. Sumindo, indo e vindo, a mercê da tal brisa que sempre se nega a instigar.

Como todo e bom servo, sem uma carta de recomendação, que aguarda, se deita e espera, pelos dias de redenção. Amargando a folhagem negra, almejando o inalcançável, que somente nos é mostrado, quando a perdemos de vez.

Liberdade! Oh, pura largueza.
Cante, e dance pra mim, antes que de tu eu me esqueça...




Autor: Júlio Anderson
👁️ 212

Palavras de um garoto que acha que viveu demais. 😎




Constantemente nos fins de noite (ou início delas), sou prensado contra a parede e questionado por meus próprios pensamentos embaçados. E ainda que tente chegar a um acordo diferente entre 'o que há e o que ser'; Sou propriamente forçado a encarar a mesma resposta: *Eu não sei*.

Duramente me vendo lutando contra um terrível fantasma, não posso fugir do epílogo que é simplesmente não saber. Quase como uma antítese a vida, não saber se torna uma filosofia furada que ainda sim tem seus poucos valores.

Como um pobre dilema de estar entre ir e ficar, seguir ou voltar. E por mais que tudo indique o caminho favorito as "inlucidências" não me permitem dar um passo que seja.

É então, que a pífia filosofia materializa-se diante dos pensamentos infames.
Pois não importa o quão inteligente o indivíduo seja, sempre se verá refém da existência âmaga que o abraça.

Enxergando além do que as montanhas permitem, sem nunca saber o por que de uma vista tão paradisíaca ressoa-lo como uma grande prisão decorada.

No meu palpite poético... Eu diria que se trata de uma simples pegadinha da vida, e o que nos faz fascina -la, é a beleza por trás de todos os seus mistérios.




Autor: Júlio Anderson
👁️ 210

Este bordo, bom amor



E no capítulo final, meu coração suspira muito.
Conversas que se perderam, assombros vividos.
Alunando nos olhos, todas as poucas promessas, pendurando sonhos de amores infinitos.

Enganei meu sorriso, pensando estar no conforto dos braços de alguém que nunca soube amar. Erroneamente atirando meus devaneios, onde o afeto jamais iria permanecer.

Desejei-me doar, previsto te aceitar... Bem, como 'in Soul' em sublime dor.
Esquecer, voar, preciso em ser um bom, não mais que me iludir...
Velejar, fugir.


- Autor: Julio Anderson
👁️ 231

Acumular, viver.



A gente se senta bem perto das janelas do horizonte e imagina que o mundo deixou de ser preto e branco.
A gente pensa no dinheiro que acumula jóias, jóias que acumulam nada, e saudades que acumulam prantos.

A gente pensa no que outros pensam, e acumulando pensamentos, deixamos de viver aos poucos.
A gente abraça o medo do mundo, e pensamos no quanto eles nos vêem loucos.
A gente regou suas mente com flores, e eles nos enterraram e devolveram aos lobos.

A gente fugiu da culpa mas esperamos o julgamento, acumulamos, frio, vidas e lamentos.
A gente acumulou muito do que não devia, e quando o inverno chegou, nos suprimos de dores e atestados de óbito.
Ainda esperam que eu acumule amor, e sorrisos em fotos?


Autor: Julio Anderson
👁️ 201

✌ Juvetude selvagem ✌




Ser jovem estava ficando velho e chato, algumas garrafas de vinho barato e umas carteiras de cigarro. Fugindo pra lugar nenhum levando no porta-malas os sonhos e feridas, perdidos no próprio tempo, como tempo, em alento.

As aventuras já tinham se tornado monótonas, e as cercas violadas já não mais pareciam um grande perigo. Instigo, era tempo de abandonar as loucuras? Ou seria mais uma crise inerte de um tempo em alento?

O que de fato era verídico, cada uma das harmonias que encontrávamos nas conversas com os amigos na garagem de casa, com uma garrafa gélida, transbordando cervejas, junto a algumas lágrimas esquecidas.

Grosso modo, a vida tinha se tornado entediante, e tais coisas proibidas já não desestruturavam nossos neurônios e enfrentar devida selvageria já não nos entusiasmava. Talvez esse tenha sido o nosso grande erro, tornar-se selvagem, e acostumar-se com toda a monstruosidade que nos cercava.


Autor: Julio Anderson
👁️ 219